A disputa pelo título da Premier League se desenhou antes mesmo de seu pontapé inicial. Manchester United, Manchester City e Chelsea eram apontados como favoritos em boa parte das prévias sobre a competição e vão cumprindo os prognósticos. O trio se alterna nas primeiras colocações desde o início de outubro, mantendo ao menos quatro pontos de vantagem para o restante dos adversários há quatro rodadas. Um grupo dominante bem definido, que contrasta com a diversidade do segundo pelotão.

Ao longo das últimas temporadas, a EPL se caracterizou pelo abismo entre os clubes que almejavam uma vaga na Liga dos Campeões e aqueles que buscavam o conforto da metade superior da tabela. Em quatro das últimas cinco edições do torneio, quarto colocado e oitavo estiveram separados por pelo menos 17 pontos – uma distância quilométrica de seis vitórias. Esta foi, por exemplo, a diferença entre Tottenham e Liverpool em 2011/12.

Além disso, o grupo de clubes classificados à LC sofreu pouquíssimas variações desde que a Inglaterra ganhou mais de um lugar para o torneio continental. Apenas nove equipes conquistaram as 57 vagas oferecidas desde 1996/97, sendo que 49 delas foram distribuídas entre Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester United – com aparições esporádicas, Everton, Leeds, Manchester City, Newcastle e Tottenham completam a seleta lista.

Entretanto, as primeiras rodadas de 2012/13 indicam uma disputa acirrada pelo último posto no Top Four: somente quatro pontos separam o quarto e o nono colocado. Enquanto Tottenham e Liverpool se adaptam aos novos comandantes e o Arsenal não encontra uma referência em campo, outras equipes se candidatam ao topo da tabela. Ainda é cedo para cravar se alguns irão manter o fôlego nas 27 partidas restantes, mas a demonstração inicial é de que a briga está aberta.

A maior mostra de força até aqui vem sendo dada pelo Everton. Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, David Moyes foi às compras na pré-temporada e reforçou uma base que já vinha embalada do primeiro semestre de 2012, admitindo posteriormente que conta com o melhor elenco desde que chegou ao clube. E a estreia com vitória sobre o United foi o primeiro bom presságio sobre a capacidade dos Toffees. Embora tenha cedido alguns empates por desleixo, a equipe só sofreu uma derrota em 11 jogos e tem impressionado pela capacidade ofensiva.

Marouane Fellaini é o pivô da boa fase. O belga se reinventou como elo entre meio de campo e ataque no 4-4-1-1 de Moyes, aliando técnica e capacidade física na função. Ao seu lado, Leighton Baines e Phil Jagielka mantêm a eficiência dos últimos anos, enquanto Kevin Mirallas se encaixou perfeitamente pelo lado direito. A prova de fogo para o clube deverá acontecer a partir do fim de novembro, quando recebe Arsenal e Tottenham no Goodison Park, além de enfrentar o Manchester City no Etihad Stadium. Uma sequência que pode solidificar a posição dos Toffees entre os primeiros colocados.

Mais surpreendente ainda é o  desempenho registrado pelo West Bromwich, quinto colocado. Os Baggies não sentiram a saída de Roy Hodgson e parecem mais centrados sob o comando de Steve Clarke, tarimbado por passagens como assistente em Chelsea, West Ham e Liverpool e que vai superando as expectativas como técnico. O potencial do elenco é comprovado, sobretudo, em The Hawthorns: são cinco vitórias em seis jogos como mandante, incluindo Everton e Liverpool entre as vítimas.

O clube colhe os frutos de um mercado de transferências bem feito. O West Brom foi o time que menos gastou com contratações, empregando € 4,4 milhões apenas pela permanência do goleiro Ben Forster. Trazidos sem custos, Claudio Yacob e Romelu Lukaku incrementaram a consistente base que foi mantida, na qual brilham James Morrison e Peter Odemwingie – pechinchas de verões anteriores.

Já o West Ham vem beneficiado pela proposta de jogo arraigada de Sam Allardyce, algo que faltou a Reading e Southampton na transição entre primeira e segunda divisão. Obviamente, a adição de jogadores como Matt Jarvis e Andy Carroll ajudou a potencializar a capacidade do time em explorar o jogo aéreo e os avanços pelas laterais. Além disso, os londrinos também se apoiam na boa fase de Jussi Jaaskelainen e Kevin Nolan. Resta saber se o clube suportará a sequência final do primeiro turno, que inclui United, Chelsea, entre outras pedreiras.

E, na mesma toada, o Fulham se mostra disposto a ir além do meio da tabela, como de costume nas últimas campanhas. Martin Jol investiu pesado no ataque durante a pré-temporada e o crescimento do setor é evidente, com a segunda maior média de gols e o melhor aproveitamento nas finalizações da EPL – Berbatov, com cinco gols e três assistências, é a estrela da companhia. O desafio dos Cottagers é encontrar um equilíbrio defensivo, que não ceda tão rapidamente as vantagens conquistadas no placar, situação repetida algumas vezes nos últimos jogos.

Além do quarteto citado, o Newcastle também tem qualidade para almejar a vaga na Liga dos Campeões, embora falte uma prova de força nesta temporada. Pelas opções disponíveis no elenco, Arsenal e Tottenham têm condições suficientes de engrenarem boas sequências e se distanciarem do pelotão intermediário assim que superarem as turbulências recentes – o Liverpool, que vai se adaptando à filosofia de Brendan Rodgers, poderá ter maiores a partir de suas movimentações em janeiro. Mas enquanto nenhum gigante encontra os prumos, a ascensão parece palpável a quem tiver capacidade para manter a regularidade na sequência da temporada.