O Campeonato Brasileiro iniciou sua contagem regressiva. O número de rodadas restantes se contam com os dedos de uma só mão. Aqueles por vezes estalados, outras roídos, diante da tensão que se amplia a algumas torcidas. E, calculadora em mãos, estes torcedores esperam que os dedos já não sejam suficientes para contar os pontos somados por seus times nesta reta final agonizante. A briga contra o rebaixamento é a mais acirrada da Série A, novamente. Nesta quarta-feira, ela ofereceu quatro diferentes dramas, cada um à sua maneira. Cada um para fazer o desespero bater mais forte à maioria dos envolvidos.

A surpreendente vitória da Chapecoense sobre o Santos na segunda-feira se tornou um prólogo do filme de suspense que se desenrolou nesta noite sufocante pelo Brasil. A começar por aquilo que ocorreu em São Januário. O Vasco parecia pronto a arrancar um triunfo difícil. Com as arquibancadas em ebulição, os cruzmaltinos encaravam as dificuldades. Viam o goleiro Santos fazer boas defesas, enquanto gastaram duas substituições ainda no primeiro tempo. A vitória maiúscula sobre o Atlético Paranaense se desenhou na segunda etapa, graças ao pênalti convertido por Thiago Galhardo. Contudo, o esforço seria em vão. Extenuados, os vascaínos se limitaram a defender nos minutos finais. Como já havia acontecido contra o Grêmio, acabaram punidos por um gol nos acréscimos. O anticlímax. Em lance brigado, Léo Pereira determinou o empate por 1 a 1.

Horas depois, o épico seria enorme na Fonte Nova. Bahia e Ceará faziam confronto direto entre ameaçados. E o Vozão quase aprontou. Logo aos sete minutos, Calyson abriu o placar aos visitantes, que até então tomavam pressão do Tricolor. Os baianos, ainda assim, não mudaram a sua postura e colheram os frutos pouco antes do intervalo. Elton cruzou e Zé Rafael acertou uma bonita cabeçada, que valeu o empate. O camisa 10 encerrou seu jejum de gols em um momento tão essencial. Já no segundo tempo, apenas um lado sorriria. E o grito mais forte saiu da garganta dos anfitriões, já aos 47. Bruno cruzou para Edigar Junio, com muita coragem, emendar um abusado chute de letra rumo às redes. O tento que assegurou o triunfo por 2 a 1 e praticamente livra o Bahia do risco de rebaixamento.

Nem todos puderam ter o mesmo sentimento de alegria. Outro duelo nordestino aconteceu na Ilha do Retiro. Sport e Vitória faziam uma partida central e quem vencesse certamente respiraria aliviado. O jogo terminou com o ranger de dentes e uma pitada de pastelão, pelo lance que mais ameaçou o 0 a 0 que prevaleceu no placar. Se durante o primeiro tempo Maílson fez boas defesas, no início do segundo ele quase se transformou em vilão. Era para ser uma reposição de bola fácil. O goleiro apenas precisava mirar o companheiro e lançar. Sua própria mão o traiu: a pelota saiu para trás, de maneira inexplicável. Tomava o caminho das redes. Só foi salva quando o arqueiro saiu em disparada, conseguindo afastar o vexame em cima da linha. O sorriso amarelo que evitou a culpa, mas não possibilitou o triunfo, com direito a uma bola que os pernambucanos mandaram na trave.

Por fim, a sessão final de quarta-feira poderia guardar um daqueles filmes de terror, em que o protagonista termina soterrado. Exatamente o que aconteceu no Mineirão, com o Corinthians se debatendo em vão. Mesmo sem grandes interesses no Brasileirão, o Cruzeiro definiu a vitória logo no primeiro tempo. Os celestes dominavam o jogo e obrigavam Cássio a trabalhar, até que David abriu o placar aos três minutos. Inoperantes, os alvinegros viram a situação piorar pouco antes do intervalo, quando Douglas recebeu dois cartões amarelos em curto intervalo e acabou expulso. Com um a menos, ficou ainda mais difícil aos paulistas reagirem. Os corintianos melhoraram na etapa final, mas pararam em Fábio. Nas chegadas mais claras dos visitantes, o veterano colecionou defesaças, carrasco ante o desespero do outro lado.

A noite ainda teve o Fluminense, escada ao sonho do Palmeiras, mas igualmente preocupado com a tabela. E a quinta-feira guarda mais alguns jogos importantes, sobretudo o confronto entre Chapecoense e Botafogo na Arena Condá. Com 44 pontos, o Bahia termina a noite como o grande vencedor. No mais, com todos os demais ameaçados somando entre 41 e 36, qualquer deslize pode ser fatal. A reta final do Brasileirão será lenta e dolorosa a quase metade das torcidas do campeonato. Desejam que a taquicardia passe rápido, para logo cair no esquecimento. No entanto, invariavelmente, alguns serão marcados com ferro por esta dramaticidade, afogados pelo rebaixamento. A expectativa por aquilo que não querem que aconteça determinará as próximas madrugadas de insônia até dezembro. Nem todos dormirão tranquilos nesta véspera de feriado.


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