O Dérbi de Manchester, neste sábado, exibiu imagens grotescas da imbecilidade incansavelmente repetida no futebol: os ataques racistas contra jogadores em campo. As imagens da transmissão mostraram um ignorante imitando macaco no Estádio Etihad, em ato direcionado ao meio-campista Fred – que, atingido por um isqueiro naquele momento, disse que só ficou sabendo do ato racista depois. E a imagem exposta de quão boçal o indivíduo é gerou a resposta contundente do Manchester City: identificação e punição.

Diferentemente do que acontece em outros lugares, o Manchester City sequer esperou para se posicionar. Minutos após a partida, publicou uma nota oficial repudiando o ato e declarando que opera com uma política de “tolerância zero” quanto a qualquer tipo de discriminação. Mais importante que a manifestação, porém, é a consequência dos atos. Felizmente, os Citizens não deixarão barato.

O clube contatou de imediato a polícia da Grande Manchester, para identificar o responsável pelos gestos e imputá-lo criminalmente. Além disso, o clube também apontou seu tipo de pena a qualquer racista em suas arquibancadas: o banimento pelo resto da vida. Os mancunianos agiram sem alarde, sem colocar poréns e sem minimizar o que aconteceu. Foram aos fatos e não precisaram de tempo para agir.

Neste domingo, a polícia anunciou que um homem de 41 anos foi detido por fazer gestos racistas no Estádio Etihad. O suspeito foi identificado através de uma denúncia e permanece sob custódia. O superintendente da polícia agradeceu o apoio dos demais torcedores: “Racismo de qualquer tipo não tem lugar no futebol e na nossa sociedade, espero que esta prisão mostre que estamos tratando o assunto de maneira extremamente séria”. A empresa onde o indivíduo trabalha declarou que não tolera o racismo e avalia as medidas cabíveis.

A atitude do Manchester City, assim como das demais autoridades, é exemplar. E, infelizmente, uma exceção diante da maioria absoluta de casos de racismo registrada no futebol europeu. O que os celestes fazem é a obrigação de todo e qualquer clube: assumir o que aconteceu, responsabilizar as pessoas identificáveis e aplicar as punições cabíveis. O problema é geral, e não só do futebol. Age melhor o futebol quando não minimiza as consequências e corresponde à gravidade da ignorância.