Contra o Catania, a Inter protagonizou uma das mais emocionantes viradas de sua história recente. Mais do que isso, em um momento de crise de performance e também nos vestiários, com a briga entre Cassano e Stramaccioni, a equipe reagiu e, com o 3 a 2 conquistado nos acréscimos, mostrou que estava viva. Para isso, a equipe precisou que jogadores experientes colocassem a bola embaixo do braço e chamassem a responsabilidade. No entanto, se a equipe está se renovando, não seriam os jovens que deveriam ter mais destaque?

A resposta é não. Ao menos na Inter, os jogadores mais jovens contratados para dar cabo de uma necessária renovação, que precisava acontecer desde a temporada posterior à conquista da Tríplice Coroa, são coadjuvantes. São o cimento que dá liga a uma construção que se pretende mais sólida do que as realizadas pelos outros técnicos do pós-Mourinho. Quase todos os pilares da equipe são jogadores com mais de 30 anos.

À exceção de Handanovic (28 anos), Ranocchia (25) e Guarín (26), todos os outros jogadores com lugares garantidos entre os titulares tem idade igual ou superior a 30 anos. Nomes como Zanetti (39), Samuel (35), Cambiasso (32), Milito (33), Palacio (31) e Cassano (30), acabam aparecendo como salvadores da pátria e, sobretudo, como uma espécie de escudo para os menos rodados. A mistura entre jogadores mais experientes e ouros mais jovens tem feito bem à Inter. O time vive altos e baixos, mas não dá para dizer que a renovação é falha só porque os jogadores mais novos não são os destaques do elenco. Não depositar esperanças demais em jogadores cuja estrutura emocional ainda não está plenamente desenvolvida pode ser nocivo para seu crescimento. E, por isso, Stramaccioni e a diretoria do clube estão construindo um elenco com idades variadas: um terço formado por jogadores sub-23, outro terço composto por jogadores entre os 23 e os 28 anos e, finalmente, o restante das vagas preenchidas pelos “vovôs”.

Até o momento, a Inter é a equipe que mais lançou jogadores com menos de 20 anos na Serie A nesta temporada. Foram 11 jogadores sub-20, quatro a mais que o Palermo, segundo colocado. Embora a Beneamata tenha proporcionado a estes atletas alguns minutos em campo, apenas Philippe Coutinho e Livaja, que já deixaram o clube, além de Kovacic e Benassi tiveram a chance de começar entre os titulares alguma vez.

Entre os sub-23, considerando os citados, somente Juan e Schelotto também jogaram partidas desde o início – Obi, com problemas físicos, também teria chances de competir por uma vaga. O protagonismo certamente não passa pelos pés dos mais novos. Olhando por outro lado, Kovacic é a grande esperança para o futuro imediato do time, assim como os atacantes Longo e Livaja, o volante Duncan e o goleiro Bardi, que estão emprestados, devem ser aproveitados nos anos seguintes. Sem contar com Laxalt, 20 anos, já contratado e Icardi, também de 20, que deve ser a grande contratação para a próxima temporada nerazzurra. Isto indica que o clube olha, sim, para os jovens, mas não só para jogadores que ainda estão em formação, mas para outros jogadores baratos de faixa etária intermediária – como Andreolli (Chievo), Douglas (Twente) e Jung (Eintracht Frankfurt), possíveis reforços para o ano que virá.

Por enquanto, o protagonismo parte daqueles mais velhos e, de algumas das peças de idade intermediária. Os números são claros: dos 44 gols que a Inter marcou no campeonato, 31 foram feitos pelos jogadores mais experientes (26 deles pelo tridente formado por Cassano, Milito e Palacio). 21 assistências são de veteranos. E, se considerarmos apenas os gols que decidiram as partidas, os veteranos deram à Inter um total de 27 pontos, divididos em oito vitórias e três empates que a Inter teve de buscar.

Contra o Catania, Palacio marcou dois gols e deu duas assistências, mudando o jogo a favor da Inter. A entrada de Stankovic, em seu segundo jogo em 2012-13, foi importante para equilibrar o jogo no meio-campo – embora o sérvio tenha desempenhado um papel psicológico importante na partida. Quem também foi protagonista foi Cambiasso, que substituiu Guarín aos 34 do segundo tempo e, praticamente sozinho, dominou o meio-campo. Quase marcou o gol da vitória, mas fez uma jogadaça e deu o passe para Palacio definir a partida a favor dos milaneses.

A entrada de Cambiasso no lugar de Guarín foi, inclusive, uma lição para o próprio meia colombiano. Ele saiu de campo machucado, mas pode acompanhar a movimentação de seu companheiro em campo e, sobretudo, a sua atitude. Guarín faz parte, juntamente a Handanovic (um dos melhores goleiros da temporada) e Ranocchia (um dos zagueiros com mais interceptações e combates ganhos pelo alto na temporada), do grupo de jogadores de idade intermediária que começam a assumir algum protagonismo na equipe e se preparam para serem os comandantes do time quando a energia dos mais velhos se esgotar. O colombiano foi o grande nome da equipe entre os meses de novembro e janeiro e acabou desenvolvendo uma vontade de decidir as partidas sozinho, com muitos chutes de fora da área.

A experiência de jogadores como Cambiasso e Stankovic certamente será útil para acalmar seus ânimos e fazê-lo amadurecer – não só a Guarín, que demonstra cansaço psicológico, mas aos outros elementos do plantel nerazzurro. Poupados fisicamente e sendo utilizados em momentos cruciais, os veteranos da Inter tem uma função cada vez mais importante na construção de uma forte mentalidade vencedora no elenco – afinal, uma parte destes jogadores esteve na conquista da Tríplice Coroa. Hoje, apenas cinco jogadores do onze habitual da Beneamata estiveram presente na conquista de 2009-10 e o número seguramente deve ser menor na próxima temporada. Restará aos jogadores mostrar que a Inter está no caminho certo e que os planos da direção, de colher frutos em médio prazo, irão se confirmar.

Pallonetto

– E se não fossem aquelas oito primeiras rodadas, Milan? Considerando as 19 rodadas que se seguiram, nenhuma equipe somou mais pontos que o rubro-negro milanês. Em 2013, a equipe está invicta. Se é difícil pensar em scudetto, já que a vantagem da Juventus é de 11 pontos, uma vaga na Liga dos Campeões é objetivo real.

– Enquanto o Milan cresce, o Napoi perde terreno. Muito por causa da queda de produtividade de Cavani, que marcou pela última vez no fim de janeiro – desde então, passou sete jogos sem guardar um golzinho. O Matador precisa descansar para render melhor, mas insiste em jogar.

– No Totti, no party. O capitão da Roma teve atuação impecável no 3 a 1 contra o Genoa e, além de dar duas assistências, marcou um dos gols mais importantes da carreira. Agora, com 225 gols, ele se igualou ao sueco Gunnar Nordahl (ex-Milan e Roma) como segundo maior artilheiro da Serie A em toda a história.

– No Klose, no party. Retrospecto da Lazio desde que o atacante alemão se lesionou é muito ruim: em 7 jogos, 4 derrotas, 2 empates e apenas 1 vitória. E, para o azar dos laziali, ele só deve voltar a jogar na 30ª rodada.

– Sampdoria e Parma fizeram partida de opostos. Em melhor fase, a Sampdoria, que tem a melhor defesa de 2013, fez 1 a 0 chegou à quarta vitória consecutiva em casa (o que não acontecia desde 2010). O Parma, por sua vez, já não vence há dois meses e, se considerássemos apenas este período, seria lanterna do campeonato.

– Seleção Trivela da 27ª rodada: Stekelenburg (Roma); De Sciglio (Milan), Stendardo (Atalanta), Chiellini (Juventus), Pasqual (Fiorentina); Bonaventura (Atalanta), Cambiasso (Inter), Diamanti (Bologna); Palacio (Inter), Pazzini (Milan), Totti (Roma). Técnico: Massimiliano Allegri (Milan).