Desde o início da Copa do Mundo Feminina, o Brasil tinha consciência de suas limitações. Mesmo assim, ficou uma ponta de decepção com a queda nas oitavas de final. A Seleção jogou bem contra a Austrália e criou mais chances claras, mas teve dificuldades para se aproximar do gol. Acabou pagando cara por uma brecha da defesa, no único gol sofrido em toda a competição, que permitiu a vitória das australianas por 1 a 0. O time treinado por Vadão volta para o Brasil de cabeça erguida. Mas sabendo que ficou aquém de seu potencial, por mais que estivesse distante do favoritismo das duas edições anteriores do Mundial.

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A passagem pela primeira fase da Copa foi tranquila, mas longe de ser desafiadora. O Brasil não jogou tão bem contra Coreia do Sul e Espanha, mas conquistou as vitórias. E, já classificado em primeiro, se deu ao luxo de escalar o time reserva diante da Costa Rica e ainda assim manter os 100% de aproveitamento. A Austrália era uma rival de muito mais nível, especialmente pela organização que demonstrou durante a difícil primeira fase, saindo com o segundo lugar de uma chave que ainda tinha Estados Unidos e Suécia. Por mais que as brasileiras tenham feito uma boa partida, faltou mais para a classificação. Ficou a experiência a um grupo que mesclou o talento das veteranas com várias jovens chegando à equipe principal, base para as Olimpíadas de 2016.

Uma das melhores jogadoras do Mundial até o momento, Formiga outra vez protagonizou a seleção brasileira. Aparecendo bastante tanto na marcação quanto na construção de jogo, a camisa 20 criou as melhores oportunidades da equipe. Durante o primeiro tempo, um chutaço de fora da área parou na ponta dos dedos da goleira Williams, que viveu ótima tarde. Já no segundo tempo, seu desvio após cobrança de escanteio parou na trave.

No mais, o Brasil tinha boa posse de bola, mas estacionava na intermediária, diante do bom posicionamento defensivo das australianas. Os espaços dados pelas adversárias eram mínimos, dificultando demais as jogadas de Marta. A camisa 10 não vive mais o seu melhor momento e, com a marcação cerrada, pouco conseguiu fazer. Já Cristiane, que fez uma Copa abaixo de seu nível, até chamou a responsabilidade no jogo, assim como Andressa Alves. Porém, por mais que as brasileiras até conseguissem se infiltrar nas pontas, com o apoio das laterais, as chances na área quase sempre vinham prensadas, dificultadas pela disciplina defensiva da Austrália. Quando teve um pouco mais de liberdade, Marta não passou pela goleira.

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A Austrália, por sua vez, conseguia equilibrar bem o jogo e pressionava no ataque, ainda que também sem criar muito. O Brasil até se expunha mais na defesa, embora só tomasse um pouco mais de calor nas bolas paradas. E o lance fatal acabou acontecendo aos 35 minutos do segundo tempo. Em um ataque rápido que pegou a linha de zaga brasileira aberta, a goleira Luciana deu rebote na primeira tentativa e não conseguiu evitar o gol de Simon, que fuzilou na sobra. Até havia um tempo razoável para tentar o empate, mas a solidez das australianas dificultava demais. A esperança acabou após dois minutos de acréscimos.

Considerando a falta de desempenho e de apoio principalmente da CBF, a seleção feminina sempre faz muito além de suas possibilidades. Mas, pelo que vinha mostrando na Copa, dava para ir além – ainda que já nas quartas de final as prováveis adversárias fossem as japonesas, atuais campeãs do mundo.  Agora, é manter a cabeça erguida e manter o trabalho, em especial com a seleção permanente, pensando nos Jogos Olímpicos.

O momento está abaixo de 2008, por exemplo, quando o ouro não veio por detalhes na final, com Marta e Cristiane voando. Mas vale ressaltar que o atual elenco passa por uma renovação significativa, com grande valor da experiência a um grupo no qual 11 jogadoras têm 25 anos ou menos. E, ainda assim, há talento suficiente para sonhar com a medalha, além do apoio nas arquibancadas. Para, depois disso, seguir o caminho pensando na Copa de 2019, difícil principalmente pela falta de perspectivas para o futebol feminino no Brasil.