A onda de treinadores portugueses se espalhou para a América do Sul. O sucesso de Jorge Jesus levou a outros portugueses virem para o Brasil, como o técnico do Avaí, Augusto Inácio, e também Jesualdo Ferreira, treinador de renome que assumiu o Santos no lugar de outro estrangeiro, Jorge Sampaoli. A onda de treinadores estrangeiros fez o Atlético Mineiro procurar por Rafael Dudamel, técnico da seleção da Venezuela. Para o seu lugar, a Federação Venezuelana de Futebol (FVF) anunciou um português: José Peseiro, de 59 anos. Será o segundo técnico português entre as seleções sul-americanas, depois de Carlos Queiroz, que dirige a Colômbia.

Peseiro é um nome bastante conhecido em Portugal. Foi jogador de futebol, sem muito destaque, de 1979 a 1994. Ao se aposentar no União Santarém, começou por lá mesmo a sua carreira como treinador. Na temporada 2003/04, trabalhou com Carlos Queiroz como assistente, no tempo que o compatriota era o técnico do Real Madrid.

Depois disso, assumiu o Sporting para a temporada 2004/05. Terminou aquela temporada em terceiro lugar, apenas quatro pontos atrás do Benfica, que ficaria com o título. Mas foi na Copa da Uefa que o time brilhou. Em uma campanha marcante, eliminou times como Feyenoord, Middlesbrough e Newcastle e chegou à final da competição. Curiosamente, a final estava prevista justamente para a casa do time, o estádio José Alvalade. E apesar de ter começado vencendo por 1 a 0, acabou tomando a virada do CSKA Moscou de Vagner Love e Daniel Carvalho e perdeu por 3 a 1.

Trabalhou no Leste Europeu, no Panathinaikos, da Grécia, e no Rapid Bucareste, da Romênia, além do Al-Hihal, da Arábia Saudita. Peseiro já teve uma experiência com seleções. Dirigiu a Arábia Saudita de 2009 a 2011, mas não conseguiu classificar os sauditas para a Copa do Mundo de 2010.

Em 2012, voltou a Portugal para comandar o Braga e conseguiu ter sucesso, com a conquista da Taça da Liga em 2012/13. Foi sondado pelo São Paulo em 2015, mas o clube paulista optou pela contratação do colombiano José Carlos Osorio. Dirigiria ainda o Wl Wahda, também da Arábia Saudita, o Al Ahly, do Egito, e voltou a Portugal para assumir o Porto em janeiro de 2016. Ficou só até maio e saiu. Voltou ao Braga, onde ficou mais seis meses.

Em 2017, dirigiu o Al-Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos, de janeiro a outubro. Voltou a Portugal para dirigir o Vitória de Guimarães por mais um período curto, menos de três meses. Também ficou um período curto no Sporting, no seu retorno ao clube, de julho a novembro de 2018. Foi o seu último trabalho. Depois de ficar sem trabalhar em 2019, chega à Venezuela para uma missão difícil. A seleção vinotinto é a única da América do Sul a nunca ter disputado uma Copa do Mundo.

Peseiro gosta de armar times ofensivos, mas não conseguiu ter sucesso nos seus últimos trabalhos. A Venezuela chegou a fazer proposta por Jorge Sampaoli, que não aceitou. O nome de Diego armando Maradona foi especulado, mas não houve proposta. A escolha do governo do país – que interfere na federação, embora isso seja proibido pela Fifa – foi por Peseiro como treinador da equipe.

Há a expectativa que Peseiro possa recuperar um estilo de jogo perdido pela Venezuela. Richard Paéz comandou a seleção venezuelana de 2001 a 2007 e tinha um estilo de jogo que se caracterizava por ser mais ofensivo. Mesmo que o time sofresse em alguns momentos contra seleções mais fortes, foi um tipo de futebol que agradou mais os torcedores do país. Foi com ele que o time chegou a vencer o Uruguai por 3 a 0 em pleno estádio Centenário. Foi com ele que a seleção conseguiu a sua melhor posição no ranking da Fifa, em 48º, em abril de 2004.

Depois de Paéz, a Venezuela teve César Farías, que implantou um estilo de jogo mais defensivo. Noel Sanvicente teve uma passagem curta, em que tentou fazer o time jogar mais. Com Rafael Dudamel, o estilo de jogo mais defensivo voltou. O time também conseguiu alguns bons resultados, mas sem passar perto de uma vaga para a Copa do Mundo. Peseiro, então, terá a missão de tentar fazer o país ter um time que seja capaz de disputar uma vaga entre os cinco primeiros – ir para a repescagem, para um país como a Venezuela, já seria motivo de festa.

Seu trabalho começa já em março, com o início das Eliminatórias da Copa. No dia 26 de março, a Venezuela estreia contra a Colômbia, fora de casa. No dia 31 de março, volta a campo, desta vez em casa, em Mérida, contra o Paraguai. Em junho, a seleção vinotinto participa da Copa América 2020 e estará no grupo B, o mesmo do Brasil e da anfitriã Colômbia, além de Catar, Equador e Peru.