Não importava o que mais acontecesse na noite desta quarta. Tudo além do Beira-Rio estava a esmo. O universo inteiro conspirava em torno do que acontecia no confronto da Copa Libertadores. A predestinação do Internacional vinha saltando aos olhos nas últimas semanas. O suficiente para encerrar a cota de milagres do Atlético Mineiro? Algo que só se descobriria no reencontro das duas equipes, após o eletrizante empate por 2 a 2 no Independência. E quem assistiu ao duelo de Porto Alegre certamente não se arrependeu. Outro jogaço com quatro gols. Mas, desta vez, sem igualdade no placar. O gênio colorado desequilibrou e bateu o Galo por 3 a 1, garantindo a vaga nas semifinais.

A torcida atleticana tem seus motivos para reclamar da arbitragem, questionando um gol anulado de Jemerson e um pênalti não marcado sobre Jô. Não é isso, porém, que tira os méritos do Internacional na partida. Especialmente pelas obras-primas no primeiro tempo e pela maneira como Alisson fechou o gol no segundo, os colorados construíram um excelente resultado. Da mesma maneira como as decisões da arbitragem não impediram o Galo de buscar a classificação. Também foram várias as chances que o time perdeu, enquanto a bola entregada de presente por Dátolo reduziu as esperanças a quase nada após o terceiro gol dos gaúchos. Ainda havia uma dose pequena de “eu acredito”, perdida ao apito final.

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A erupção entre os dois times, assim como já tinha sido em Belo Horizonte, começou logo nos primeiros minutos de jogo. O Atlético Mineiro não se acanhava no Beira-Rio lotado e partia para cima, apostando no jogo aéreo como principal alternativa, além de dificultar a saída de bola dos anfitriões. Mas também se expunha à mobilidade adversária. Um jogo lá e cá que, apesar de poucas chances claras, seguia em ritmo forte. Até a fase iluminada de Valdívia preponderar. Porque se, afinal, este era um jogo que envolvia o universo, nada mais lógico que o gol saísse dos pés do talismã colorado. E um golaço.

Em excelente tabela com Lisandro López, Valdívia demonstrou uma visão como poucos. Percebeu Victor adiantado para emendar um lindo chute da entrada da área para encobrir o goleiro. A velocidade do time de Diego Aguirre abria caminho. O Atlético tentou recuperar o prejuízo logo na sequência, ameaçando a meta de Alisson. O goleiro realizou grande intervenção para desviar o chute de Thiago Ribeiro. E, quando não pôde fazer nada, viu o árbitro marcar falta de ataque para anular o gol de Jemerson. O que poderia ser o empate se transformou na larga vantagem antes do intervalo. D’Alessandro pegou no bico da grande área e emendou um lindo chute no ângulo. Mais uma vez era o algoz de Victor, em uma noite que só reiterava as escritas.

Pois então o natural era esperar por um milagre do Galo? Não aconteceu, mas até deu para desconfiar. Levir Culpi deu outra cara ao time com as entradas de Maicosuel e Giovanni Augusto no segundo tempo. Os atleticanos se portavam de maneira ainda mais agressiva. Paravam na noite inspirada de Alisson, com saídas providenciais do gol. Só que, do outro lado, Victor também respondia ao espalmar falta colocada de Valdivia. Naquele momento, ainda se podia esperar de tudo.

Especialmente quando o Atlético movimentou outra vez o placar, aos 13 minutos. Em grande atuação nos primeiros minutos em campo, Maicosuel fez jogadaça para Lucas Pratto sair na cara do gol e finalmente vencer Alisson. Quatro minutos depois, quase veio mais, em chute do argentino que o goleiro colorado rebateu e, na sobra, Luan esbarrou no travessão. Os mineiros pressionavam o Inter e, mais do que isso, tinham os espaços que queriam para encaixar as jogadas. Mas, dentro da área, Alisson se mantinha soberano, assim como a pontaria nem sempre ajudava. Estava cedo para a vitória cardíaca dos mineiros.

E o sonho do Galo parecia por um triz, vejam só, pela própria sorte. Em uma bola espirrada, Aránguiz quase fez um dos gols mais bizarros já visto em terras sul-americanas, com as pontas dos dedos de Victor evitando o pior. Só que o pesadelo se concretizou apenas quatro minutos depois. Dátolo achou que ainda vestia vermelho e deu de cabeça uma linda assistência para Lisandro López marcar. Praticamente matava os atleticanos, que ainda acreditaram, mas não tinham tanto tempo. O Inter continha o sufoco, enquanto a meta de Alisson parecia abençoada. Nem mesmo quando o goleiro falhava o gol saía. Acabou assim.

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Ao final, preponderou a festa no Beira-Rio. D’Alessandro deu uma prova enorme de seu carisma e de sua idolatria, ao chamar a torcida para apoiar o time durante os acréscimos. Depois, com a classificação já consumada, as luzes do estádio se apagaram para apenas as arquibancadas ficarem iluminadas pelos celulares. Sinal da sintonia dos colorados. Da força que pode continuar empurrando a equipe de Diego Aguirre no torneio continental.

O Atlético Mineiro deixa a Libertadores de cabeça erguida. Reclamações à parte, o Galo fez um grande papel na reta final da fase de grupos e nos dois jogos contra o Inter. Fosse outro o chaveamento, poderia muito bem ter sobrevivido. E é time para ser olhado com cuidado no Campeonato Brasileiro. Enquanto isso, os colorados fizeram por merecer a classificação. Chegam fortalecidos para as quartas de final e, ainda que devam ter todos os cuidados contra o time estrelado por Omar Pérez, pintam como favoritos diante do Independiente Santa Fe. Especialmente quando se mostra que, além do bom futebol, a sorte também está ao lado do Inter.