A Fifa anunciou nesta segunda-feira uma punição ao Athletico Paranaense e ao atacante Rony por irregularidades na transferência do jogador à Arena da Baixada. Segundo a entidade internacional, o atleta chegou ao Furacão quando ainda estava sob contrato com o Albirex Niigata e, por mais que a própria Fifa tenha autorizado o registro em agosto de 2018, o clube japonês recorreu. O Athletico estará proibido de contratar pelo período de duas janelas de transferências, Rony não poderá atuar pelo Palmeiras durante os próximos quatro meses e há a aplicação de uma multa de US$1,3 milhão ao jogador – que os rubro-negros poderão responder em solidariedade.

A decisão da Fifa, todavia, não é definitiva. Em nota oficial, o Athletico garantiu que recorrerá e acionará o Tribunal Arbitral do Esporte. Além disso, os rubro-negros podem tentar um efeito suspensivo até o julgamento do TAS. São recorrentes os episódios de penas aplicadas pela Fifa que acabam ao menos reduzidas pelo TAS, e a própria postura da entidade internacional em liberar Rony de início pode ser usada como argumento pelo Furacão.

À Gazeta do Povo, por outro lado, o advogado do Albirex Niigata apontou que o clube também pode recorrer por avaliar baixo o montante da multa. Em 2017, Rony havia sido emprestado ao clube japonês pelo Cruzeiro. Segundo o Albirex, o jogador também tinha um contrato de três anos assinado para a sequência do período. O atacante não reconhecia tal vínculo e por isso retornou ao Brasil. Após negociações com Botafogo e Corinthians não irem para frente, ele acertou com o Athletico. Rony, que já havia conseguido um parecer da Fifa, recebeu a liberação para atuar pelo Furacão em agosto de 2018.

Ainda não está claro como o período de suspensão será respeitado pelo Athletico Paranaense. A Fifa orientou duas janelas de transferências sem contratação, mas o cenário no Brasil é um pouco diferente, com os prazos para registros de jogadores nacionais e internacionais. Segundo a jornalista Nadja Mauad, em seu blog no Globo Esporte, a CBF irá consultar a Fifa para esclarecer a aplicação. Por causa da pandemia, a primeira janela internacional vai de 20 de julho a 7 de agosto, enquanto a segunda ocorrerá entre 9 de outubro e 9 de novembro. O mais provável é que a Fifa oriente o banimento por um ano, a partir do anúncio.

Ao Athletico Paranaense, caso a punição não sofra reduções, o peso da suspensão é claro. Em um momento no qual o Furacão reconstruía sua equipe e tinha dinheiro em caixa para fazer novas apostas, sem dúvidas, a ausência de contratações pode atrapalhar o processo de reformulação. O elenco segue com lacunas. Mas não que o mercado apresentasse opções tão interessantes, vide alguns reforços questionáveis feitos pelos rubro-negros à reposição. Da mesma forma, a pandemia também muda o contexto. Num período em que os clubes precisam readequar sua realidade, a suspensão pode ter um impacto menor agora.

Para tanto, o Athletico precisará repensar suas estratégias. E uma aposta mais consistente nas categorias de base, como já se faz com frequência na Arena da Baixada, parece válida. Um efeito suspensivo sobre a punição também contribuiria a resolver as urgências o quanto antes, caso o pior dos cenários ocorra, com a proibição ao longo de um ano. Mas, tendo consciência de que este talvez seja o momento de projetar ao médio prazo, o Furacão pode tentar absorver o impacto.

A Rony e ao Palmeiras, a suspensão de quatro meses causa um impacto considerável no futuro próximo. O atacante tendia a ganhar importância com os alviverdes, especialmente diante da iminente venda de Dudu. E a maratona de jogos que o calendário prevê, com as competições se encavalando, certamente exigirá mais do elenco palmeirense – o que talvez demande reforços ou mais espaço a certas peças à disposição. Se voltasse em novembro, ao menos, o jogador poderia participar dos mata-matas da Libertadores e servir de reforço a, possivelmente, um momento importante da equipe.

O Palmeiras também aposta no efeito suspensivo. Ao Globo Esporte, um dos advogados de Rony declarou que o atacante estará disponível para o clássico contra o Corinthians logo na volta do Campeonato Paulista, em 22 de julho. Pensar nos desafios imediatos é o mais natural, diante da possibilidade de redução da punição. De qualquer forma, os clubes precisam traçar estratégias a diferentes cenários – como já deveriam fazer desde o momento em que a queixa do Albirex Niigata poderia se transformar em punição.