A grande atuação da carreira de Georginio Wijnaldum se resumiu a 45 minutos. O meio-campista saiu do banco para mudar a história daquele sensacional Liverpool 4×0 Barcelona, que tanto valeu para os Reds reconquistarem a Europa. Quatro meses depois, Wijnaldum viveu também sua melhor exibição pela seleção da Holanda. E, de novo, o segundo tempo impecável do camisa 8 transformou a história do jogo. O peso das Eliminatórias da Euro é bem menor, não há discussão sobre isso. No entanto, o meia comandou uma vitória simbólica a seu país. O triunfo por 4 a 2 sobre a Alemanha, em Hamburgo, reforça o bom momento da atual geração holandesa e sublinhou como o Gini está entre os principais nomes deste grupo.

Wijnaldum estreou na seleção da Holanda faz um bom tempo. Quando ainda era uma promessa do Feyenoord, o meio-campista entrou em campo durante uma goleada sobre San Marino em 2011. Tinha apenas 20 anos e demorou um pouco mais para se firmar com a Oranje, até por sua importância no time sub-21 que disputou o Campeonato Europeu da categoria em 2013. Somente às vésperas da Copa do Mundo de 2014 é que Gini ganhou sequência na equipe de cima. Conquistou também a confiança de Louis van Gaal e virou titular nos mata-matas daquele Mundial. Como volante, deu mais estabilidade ao meio-campo holandês e foi um útil coadjuvante na ótima campanha vivida no Brasil. Até anotou um dos gols contra os donos da casa na decisão do terceiro lugar, seu primeiro tento pela seleção.

Se a Copa valeu a notoriedade de Wijnaldum com a camisa laranja, o meio-campista demorou um pouco mais para se colocar como um protagonista da Holanda. A seleção, afinal, enfrentou um de seus momentos mais difíceis. Apesar de gols importantes, o camisa 8 não conseguiu salvar a caminhada rompida rumo à Euro 2016. E não seria suficiente também para classificar os holandeses à Copa do Mundo de 2018. O recomeço da Oranje, no fim das contas, se combinou com a ascensão de Gini pelo Liverpool. E, desde sua chegada, Ronald Koeman se aproveita bem do dínamo que tem em mãos.

Wijnaldum foi um dos principais jogadores da Holanda na Liga das Nações. Algumas das melhores atuações da Holanda passaram por seus pés. Anotou gols nas vitórias contra Alemanha e França durante a fase de grupos, mais avançado, como um meia de ligação. A velocidade e a capacidade de finalização contribuem ao camisa 8, especialmente em uma equipe carente de atacantes. E não era uma função exatamente nova, considerando a maneira ofensiva como jogava no início de sua carreira. Essa produtividade seguiu alta no começo das Eliminatórias da Euro. Nas duas primeiras rodadas, Gini havia balançado as redes uma vez e dera duas assistências. Até a grandiosa atuação contra a Alemanha em Hamburgo.

Durante o primeiro tempo, pouco Wijnaldum contribuiu à apresentação morna da Holanda. O time rodava a bola em excesso e não rompia a defesa alemã. Um pouco mais preso, o camisa 8 teve participação tímida. As mudanças realizadas por Ronald Koeman na etapa complementar, com a entrada de Davy Pröpper na cabeça de área, foram essenciais para liberar o monstro. Além da ótima participação de Donyell Malen, o camisa 8 até parecia um reforço no segundo tempo do Volksparkstadion. Conduzia o time com seus avanços em velocidade e a capacidade para quebrar as linhas de marcação.

Koeman conta com interessantes combinações ao seu meio-campo. Se Frenkie de Jong possui uma imensa capacidade de ditar o ritmo de jogo, Wijnaldum é o cara que quase sempre vai para cima da defesa. Foi exatamente o que funcionou contra os alemães. Seus avanços arrebentaram com a proteção na cabeça de área e ele também expôs a linha defensiva com suas infiltrações. A intensidade da Holanda na meia hora final se deveu bastante à atitude do meio-campista. Exigiu grande defesa de Neuer, deu a assistência para o gol de Malen e seria premiado com o gol que fechou a vitória. Ele foi o grande nome da virada.

De uma seleção que parecia afundada há pouco tempo, a Holanda volta a se colocar entre as principais equipes da Europa. A vitória sobre a Alemanha possui esse peso, somando-se ao que aconteceu na Liga das Nações. O trabalho de Koeman é fundamental a esse reerguimento. Mas também ajuda o momento de diversos jogadores, entre aqueles que despontaram e outros que renasceram. Gini está entre estes e, aos 28 anos, se firma como uma referência da seleção.