Durante a virada da década, Babak Rafati aparecia entre os árbitros mais referendados da Alemanha. O descendente de persas era um dos principais homens do apito na Bundesliga e fez parte do quadro da Fifa. No entanto, as críticas, a cobrança da federação e o estresse em uma profissão estafante levaram o alemão ao extremo em novembro de 2011. A partida entre Colônia e Mainz 05 precisou ser cancelada. Rafati não apareceu no estádio. Foi encontrado por seus assistentes no hotel, com os punhos cortados, após uma tentativa de suicídio. Teve sua vida salva, passando dias em recuperação no hospital.

Rafati enfrentou um longo tratamento contra a depressão após o episódio. Abandonou o apito e volta a campo apenas vez ou outra, quase sempre participando de partidas festivas, como a despedida do brasileiro Dedê no Borussia Dortmund. Nesta semana, ressaltou como a solidariedade oferecia por alguns colegas no futebol o ajudou na caminhada.

Em entrevista ao jornal suíço Blick, Rafati revelou que recebeu uma carta de Bastian Schweinsteiger, então jogador do Bayern de Munique, durante a sua recuperação. Além de árbitros, o meio-campista foi o único a entrar em contato posteriormente. “Foi um enorme gesto de humanidade. Schweinsteiger escreveu uma carta que me comoveu bastante. Não foi nada calculado, ele sabia que eu nunca mais voltaria a apitar depois do incidente”, declarou. “Ele disse: ‘Senhor Rafati, você já sofreu muitas quedas em sua vida. Você também precisa levantar muitas vezes. Desejo a você tudo de melhor’. A depressão muitas vezes é um tabu entre os jogadores”.

Em 2013, Rafati lançou um livro para contar sua história. Hoje, trabalha para auxiliar outros membros do futebol alemão a lidarem com a pressão mental que sofrem. Segundo o ex-árbitro, a federação alemã não lhe oferece ajuda, embora dirigentes tenham afirmado que as “portas seguem abertas” para quando o veterano precisasse.