O Atlético Paranaense representou um momento de virada para o Flamengo. No placar do Maracanã, foi isso o que aconteceu no dia 19 de setembro. O que se desenhava como uma goleada fácil se transformou em uma derrota vexatória dos cariocas, 4 a 2 para o Furacão. Na sequência da partida, o Fla se imergia nas incertezas d Mano Menezes pedir demissão, sob a justificativa de que ‘não tinha conseguido fazer os jogadores entenderem sua filosofia’. Diante da ameaça concreta de rebaixamento, o final de ano se prometia tenso.

Menos de dois meses depois, dá para dizer que uma pequena revolução aconteceu na Gávea. Uma evolução positiva para os rubro-negros. Os comandados que não tinham entendido as ordens de Mano agora se unem sob a calma de Jayme de Almeida. Não foram necessárias inovações táticas para fazer a equipe funcionar. O interino foi bancado pela diretoria e se efetivou a partir da confiança que transmitiu ao elenco. Ouviu a todos, entendeu a todos. Mais eficaz do que qualquer outra fórmula adotada sobre os rubro-negros nos últimos tempos.

Na tabela do Brasileirão, o Flamengo não saltou tantas posições assim. Do 15º lugar depois daquela sentida derrota, chegou ao 10º no último final de semana. Porém, de dois pontos, foi a 12 a salvo da zona de rebaixamento. Enquanto isso, a Copa do Brasil aponta um sucesso que parecia inimaginável nesta temporada. Bastaram três vitórias contundentes, sobre Botafogo e Goiás, para empolgar a torcida com as chances concretas de título. Evolução que terá seu capítulo final contado justamente contra o Atlético Paranaense.

Dentro de sua discrição, Jayme de Almeida surge como o grande líder, o pacificador que trocou as vestes brancas pelo agasalho vermelho e preto. Um velho conhecedor da casa, que lembra Carlinhos pela maneira como trabalha. Aproximou-se dos jogadores para conseguir aquilo que Mano apontara como razão de seu insucesso. Já deve se dar por satisfeito com o que alcançou até aqui, mas não deverá menosprezar a oportunidade de ouro que terá neste fim de novembro. A chance de receber o carinho eterno da torcida rubro-negra.

elias
Da serenidade de Jayme, se originou a truculência das ‘brocadas’ de Hernane, reconhecido como centroavante titular e que deu sua prova de gratidão com a goleada sobre o Botafogo no Maracanã. O talento de Paulinho, notável havia algum tempo, pôde se evidenciar ainda mais com o sucesso do time e impulsionou a vitória sobre o Goiás no Serra Dourada, com uma pintura assinada pela habilidade do garoto.

Nesta quarta, foi a vez de Elias se sobressair. O volante vivia momentos difíceis fora de campo, com seu filho internado em um hospital. Um problema que se refletiu no gramado, com várias atuações ruins daquele que vinha sendo o destaque do time. Ainda assim, o meio-campista era bancado por Jayme. E, depois da alta de seu menino, o alívio foi demonstrado um dia depois, no jogo que confirmou a classificação à final. Elias teve uma atuação esplendorosa. Deu o passe para o primeiro gol, anotou um belíssimo para decretar a virada, comandou as ações ofensivas do Fla, correu o campo todo. A torcida certamente agradeceu pela saúde de Davi.

O final da saga acontece no dia 27 de novembro, no Maracanã. Pelo desempenho no Brasileiro e pela vantagem nos confrontos diretos em 2013, o Atlético tem ligeiro favoritismo na decisão da Copa do Brasil. Algo que parece não incomodar tanto o Flamengo na atual calmaria. Jayme de Almeida indica ter controle total sobre o elenco, o que ajudará a contornar o ‘oba oba’ que costuma se formar no clube em momentos como esse. Um conjunto que vai se sobrepondo às turbulências tão corriqueiras na Gávea e que ainda pode acabar em festa.