O Real Madrid continua sua temporada de oscilações e migalhas, para atravessar mais 90 minutos de melancolia nesta quarta-feira. A classificação às quartas de final da Copa do Rei estava nas mãos dos merengues, é verdade. A vitória por 3 a 0 na última semana encaminhara a situação do time de Santiago Solari, que pôde tirar o pé no reencontro realizado no Estádio Municipal de Butarque. Só não precisavam de tanto sofrimento. O Leganés pressionou, conquistou a vitória por 1 a 0 e viu Keylor Navas evitar o pior aos visitantes. Ao menos não se repetiu a eliminação ante os pepineros, como na temporada passada.

O Real Madrid entrou com um time misto para o duelo desta quarta. E em uma formação experimental, que adiantou Marcelo para o meio-campo e utilizou Vinícius Júnior como referência no ataque. Não deu muito certo. O garoto não tinha espaços como 9, trancado por três zagueiros. Enquanto isso, o Leganés tinha mais posse de bola e cresceu a partir dos 20 minutos. Poderia ter aberto o placar aos 22, em lance no qual Lucas Vázquez evitou o gol de Vasyl Kravets. Logo depois, Sabin Merino ainda acertaria uma cabeçada que lambeu a trave de Navas. E por mais que os merengues tenham tentado responder, o gol dos pepineros saiu aos 31. Após cruzamento na área, Martin Braithwaite acertou a trave. Merino brigou pela sobra e, com a bola limpa à sua frente, o próprio Braithwaite fuzilou.

Era um Real Madrid pobre, que mal se aproximava da área adversária. O criticado Isco ganhou uma nova chance entre os titulares e parecia totalmente desinteressado na peleja. Vinícius Júnior, apagado, só ameaçou pouco antes do intervalo. Mesmo marcado por dois, criou a jogada individual e bateu para fora. Não à toa, Solari mudou para o segundo tempo. Com a entrada de Dani Ceballos, Vinícius foi para a ponta esquerda, deixando Isco como falso 9. Apesar de alguns espasmos, nada que adiantasse muito. De fato, os merengues acenderam, com mais velocidade pelos lados, mas nada que melhorasse o desempenho.

O Leganés demorou a entrar em sintonia no segundo tempo e também foi pouco efetivo. Aos 25, Braithwaite ficou a ponto de ampliar, sem aproveitar a oportunidade. A pressão só aumentou nos dez minutos finais, tentando um milagre para buscar a classificação. É verdade que o Real Madrid poderia ter empatado a partir de um contra-ataque. Vinícius Júnior arrancou e passou a Brahim Díaz, em chute que o goleiro Pichu Cuéllar desviou e ainda bateu na trave. Todavia, quem realmente teve trabalho nos acréscimos foi Keylor Navas. O costarriquenho realizou uma sequência massiva de defesas. Pegou uma cabeçada de Braithwaite e salvou o rebote; depois, espalmou um chute de Merino; e ainda faria uma belíssima ponte em bomba de Braithwaite. A qualidade do arqueiro garantiu o suspiro aliviado dos madridistas ao apito final.

Por aquilo que produziu no jogo, o Leganés merecia sorte melhor. Criou chances suficientes para uma vitória mais elástica, o que não aconteceu pela falta de pontaria e por Keylor Navas, impecável quando solicitado. A vitória acaba sendo insuficiente, por conta do resultado construído ao Bernabéu. Já o Real Madrid amplia a crise quando não precisava. Tudo bem perder o jogo de volta, no qual o interesse era menor. O problema está na atuação horrível dos merengues, especialmente pelos testes sem sentido realizados por Solari. A um time que vem ganhando na bacia das almas, a busca por soluções se torna natural. Mas não com escolhas inescapavelmente fadadas ao fracasso, a exemplo do uso de Vinícius como 9. Resta seguir em frente e se preparar ao difícil jogo contra o Sevilla, no próximo sábado, na capital. Confronto direto valendo a terceira posição de La Liga.