O uso da revisão de vídeo no futebol tem uma diferença fundamental em relação a outros esportes. No tênis, na NFL ou na NBA, por exemplo, as equipes podem desafiar as decisões da arbitragem quando acharem que estão sendo prejudicadas. No futebol, fica sempre a critério da equipe do apito, dentro dos parâmetros estabelecidos pela International Football, a guardiã das regras do jogo (gols, pênaltis, cartões vermelhos e confusão de identidade). A Itália, no entanto, se colocou à disposição da Fifa para testar a inclusão de desafios nesse protocolo.

A Federação Italiana emitiu um comunicado lembrando que foi cobaia de testes offline antes da adoção do VAR pela IFAB e que, com o mesmo “desejo de inovar” e “espírito de serviço”, “antecipou informalmente” à Fifa que está disponível para “experimentar o uso de challenges (o pedido por revisão em campo por parte das equipes) no cronograma e nos moldes que a IFAB eventualmente estabelecer”.

A entidade informou que o fez interpretando os pedidos de “vários clubes da Serie A nas últimas semanas”, que, segundo a agência de notícias ANSA, estão incomodados com uma série de decisões controversas no Campeonato Italiano em que o árbitro não pediu ajuda ao VAR. Ou seja, querem ser capazes de levar o apitador ao monitor quando sentirem que uma decisão que lhes prejudica foi tomada sem a revisão de campo.

Atendendo à mesma demanda, a Federação Italiana pediu ao chefe de arbitragem da Serie A, Nicola Rizzoli, que oriente os árbitros a intensificarem o uso dos monitores “em casos controversos que estejam no escopo do protocolo internacional, para evitar alimentar controvérsias instrumentais que afetem a imagem da nossa liga, que está se preparando para a fase crucial da temporada”.

Em novembro, o Telegraph informou que os clubes da Premier League discutiriam se deveriam dar aos treinadores o direito de apelar contra decisões da arbitragem, o que motivou uma reação imediata de repúdio da IFAB à ideia, o que não é muito animador às pretensões italianas.

“Quando o protocolo é aplicado adequadamente, não há necessidade para treinadores desafiarem os árbitros porque o VAR vê mais por ter acesso a todas as imagens. Não pode ser uma solução permitir que os treinadores desafiam decisões da arbitragem durante uma partida. Os desafios podem ser usados de maneira equivocada taticamente e isso não é uma solução. Interromperia o jogo e acrescentaria mais pressão aos árbitros. Não pode acontecer”, disse o secretário da IFAB, Lukas Brud, à Sky Sports.