Cinco jogos. Uma amostragem bem pequena para qualquer diagnóstico profundo sobre o Brasileirão, um campeonato quase oito vezes maior que isso. Mas as cinco primeiras rodadas servem de indicativo. E, pelo que se viu até o momento, a Ponte Preta é um time a se observar de perto, até mesmo por sua campanha no Paulistão. Não dá para cravar nada, e seria leviano dizer com o que a Macaca pode fazer, em uma competição que sofrerá ainda influências do calendário esburacado e da janela de transferências. De qualquer maneira, os pontepretanos retornam à Série A com uma equipe bem montada, e que merece respeito dos adversários.

VEJA TAMBÉM: Pelé é apenas um cordeirinho. O problema de verdade é Ronaldo

Ao lado de Sport e Goiás (que se enfrentam nesta quinta), a Ponte é um dos únicos times que permanecem invictos no Brasileiro. Ocupa a segunda colocação, um ponto atrás do Atlético Paranaense. E com resultados bastante expressivos contra os “grandes”. Bateu o São Paulo, arrancou um empate heroico do Grêmio em Porto Alegre e, nesta quarta, atropelou em São Januário: 3 a 0 sobre o Vasco, em um placar que até poderia ser mais elástico.

Obviamente, as circunstâncias estiveram ao lado da Macaca – e bem distantes do Vasco. Em um pênalti mal marcado pela arbitragem, Gilberto desperdiçou a chance do empate, parando em Marcelo Lomba. Já a expulsão do goleiro Jordi, aos 30 do primeiro tempo, abriu o caminho para a vitória elástica dos paulistas. Isso, porém, não impediu que os vascaínos suassem muito em campo. Em vão, diante da atuação inspirada do time treinado por Guto Ferreira.

Mesmo com um elenco modesto, a Ponte compensa com um trabalho coletivo muito forte. O time fecha bem os espaços sem a bola, jogando de maneira compacta. E sobe ao ataque com velocidade, aproveitando bem as pontas e tendo qualidade nos passes. Com um minuto, Diego Oliveira abria o placar no Rio de Janeiro. Tiago Alves ampliou a margem antes do primeiro tempo. Para o substituto Borges dar números finais na etapa complementar. Este, com o auxílio do grande nome do time até aqui: Renato Cajá.

VEJA TAMBÉM: O Cruzeiro tenta se eximir dos próprios erros, mas comete outro ao demitir Marcelo Oliveira

Cajá é um meia rodado, que não deu certo em alguns clubes expressivos do país, mas parece se transformar com a camisa da Ponte. E o próprio sistema de Guto Ferreira beneficia o 10, livre para armar, se aproximar dos companheiros, arriscar a gol e também a recompor a marcação. Ao longo das primeiras cinco rodadas, Renato Cajá anotou três gols (sendo duas pinturas, contra Grêmio e Chapecoense) e divide a artilharia com Diego Souza e Fred. Nesta quarta, passou em branco. Mas carimbou a forquilha em uma ótima cobrança de falta e deu um passe difícil a Borges no terceiro tento. Segundo o site Who Scored, que dá nota aos jogadores baseadas em suas estatísticas, o veterano é o melhor jogador deste início de Brasileirão, entre os líderes também em chutes e chances criadas.

O sistema de jogo da Ponte beneficia um jogador técnico e voluntarioso como Renato Cajá. E o próprio contexto deste início de campanha impulsiona a Macaca. Em meses de marasmo no início do ano, os campineiros se aproveitaram muito bem do Paulistão, fazendo jogos duros contra a maioria dos grandes e sendo eliminados para o Corinthians nos mata-matas, com fortes queixas sobre o árbitro. Enquanto isso, muitos dos clubes de mais peso se enroscavam nas próprias pernas, demitiam técnicos a rodo e iniciavam a campanha já sob crise. E os exemplos disso não cabem nos dedos de uma mão – Grêmio, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, São Paulo, Corinthians, Vasco…

Por isso mesmo, nem é tão surpreendente assim que Goiás, Sport e a própria Ponte Preta larguem na frente – o Atlético Paranaense, após ir mal no estadual e se beneficiar um pouco da tabela até aqui, é um caso a parte. Enquanto isso, o único dos “grandes” a apresentar um pouco mais de consistência é o Atlético Mineiro – em crescente desde o fim da fase de grupos da Libertadores e com um bom elenco. São Paulo, Grêmio e Fluminense, ainda que mais próximos na tabela, oscilaram bem mais que o time principal do Galo, quando em campo.

VEJA TAMBÉM: Os 35 anos da final que eternizou o Fla de Zico e o Galo de Reinaldo

Independente disso, ainda há muito por rolar. É cedo para lançar mão de qualquer favoritismo. Só que, além dos pontos na tabela, as equipes já no embalo têm uma vantagem notória sobre os demais: enquanto os outros se adaptam a novas filosofias dos técnicos, elas já têm entrosamento e apresentam mais virtudes coletivas. O que explica o bom desempenho da Ponte Preta, brilhando também pela fase iluminada de seu camisa 10. Para um time que acabou de subir da Série B, a arrancada já indica a tranquilidade de não ter que brigar contra o descenso logo de cara. E, dependendo da regularidade nas 33 rodadas restantes, dá até para sonhar mais alto.