A merecida vitória do coletivo do Corinthians

Era um confronto desenhado entre o time que faz o melhor jogo coletivo do Brasil e aquele que tem o jogador mais forte individualmente. Corinthians e Santos fizeram uma semifinal tensa, difícil até o final. No final, valeu a superioridade de um time que se mostrou forte não por um jogador ou um setor, mas no todo. E superando justamente o time que possui o melhor jogador do Brasil, individualmente. 

Marcação é um mérito. O Corinthians não ficou só marcando, mas fez a sua marcação forte e não deu espaços para Neymar. O santista precisou ir muito longe da área para conseguir ter a bola. E olha que o Santos teve muito mais posse de bola no jogo de volta, com 63%. O problema é que o time não saiu da zona onde o Corinthians encaixotou Neymar e companhia. Do tempo que ficou com a bola, o Santos esteve 66% no meio-campo. Só 13% do tempo que teve a bola nos pés o time da baixada esteve no campo de ataque. Não conseguia fazer da posse de bola algo útil.

O mérito do Corinthians estava na marcação feita já pelos atacantes. Tanto que um dos principais defensores do time foi o atacante Jorge Henrique, que fez três desarmes, assim como Paulinho e Leandro Castán, esses com funções mais claramente defensivas. Foram 23 desarmes do Corinthians, sendo 20 deles precisos. O time da Vila Belmiro não teve chances de gol, exceção, é claro, à bola que mandou para as redes.

Um retrato do que foi o jogo está no número de passes. O Santos trocou mais que o dobro dos passes do Corinthians (453 x 215), com um acerto de 93%. O número parece bom, mas se olhado com mais detalhe, os três jogadores que mais passaram a bola no Santos foram Durval (61), Juan (56) e Adriano (55). Um zagueiro, um lateral e um volante. Nenhum deles com chegada ao campo de ataque. O Santos só teve a bola na zona de conforto do Corinthians. O Santos não conseguia ficar no último terço do campo.

Mesmo tendo menos a bola, o Corinthians finalizou mais vezes ao gol do Santos. Foram nove tentativas, sendo cinco delas no gol – e um o gol de Danilo. O Santos finalizou seis vezes, sendo três delas no alvo – e um foi o gol de Neymar. Até em dribles o Corinthians não deixou o Santos levar vantagem. Foram sete para cada time.

Foi a vitória de um time que preza por jogar coletivamente. Mais do que prezar, faz disso sua única saída. E é sua maior força. Poucos times conseguem ser tão consistentes quanto este comandado por Tite. Aliás, o técnico precisa ser referenciado. É chamado de retranqueiro e sua cabeça já foi pedida após a eliminação na Libertadores passada, contra o Tolima. Soube se reerguer e montou o time mais difícil de ser batido no Brasil. E, por que não dizer, na América do Sul. São apenas três gols sofridos em 12 jogos.

E pegando esse último dado como gancho, é possível que muitos reclamem da postura defensiva do Corinthians. Os jogadores do Santos reclamaram. Neymar saiu reclamando do primeiro jogo dizendo que só um time tinha jogado, o Santos. No segundo jogo, Ganso afirmou que o Santos foi melhor nos dois jogos. Ambos escondendo o sol com a peneira. O Santos é dependente de Neymar. O Corinthians não depende de ninguém. Uma diferença fundamental.

Sendo Boca Juniors ou Universidad de Chile, o Corinthians mostrou que tem força para ser campeão. Tem um jogo coletivo, intenso. O Boca é mais forte e tem um jogo muito parecido com o do Corinthians. A Universidad de Chile seria um confronto de um outro estilo. De qualquer jeito, é bom que se saiba: o campeão brasileiro estará em campo. E terá que ser respeitado.

O Corinthians ainda consolida um amplo domínio brasileiro na Libertadores nos últimos 20 anos. O time é o 12º clube brasileiro a chegar na final da competição. Nenhum país tem essa marca. Os que possuem mais chegam a sete. E só em 1996, 2001 e 2004 o Brasil não teve um representante na final da competição continental.

O coletivo venceu também na Copa do Brasil

O resultado do primeiro jogo entre São Paulo e Coritiba mostrou que o confronto era equilibrado. E apesar da confusão e desorganização do primeiro jogo, o São Paulo atuou bem no primeiro tempo. Curiosamente, tomou o gol. A derrota por 2 a 0 acabou por ser justa pelo segundo tempo que viria.

O jogo mais organizado do Coxa fez diferença. Fez 2 a 0, poderia ter feito 3 a 0 se Roberto não desperdiçasse um contra-ataque que tinha três contra um. O São Paulo sofreu, Leão errou nas substituições e o time acabou justamente eliminado.

O Coritiba mostra a força de um jogo que dificultará a vida de quem quer que seja, Palmeiras ou Grêmio, na final. E desta vez, tem muita chance de levar o título. Mesmo que não tenha a mesma força história de Palmeiras e Grêmio, tem um time que sabe atuar em um sistema que utiliza bem os lados do campo e joga com muita velocidade. Tem tudo para ser uma final muito interessante.