O melhor termômetro à atuação de um jogador é a reação da torcida durante sua substituição. Na noite desta quinta-feira, quando o número 11 subiu na lateral do campo no Maracanã, Vitinho recebeu a melhor avaliação desde que chegou ao Flamengo. Manquitolando, o ponta ouvia os aplausos rasgados da massa rubro-negra, que reconhecia seu esforço e (principalmente) sua exibição de gala. Um golaço do jovem desamarrou a partida contra o Atlético Mineiro, encaminhou o triunfo por 3 a 1 e encurtou em três pontos o caminho do Fla rumo ao título do Brasileirão. Daqueles resultados que parecem referendar uma equipe destinada a se firmar no topo.

Vitinho, afinal, é mais um sinal da predestinação do Flamengo neste momento. Foi o herói redimido. Desde sua contratação, o atacante ficou devendo atuações que justificassem os milhões desembolsados pelo clube. O camisa 11 não era só decepção, mas parecia distante de representar o investimento feito pelo Flamengo em seu futebol. Não à toa, sua condição como reserva nem era questionada. A lesão de Arrascaeta, porém, providenciou ao ponta uma chance entre os titulares. Depois de já oferecer a assistência na vitória sobre a Chapecoense, passaria a integrar de vez a lista de jogadores que se reergueram com Jorge Jesus.

A partida contra o Atlético era dominada pelo Flamengo desde o início, mas longe de ser simples. A zaga mineira parecia trancada a sete chaves e o primeiro gol insistia em não sair. Apesar das ausências de Gabigol e De Arrascaeta, os rubro-negros não sentiam tanta falta de seus destaques. Mantinham uma enorme imposição, regida por Gerson e Everton Ribeiro. Já Vitinho aparecia elétrico como nunca, participativo. Faltava ao Fla mandar a bola para dentro, diante de tamanha posse de bola. Quando não era a zaga do Galo que cortava, o goleiro Wilson também realizava boas defesas.

O grito de gol só saiu aos 36 minutos. Vitinho cobrou escanteio e William Arão desviou no primeiro pau, premiando sua exibição. Os méritos do Flamengo eram óbvios e o Atlético reconhecia os seus problemas, mal se aproximando da área adversária. Entretanto, os rubro-negros teriam os seus nervos testados na volta ao segundo tempo. Vitinho, justamente ele, deu um passe errado no meio-campo. O Galo armou o contra-ataque e Vinícius passou a Nathan na entrada da área. O garoto fez ótima jogada, ao se livrar da marcação e driblar Diego Alves antes de mandar às redes. Com o empate, o Fla precisaria provar o seu poder de reação.

A partida parecia ficar um pouco mais nervosa. O Flamengo não exibia um futebol tão intenso quanto no primeiro tempo. Foi quando Vitinho chamou o jogo para si e protagonizou um lance que marca sua história no clube até o momento. Arrancando pela esquerda, o ponta fintou o primeiro marcador e pedalou para cima do segundo, antes de dar um tapa no canto de Wilson. Golaço daquele atacante talentoso que tinham prometido na Gávea, mas ainda não aparecera por completo. Vitinho se apresentou.

Depois desse gol, com seus ares improváveis e fantásticos, bateu uma certeza aos flamenguistas de que a vitória viria. A margem seguiu mínima, mas o time criava e buscava o terceiro tento. Wilson fez outra ótima defesa em chute de Bruno Henrique. Já aos 30, a festa desatou com Reinier, que cumpriu sua missão ao suplantar Gabigol. Depois do cochilo da zaga, Vitinho ajeitou de cabeça e a promessa não perdoou. Na reta final do jogo, a alegria dos rubro-negros seria representada pelas luzes dos celulares no Maracanã. E o ápice do espetáculo veio no reconhecimento ao protagonista da noite. Vitinho sentiu e caiu, mas pôde desfrutar uma dose de idolatria enquanto caminhava vagarosamente ao banco. Antes do apito derradeiro, coros de “Mister” também homenagearam Jorge Jesus.

A vitória do Flamengo misturou autoridade e um pingo de magia. O Atlético Mineiro preferiu jogar na defesa e só ameaçou no instante em que explorou um erro. Mas, unhas roídas à parte, a supremacia dos rubro-negros foi indiscutível. Muita gente se destacou, sem que ninguém superasse a apoteose de Vitinho. Ao final da rodada, Fla chega aos 55 pontos, com oito de vantagem sobre Santos e Palmeiras. A confiança sobre o título nunca foi tão grande. Já o Atlético Mineiro, em mau momento, aparece em 11° com 31 pontos. Desta vez, contudo, a inoperância do Galo é compreensível. Quando até Vitinho transforma as críticas ao seu redor em ovação, resta aceitar a grandeza do que faz o Flamengo.

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