O futebol era assunto secundário no Maracanã na tarde deste domingo. O principal interesse da torcida do Vasco, que abarrotou o estádio para o último compromisso pelo Brasileirão, era mesmo celebrar o seu amor. Depois da campanha que superou os 170 mil sócios e a mobilização que lotou o treino deste sábado, o ato final da paixão levou mais de 67 mil às arquibancadas. A alegria estava nesta comunhão gigantesca, sob o desejo de dias melhores aos cruzmaltinos. O empate por 1 a 1 contra a Chapecoense, cedido no fim, virou nota de rodapé – mas também motivo de cobrança.

Em preto e branco, o Maracanã foi tomado por um barulho ensurdecedor. O clima vibrante que geralmente se vive em São Januário ganhava proporções titânicas no velho gigante. E a torcida ganhou mais motivos para gritar. O Vasco anunciou um patrocínio para concluir mais uma fase das obras no centro de treinamentos, que vinha contando com arrecadações entre os próprios vascaínos. Antes que a bola rolasse, ainda surgiu um imponente mosaico declarando: “Nós somos a história”.

Durante o primeiro tempo, o Vasco tentou recompensar a torcida e criou as melhores chances contra a Chapecoense, mas sem balançar as redes. E o ‘Super Bowl cruzmaltino’ teria shows no intervalo, com apresentações musicais e pirotecnia. Era, definitivamente, uma tarde festiva. Mais aberto, o segundo tempo contaria com bola na trave da Chape e uma grande chance perdida por Ribamar. O tão esperado grito de gol, por fim, saiu aos 38, num pênalti convertido por Yago Pikachu.

O problema é que, nos acréscimos, a Chapecoense arrancou o empate com Vini Locatelli. A torcida esfriou depois disso. E indicou também que seu apoio não é à toa. Ao apito final, a multidão vascaína voltou a se inflamar, não só de alegria pelo momento, mas também para cobrar. Os clássicos gritos de “queremos jogador” ecoaram, assim como algumas vaias. Demonstrar a própria paixão é legal, mas fica bem melhor quando os títulos vêm junto. Um clube do tamanho do Vasco precisa ter grandes pretensões.

Como disse o mosaico, o que a torcida do Vasco protagonizou neste final de ano é histórico. Foi uma grande resposta ao que acontece no Rio de Janeiro, com a exposição do Flamengo, e mostra como os cruzmaltinos também podem ter planos ambiciosos. O clube vive mudanças e dá sinais positivos. Não dá para se contentar todos os anos apenas com a permanência na Série A. Os 170 mil e os 67 mil demonstram o potencial vascaíno. Também exigem que sejam correspondidos com times mais competitivos. O amor precisa ser recíproco.

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