Virgil Van Dijk e Sergio Ramos pressionam o atacante adversário, e a bola sai para tiro de meta. Manuel Neuer cobra para Daniel Alves, que inverte o jogo para Marcelo. Toni Kroos aproxima-se para qualificar a saída de bola. Domina, levanta a cabeça e corta a linha de marcação com um passe curto para Xavi. Ao seu lado, Iniesta recebe e lança rasteiro com Neymar. Dois dribles, movimento diagonal e o toque para a entrada da área, onde aparece Messi, saindo da direita para o meio. Messi bate colocado, com curva, bem ao seu estilo e acerta o travessão. O rebote cai com Cristiano Ronaldo que limpa para a direita e bate com força. Gol. Mas gol de quem?

Da Seleção da Década da Trivela. Como independente da sua religião (se a década começa no 0 ou no 1), não haverá muito mais futebol este ano e, com a paralisação dos campeonatos, foi a chance perfeita para fazer um balanço dos últimos dez anos. Consultamos colegas de outros veículos e pedimos que eles nos mandassem uma lista com suas cinco escolhas, em ordem de preferência, em cinco categorias, além de um Melhor 11.

Compilamos os dados ao longo dessa semana e começaremos a dar os resultados. Nesta segunda-feira, com a Seleção da Década, e ao longo da semana, os melhores jogadores, técnicos, times, títulos mais marcantes e melhores jogos da última década – ou, se você não tiver paciência, confira tudo na última edição do nosso podcast.

Colégio eleitoral

Felipe Portes – Revista Relvado
Mauro Beting – Esporte Interativo, UOL
Leandro Iamin – Central 3
Taynah Espinoza – Esporte Interativo
Nathalia Perez – Trivela
Mário Marra – ESPN, CBN
Renata Mendonça – Dibradoras
Bruno Formiga – Esporte Interativo
Leo Escudeiro – Trivela
Bruno Bonsanti – Trivela
Joshua Law –  Football Yellow
Douglas Ceconello – Impedimento, Globoesporte.com
Ubiratan Leal – ESPN, Trivela
Vitor Birner – ESPN, Central 3/Trivela
Paulo Júnior – Central 3
Felipe Santos Souza – Espreme a Laranja, Trivela
Victor Canedo – Globoesporte.com
Vitor Sérgio – Esporte Interativo
Matías Pinto – Central 3
Leandro Stein- Trivela
Felipe Lobo – Trivela

Goleiro: Manuel Neuer

Neuer, pela Alemanha (Foto: Jorge Rodrigues)

Passou a década inteira em um único clube. Chegou em 2011 do Schalke 04 para tomar conta da meta do Bayern de Munique como Oliver Kahn havia feito. O protótipo do goleiro moderno: sabe jogar com os pés, sai do gol para interceptar lançamentos e contra-ataques e é creditado por muitos por ter modificado a compreensão sobre posição na qual foi soberano. Titular de dois grandes times deste período, o Bayern de Jupp Heynckes, campeão da Tríplice Coroa, e o de Pep Guardiola, menos bem-sucedido na Europa. E ainda ganhou a Copa do Mundo.

Lateral direito: Dani Alves

Daniel Alves, do Barcelona (Foto: AP)

Um campeão em série. A década foi importante para Daniel Alves chegar a 40 títulos como jogador profissional. Sobreviveu à transição do estilo de Guardiola ao de Luis Enrique, campeão europeu com ambos. Levantou a liga nacional em todas as temporadas em que esteve na Europa no período, com exceção de duas (2011/12 e 2013/14) e recuperou seu espaço na seleção brasileira. Esta foi a briga mais ferrenha. Philipp Lahm, merecidamente, recebeu oito dos 21 votos. Mas, no fim, Daniel Alves venceu. Como se acostumou a fazer na carreira.

Zagueiro: Sergio Ramos

Sergio Ramos comemora gol pelo Real Madrid (Foto: Francois Nel/Getty Images)

Não é apenas que Sergio Ramos foi quatro vezes campeão europeu – cinco, se você contar a Eurocopa de 2012 com a seleção espanhola – sendo o líder da sua defesa e do seu time. Ele ainda fez gols decisivos. Não fosse sua cabeçada em Lisboa, La Decima teria sido adiada. Marcou novamente, dois anos depois, em Milão. Fez quase 100 gols com a camisa branca, um número fenomenal para um zagueiro, mesmo que tenha atuado parte da sua carreira como lateral direito. Ganhou tal confiança que passou a bater pênaltis com cavadinha. Em seu auge, foi um zagueiro rápido e agressivo, o que ao mesmo tempo criou inimigos e o fez cair ainda mais nas graças da torcida do Real Madrid.

Zagueiro: Virgil Van Dijk

Van Dijk com a taça da Champions League

Fazendo uma metáfora automobilística, Virgil Van Dijk largou dos boxes. Começou a carreira no Groningen e, além desse, seu currículo ostentava apenas os emblemas de Celtic e Southampton até 2018, quando a década preparava-se para a última volta. No entanto, seu desempenho foi tão fenomenal nos últimos dois anos, seu impacto na defesa do Liverpool, antes dele uma colcha de retalhos, foi tão perceptível, que ele conseguiu abrir a asa e ultrapassar adversários como Diego Godín e Gerard Piqué para cruzar a linha de chegada em segundo lugar.

Lateral esquerdo: Marcelo

Marcelo, do Real Madrid (Photo by David Ramos/Getty Images)

Para ser sincero, esta era barbada, um pouco também pela falta de concorrência (os outros dois citados foram Jordi Alba e Philipp Lahm, improvisado). Marcelo nem precisou marcar muito bem para se destacar como o grande lateral esquerdo da década, tetracampeão europeu com o Real Madrid, do qual se tornou um dos capitães e honrou a memória de Roberto Carlos. Tem tanta qualidade com a bola nos pés que não é difícil imaginar que o jogador de 31 anos ainda possa alcançar grandes feitos como meio-campista em um futuro próximo.

Volante: Toni Kroos

Toni Kroos, do Real Madrid (Foto: Getty Images)

Dependendo do que o seu time precisa, não basta ao primeiro jogador do meio-campo apenas roubar bolas. Ele também precisa saber se posicionar e principalmente ter qualidade de passe para ajudar na transição entre a defesa e o ataque. Nem sempre Toni Kroos jogou ali, mas ele encaixa em todos os atributos necessários. Teve participação importante em três grandes times da década: o da Tríplice Coroa do Bayern de Munique, embora tenha se machucado no fim da campanha; o título mundial da Alemanha; e, contratado como uma das maiores estrelas da Copa do Mundo para o lugar de Xabi Alonso, o tricampeonato europeu do Real Madrid.

Meia: Xavi

Xavi, do Barcelona (Foto: Getty Images)

Um dos melhores times de todos os tempos atingiu seu auge no começo da década, quando todas as engrenagens giraram em plena harmonia. E para isso acontecer, Xavi tinha que puxar a cordinha certa na hora certa. Deixou sua marca com o Barcelona em 2011 e também foi um dos símbolos da Espanha que aprendeu a ganhar títulos por volta daquele período. Continuou jogando com Tito Vilanova e Tata Martino e, embora tenha sido coadjuvante, participou também da Tríplice Coroa com Luis Enrique, antes de encerrar sua carreira europeia em alto nível em 2015, o bastante para ser lembrado várias vezes para a nossa seleção.

Meia: Iniesta

Andrés Iniesta, do Barcelona (Photo by David Ramos/Getty Images)

Se há Xavi, tem que haver Iniesta. Para quem a década começa em 2010, a primeira cena marcante é o carequinha fazendo o gol do título mundial da Espanha. Foi também o principal nome da Eurocopa de 2012 e seguiu atuando em alto nível a tempo de jogar bastante no time de Luis Enrique. De atacante mediano tornou-se um meio-campista completo, capaz de carregar a bola, driblar, passar e, embora não tenha feito tantos gols, alguns deles foram decisivos.

Ponta-direita: Lionel Messi

Messi, do Barcelona

Quando o Barcelona voava com Pep Guardiola e Luis Enrique, Messi era o principal jogador. Em momentos de baixa, também. Chegou a fazer 73 gols em uma temporada nesta década. Na seguinte, relaxou e fez apenas 60. Seus passes foram ficando melhores. Aprendeu a bater falta. O passar dos anos o tornou um jogador ainda mais completo do que o candidato a melhor da história que já era. Também aprendeu a ser líder e carregou o time em momentos menos brilhantes nos últimos anos.

Ponta-esquerda: Neymar

Neymar, do PSG

Apareceu, explodiu, teve suas controvérsias e, apesar delas, sempre jogou muita bola. Começou a década liderando o Santos ao título da Libertadores, um de seu últimos atos antes da inevitável transferência à Europa. Teve um breve período de adaptação no Barcelona antes de explodir no título europeu de 2014/15. Quando Messi estava machucado, assumiu o protagonismo, que se tornaria uma palavra muito presente nas discussões sobre sua carreira. Ou até mesmo com Messi em campo como no 6 a 1 contra o Paris Saint-Germain. Não foi o bastante. Saiu para o Paris Saint-Germain para ser o dono de um time – e conseguiu. O projeto ainda está em andamento, e teve seus percalços, mas, em campo, ele ainda é capaz de fazer o imprevisível como poucos.

Centroavante: Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo, do Real Madrid (Photo by Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images)

Cristiano Ronaldo chegou ao Real Madrid e a transformação começou. O antigo ponta insinuante tornou-se um centroavante impecável. A velocidade e os dribles seguiram existindo, mas ganharam a companhia da força e da finalização. Não precisou de muito tempo para bater recordes no Real Madrid e na Champions League. Conquistou quatro vezes o principal torneio europeu e ainda conduziu Portugal ao inédito título da Eurocopa. Se é ou não melhor que Messi será debatido por muito tempo, mas, na prateleira de prêmios, encostou ao ser eleito quatro vezes o melhor jogador do mundo.

Também citados na votação: 

Buffon, De Gea, Lahm, Godín, Piqué, Thiago Silva, Hummels, Chiellini, Jordi Alba, Busquets, Schweinsteiger, De Rossi, Yaya Touré, Casemiro, Kanté, Modric, De Bruyne, David Silva, Éverton Ribeiro, Pirlo, Salah, Griezmann, Hazard, Robben, Suárez e Benzema