A personalidade de Elias fez a diferença no acesso e também na hora da entrevista

Aos 21 anos, o goleiro se destaca no Juventude desde o ano passado e mostra não sentir o peso das responsabilidades

Aos 21 anos, uma noite que vale a idolatria de toda a torcida. Apesar da pouca idade, o goleiro Elias teve uma personalidade imensa neste domingo, ao encarar a pressão dos quase 64 mil presentes no Castelão. Não foi o grito da multidão, a potência de Pio ou o oportunismo de Anselmo que conseguiram superar o camisa 1. Tudo bem, o arqueiro tomou um gol no empate por 1 a 1 com o Fortaleza. Mas se não aconteceu a virada que todos nas arquibancadas esperavam, a culpa foi do jovem. Elias realizou pelo menos cinco defesas difíceis durante o jogo do acesso na Série C. Terminou a partida como o melhor em campo, com sobras, e o herói na volta à segunda divisão.

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Elias assumiu a meta no Papo durante a Série C de 2015, já com uma responsabilidade imensa. Às vésperas de completar 20 anos, o novato substituía o ídolo Diego, vendido ao futebol português. Como reposição, a diretoria buscou outro goleiro experiente, contratando Galatto. O veterano, todavia, esquentou o banco da promessa, que não saiu mais do time titular. No início deste ano, esteve entre os melhores de sua posição no Campeonato Gaúcho. E já tinha chamado atenção diante do São Paulo na Copa do Brasil, especialmente depois do jogo: deu a volta no Alfredo Jaconi com a bandeira do Rio Grande do Sul.

Sob as traves, Elias combina um ótimo tempo de reação, elasticidade e confiança no jogo com os pés. Já a frieza tão necessária aos goleiros, e que sobrou no Castelão, não acompanha a sua personalidade sempre. Prova disso veio em sua entrevista na saída de campo, ao vivo, após o triunfo no Ceará: “Queria fazer uma pergunta àqueles torcedores babacas do Fortaleza que foram soltar foguete no hotel ontem à noite: se sobrou algum foguete, dá pra gente, que a gente vai usar lá em Caxias, beleza?”. Pelo talento e pela coragem, talvez não fique no Juventude por tanto tempo.