Trabalhar com futebol é legal, mas tem alguns assuntos que cansam. Cansam porque a sensação é de não sair do lugar, cansam porque os sinais de melhora são mínimos, cansam porque a própria discussão costuma ser mais intransigente do que propositiva. E é difícil encontrar um tema mais cansativo do que a arbitragem. Falar sobre o trabalho dos árbitros é incontornável, o resultado dos jogos depende disso, obviamente. Mas é impressionante a maneira como a questão atravanca o futebol brasileiro. A última rodada do Campeonato Brasileira antes da Copa América é exemplar. São poucos os torcedores que não estão irritados com alguma marcação.

O VAR, de fato, veio para ajudar. É inegável que o recurso pode facilitar o trabalho, diminuindo o número de erros. Porém, a arbitragem brasileira parece se esforçar para o desgaste do recurso. Benéfico tantas vezes, o vídeo também tornou alguns resultados ainda mais contestáveis. E não necessariamente por culpa da tecnologia, mas pela maneira como ela foi conduzida.

O VAR não anula as discussões em um esporte com tantas decisões subjetivas, isso está bem claro. Pelo contrário, ele deixa os erros mais expostos e também aprofunda os debates sobre algumas determinações da regra. Muitas vezes, a condução dos árbitros é acertada dentro das instruções, mas, em compensação, indicam como a regra é frágil e pouco prática à dinâmica do esporte. Esse ponto é importante para uma constante adaptação. Só que termina ruindo quando as arbitragens são tão titubeantes.

Daria para fazer uma lista longa de problemas da arbitragem na rodada do Brasileirão. Seria inútil e só alimentaria o assunto cansativo. Por isso, serei curto e grosso. Há algumas urgências para se analisar nos processos da arbitragem neste Brasileirão. A pausa à Copa América, de certa maneira, é um oportuno momento ao aprimoramento.

1- Diminuir o tempo de revisão. É incompreensível a maneira como lances simples demoram tanto para serem analisados;

2- Deixar os processos claros. A CBF precisa exibir na televisão e nos estádios o que a tecnologia indicou, sobretudo em lances objetivos. Também ser didática para explicar como os mecanismos funcionam. Se os áudios não podem ser abertos, como a entidade gostaria, não há motivos para as análises não integrarem o sistema de imagens repassado ao público;

3- Trabalhar a convicção dos árbitros. O VAR não pode ser uma muleta e terminar acionado para qualquer tipo de lance. Há um medo de errar com a tecnologia, o que torna a tomada de decisões dentro de campo mais lenta e menos confiante. É preciso de respaldo e também de uma comunicação mais ágil, como se aperfeiçoou na Copa de 2018. E respeitar o protocolo da Fifa é fundamental;

4- Os clubes precisam agir em prol da melhoria. Não adianta ser pelego político da CBF e dar uma de revoltado quando alguma decisão contestável acontece. Por mais que continue a impressão de que alguns times são mais beneficiados do que outros, a questão é bem mais ampla. Se não houver uma cooperação, a tabela vai ser uma coleção de asteriscos por resultados impugnados;

5- Os jogadores têm que contribuir. O VAR virou um motivo de indignação, não um caminho para se ter certeza, como deveria ser. E as próprias atitudes dos atletas em campo parecem influenciar em alguns dos problemas, o que não se nota tanto em outras ligas. É uma fagulha a outros entraves, que induzem à má condução e criam uma bola de neve.

Óbvio, o VAR é relativamente superficial. Antes de tudo, é necessária uma preparação melhor, bem como um tratamento mais profissional dos árbitros. São eles os agentes que utilizam a ferramenta, e pouco adianta quando não estão devidamente preparados. Além do mais, a arrogância de alguns apitadores não auxilia nessa relação que precisa ser franca e aberta. Porém, enquanto a base do trabalho não gera resultados satisfatórios, é preciso aparar as arestas no que está ao alcance. No momento, o VAR é um paliativo à arbitragem brasileira, mas fica a impressão de se transformar em uma barreira diante de tantos problemas no processo.