A Copa do Brasil vê sua história reluzir nesta edição. Todos os quadrifinalistas já conquistaram o título no passado. E três dos confrontos reúnem times que protagonizaram grandes jogos no torneio, especialmente nos anos 1990. Se Atlético Mineiro e Juventude se encararão pela primeira vez na competição, os outros três cruzamentos guardam um baú de boas histórias. Grêmio e Palmeiras viveram uma das maiores rivalidades nacionais na época, também por conta da Copa do Brasil. Corinthians e Cruzeiro marcaram época com alguns de seus maiores times. E mesmo Santos e Internacional, no único duelo do período, têm um episódio emocionante para resgatar.

Alguns encontros aconteceram posteriormente, nos anos 2000. Entretanto, pela nostalgia, reunimos apenas aquilo que foi vivido na década de 1990 pela Copa do Brasil. Relembre:

Grêmio x Palmeiras

Em anos áureos para os dois clubes, foram três encontros pela Copa do Brasil entre 1993 e 1996 – isso sem contar o épico pela Copa Libertadores em 1995. Em 1993, na caminhada até a decisão, o Tricolor de Sérgio Cosme contava com uma equipe mais modesta, mas superou o futuro bicampeão brasileiro de Vanderlei Luxemburgo nas quartas de final. Edmundo e Gilson Maciel marcaram no empate por 1 a 1 em São Paulo, placar repetido em noite dramática em Porto Alegre. Tonhão e Charles Fabian balançaram as redes, enquanto Edmundo chegou a carimbar a trave quando os alviverdes pressionavam com um jogador a mais. Então, a decisão seguiu para os pênaltis. Melhor para os gaúchos, que viram o goleiro Eduardo Heuser garantir o time, defendendo as cobranças de Zinho e César Sampaio. No fim, o meio-campista (Dorival) Júnior selou a vitória por 7 a 6.

Em 1995, o jogo valeu pelas oitavas de final da Copa do Brasil, três meses antes do confronto memorável pela Libertadores. E, com um pouco menos de emoção, o equilíbrio também preponderou. Rivaldo e Dinho anotaram os gols no empate por 1 a 1 no Olímpico. Já no Parque Antárctica, um duelo dramático. Os gremistas abriram dois gols de vantagem no jogo aéreo, com Luís Carlos Goiano e Paulo Nunes. Depois, a partida descambou para a violência e quatro foram expulsos antes do intervalo: Mancuso para o time da casa, além de Dinho, Arílson e Luís Carlos Goiano para os visitantes. O Tricolor de Felipão se segurou como pôde. Lozano e Rivaldo chegaram a empatar, mas os gols fora classificaram o Grêmio. O time outra vez foi vice-campeão, derrotado pelo Corinthians.

Já em 1996, quando o Grêmio era o atual campeão continental e o Palmeiras desfrutava de sua máquina ofensiva, cada time venceu uma partida. Os alviverdes saíram em vantagem na ida das semifinais, com o placar por 3 a 1. Em ótimas tramas, Rivaldo e Djalminha marcaram dois belos gols, enquanto Paulo Nunes descontou. Por fim, Müller deu números finais aos palestrinos, em gol que se provaria vital. Dentro do Olímpico, o Grêmio não conseguiu ir além da vitória por 2 a 1, insuficiente para a classificação. Os visitantes saíram em vantagem com Cláudio, enquanto os gaúchos viraram com Jardel e Zé Alcino. Diante da enorme pressão tricolor, incluindo uma bola na trave de Paulo Nunes, o gol que levaria a decisão para os pênaltis até aconteceu, aos 49 do segundo tempo, mas acabou anulado por um impedimento inexistente. O lance resultou em enorme confusão, com briga generalizada. Na decisão, o Cruzeiro derrotou o Palmeiras.

Corinthians x Cruzeiro

Corintianos e cruzeirenses também ocuparam papel de protagonismo na Copa do Brasil durante os anos 1990. Em 1991, se cruzaram logo nas oitavas de final. Então dono do título brasileiro, o Corinthians não teve muitas dificuldades para eliminar a Raposa. Neto deu show no Pacaembu, fazendo os três gols na vitória por 3 a 1 sobre a equipe de Evaristo de Macedo, que terminou a noite demitido. E, mesmo no Independência, os alvinegros se deram melhor. Adilson Batista, contra, fez o tento do triunfo por 1 a 0. Na fase seguinte, os corintianos foram eliminados pelo Grêmio.

O confronto ganhou mais peso em 1996. O Corinthians era o atual campeão da Copa do Brasil e o Cruzeiro caminharia para o título daquele ano. Por isso mesmo, a goleada por 4 a 0 no Independência teve tanto simbolismo. Palhinha, Célio Lúcio, Cleison e Nonato comandaram o massacre, em noite de três expulsões, duas delas alvinegras. Já no Pacaembu, a equipe de Eduardo Amorim tentou a resposta, mas não foi além da vitória por 3 a 2. Souza abriu o placar para os paulistas, enquanto Roberto Gaúcho e Marcelo Ramos viraram aos celestes. Já no segundo tempo, nova virada, com Marcelinho Carioca e Edmundo. Dida ainda pegou um pênalti para garantir a tranquilidade cruzeirense.

Por fim, em 1998, a chance da revanche aconteceu nas oitavas de final, em jogo que se repetiria na final do Brasileirão. O Cruzeiro, entretanto, se deu melhor nos embates da Copa do Brasil. Serviço feito já em Minas Gerais, com a vitória por 3 a 1, com dois gols de Bentinho e outro de Marcelo Dijan. Marcelinho Carioca fez o de honra dos alvinegros, em uma belíssima cobrança de falta. No Pacaembu, Mirandinha e Marcelo Ramos balançaram as redes no empate por 1 a 1. O Cruzeiro foi vice-campeão naquele ano, superado na decisão pelo Palmeiras.

https://www.youtube.com/watch?v=1IZUnInhXjU

Internacional x Santos

Treinado por Vanderlei Luxemburgo, o Santos parecia com a vaga nas mãos nas oitavas de final da Copa do Brasil de 1997. Macedo e Robert garantiram uma vitória tranquila por 2 a 0 na Vila Belmiro, que havia passado os nove meses anteriores fechada para a reforma do gramado. Entretanto, o Inter partiu para a pressão no Beira-Rio e deu o troco. O time de Celso Roth também ganhou por 2 a 0, com dois gols de Arílson, em seu retorno após a frustrada passagem pela Alemanha. A decisão acabou nos pênaltis. E, então, preponderou a qualidade do goleiro André, que vivia excelente fase com os colorados. Cotado até mesmo à seleção brasileira na época, o camisa 1 pegou três cobranças. O Inter cairia logo na etapa seguinte, diante do Flamengo.