Mesmo durante o longo domínio do Bayern de Munique na Bundesliga, o Borussia Mönchengladbach se tornou uma das equipes que melhor souberam como encarar os bávaros. Rivais históricos nos anos 1970, os Potros não se diminuíam diante das estrelas bávaras, independente de suas condições na tabela. Desde 2015, nas sete partidas anteriores, eram três vitórias para cada lado e um empate. Pois neste sábado os alvinegros deram um passo à frente no retrospecto recente, afundando os bávaros na crise. O time de Niko Kovac não vence há quatro partidas, três delas pela Bundesliga. Tomaram uma sova em plena Allianz Arena, com os 3 a 0 aplicados pelo Gladbach, numa atuação controlada e inteligente dos visitantes. Os hexacampeões alemães sequer aparecem na zona de classificação à Liga dos Campeões atualmente.

Não foi um mau início de jogo do Bayern na partida. Os anfitriões dominavam a posse de bola e se postavam no ataque, mas encontraram um adversário muito bem armado na defesa. Yann Sommer chegou até a operar um milagre em cabeçada de Thomas Müller, em lance depois anulado por impedimento. A solidez defensiva foi fundamental para o Gladbach assegurar o resultado, assim como sua precisão no ataque. Suas duas primeiras finalizações terminaram nas redes, abrindo ótima vantagem em apenas 16 minutos. O primeiro gol foi anotado aos 10, por Alassane Pléa. Em boa troca de passes da equipe, o centroavante tabelou com Jonas Hofmann e encarou a marcação de Niklas Süle. Com espaço o suficiente, arriscou o chute da entrada da área e mandou no cantinho de Manuel Neuer. Logo na sequência, a culpa seria de Thiago, que errou uma saída de bola e foi desarmado por Hofmann. O meia logo passou a Lars Stindl e, dentro da área, ele deu um corte seco na marcação antes de emendar às redes.

A diferença instantânea abateu o Bayern. O time de Niko Kovac era completamente infértil, mesmo com 70% de posse de bola. James Rodríguez pouco funcionava ao retornar depois de suas rusgas com o treinador, embora a culpa não fosse apenas dele, em equipe que mal criava lances de perigo. Méritos também do Gladbach, que se defendia com duas linhas de marcação bastante compactas e não dava espaços para os bávaros ameaçarem. Quando os anfitriões tiveram um pouco mais de liberdade, Sommer apareceu para assegurar a vantagem dos Potros.

Kovac veio com duas mudanças logo no início do segundo tempo, sacando Thomas Müller e Arjen Robben para as entradas de Franck Ribéry e Serge Gnabry. Depois, perdeu David Alaba por lesão e precisou apostar em Renato Sanches. De fato, o Bayern era mais sufocante e prendia o Gladbach no seu campo de defesa, com total controle da bola. A abnegação dos Potros, entretanto, valia muito mais para conter a pressão. Outra vez, Robert Lewandowski era encaixotado e pouco conseguia fazer. As chances de gol começaram a aparecer depois dos 15 minutos, faltando um pouco mais de precisão para definir, sempre cruzando a área adversária sem destino. E quando o centroavante finalmente acertou, numa bela finalização após passe de Kimmich, o tento foi anulado por impedimento.

A falta de perspectivas pareceu abater o Bayern de Munique juntamente com o cansaço. O tempo passava, o time insistia, não criava lances claros e o primeiro gol não acontecia. Com o final do jogo se aproximando, o ânimo acabava se desgastando, por mais que o domínio prevalecesse. E a pá de cal veio aos 43, quando o Gladbach anotou o seu terceiro gol. Após escanteio, Christoph Kramer cruzou meio desengonçado e Patrick Herrmann recebeu com liberdade. Dominou na área e venceu Neuer sem maiores problemas. A jogada foi revisada pelo VAR por conta de um leve toque no braço, mas o árbitro não entendeu assim e validou. A ampla diferença servia de símbolo maior do fracasso.

Há alguns anos, o Bayern tinha o sugestivo apelido de “Hollywood FC”, por conta das muitas brigas e egos em seus vestiários. Um dos méritos do trabalho iniciado por Jupp Heynckes nesta década foi contornar esse tipo de entrave. Todavia, as rusgas voltam à tona com Niko Kovac, um treinador de gênio forte que muitas vezes parece se importar mais consigo do que com os protagonistas da equipe. Os atritos começam a ser noticiados, assim como insatisfações pontuais do grupo, seja com a rotação, seja com o hábito da comissão técnica de conversar entre si apenas em croata. E o pior é que os sinais em campo não são bons, em um elenco envelhecido e sem motivação, treinado por um técnico que não possui exatamente um estilo definido ou um currículo que indique a reação. A jornada de Kovac na Baviera parece fadada ao fracasso.

A tabela da Bundesliga, afinal, pressiona o Bayern. Por menos Carlo Ancelotti foi demitido na temporada passada. A equipe atualmente está na quinta colocação, com 13 pontos, já a quatro do líder Borussia Dortmund. Pode cair mais uma posição, caso o RB Leipzig faça sua parte contra o Nuremberg no domingo. O Borussia Mönchengladbach, por outro lado, volta a se candidatar às vagas na Champions. É o vice-líder, com 14 pontos. Os reforços funcionam e o técnico Dieter Hecking já possui um trabalho consolidado. Mostra-se um time para se prestar atenção.