Seria absolutamente compreensível – até esperado, aliás – que Bas Dost quisesse deixar o Sporting nesta janela de transferências. Primeiramente, porque sua agressão foi a que mais impressionou, na violenta invasão de alguns torcedores do clube de Lisboa ao centro de treinamentos de Alcochete, em maio passado: o atacante holandês foi golpeado na cabeça, e chegou a ser chutado pelos invasores. Depois, porque exatamente por isso ele pedira a rescisão de contrato. Finalmente, porque vários de seus colegas decidiram que aquele havia sido o ponto final nos Leões – caso de Rui Patrício, já no Wolverhampton. No entanto, este sábado mostrou uma surpresa: o Sporting anunciou que Dost fica no clube, fazendo um novo contrato por mais três anos.

Tal permanência deixa pensando quais serão as reações, em caso de nova queda de produção sportinguista, como na reta final da temporada passada. Pelo menos por enquanto, os adeptos leoninos receberam bem a novidade: se a minoria se impressionou com suposta “falta de brio” de Dost, a maioria dos torcedores celebrou o fato dele manter fidelidade, mesmo após fato tão traumático. De fato, o atacante mostrou disposição para deixar o episódio no passado, na entrevista de (re)apresentação: “O ataque a Alcochete foi muito ruim, mas não quero mais pensar nisso. O futuro é o caminho”.

Neste princípio, por incrível que pareça, a permanência de Dost é natural. Primeiro, porque, após a rescisão de contrato, ele não encontrara outro clube, e nem era falado como alvo imediato de contratações. Segundo, porque seria mesmo difícil para o atacante encontrar outra equipe em que fosse tão claramente o centro das jogadas de ataque quanto o Sporting. Sua dificuldade em jogar sem ser o “homem de referência” está clara a ponto de ter sido a razão de seu pedido de ausência das convocações da seleção holandesa, em março passado: tendo de se movimentar mais no modo como Ronald Koeman pensa o esquema da Laranja, atuou mal no amistoso contra a Inglaterra, foi eclipsado pela voluntariedade maior de Ryan Babel e Wout Weghorst… e para evitar tal desgaste, preferiu deixar definitivamente a seleção.

Pois é: parece contraditório, mas se a saída do Sporting seria compreensível, no fim das contas, decidir ficar no clube também o é, vistas as opções que Dost (não) tem. A ver como se sairá, nesta fase do time sob o novo comando de José Peseiro.


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