A cada jogo, a máquina vermelha parece engrenar mais. E, neste domingo, o Liverpool teve sua atuação mais impressionante da temporada, para assumir a liderança da Premier League de maneira incontestável. Foram 90 minutos de velocidade máxima em Anfield, de busca constante pelo ataque e muitas chances de gol. Algo que se traduz muito bem em números: os Reds tiveram 28 finalizações, 17 delas no alvo (recorde da liga desde 2003/04) e duas na trave. No final das contas, dá até para falar que o placar de 6 a 1 sobre o Watford foi pouco, diante do volume de jogo do time da casa. Que se pese as debilidades dos adversários, não se nega a maneira impetuosa como os anfitriões atacaram.

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A pressão do Liverpool durante o primeiro tempo foi impressionante. O time acelerava o jogo pelas pontas, com muita movimentação de seus homens de frente. E até demorou para abrir o placar, considerando alguns lances desperdiçados. A partir dos 27 minutos, porém, prevaleceu a qualidade do trio formado por Sadio Mané, Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Com intensa participação dos atacantes, os anfitriões abriram três gols de vantagem antes do intervalo. Mané fez o primeiro de cabeça, após um escanteio curto de Coutinho. O brasileiro ampliou finalizando da entrada da área, em ótimo contra-ataque. Já o terceiro veio em outro contragolpe, com Lallana cruzando para Emre Can cumprimentar.

O Liverpool manteve a vontade no início do segundo tempo e marcou mais dois gols antes dos 15 minutos. Firmino deixou o dele em nova assistência de Lallana e logo depois serviu Sadio Mané, na pequena área, escorando para as redes vazias. Como se fosse obrigação sofrer um gol por jogo, os Reds tomaram o de honra do Watford, com Daryl Janmaat finalizando em enorme liberdade. Mas a fome de gols não se cessou, especialmente a partir das alterações. Daniel Sturridge saiu do banco e acertou a trave duas vezes, na segunda parando em grande defesa de Pantilimon – que substituiu o lesionado Gomes ainda no primeiro tempo. Já o sexto tento saiu dos pés de Georginio Wijnaldum, que também iniciara a partida entre os reservas.

É impossível elogiar apenas uma virtude do Liverpool nesta partida. O time de Jürgen Klopp quase sempre levou perigo em seus ataques em velocidade e nas bolas paradas. Marcou por pressão, forçando os erros do Watford. E a intensidade não se perdeu, graças às boas opções vindas do banco de reservas. Pela participação nos gols, o trio de ataque se sobressaiu. Roberto Firmino, principalmente, pela maneira como se deslocou para permitir a incursão dos pontas e também por seus passes. Mas não dá para deixar de destacar o apoio de Lallana e Can, a firmeza de Jordan Henderson na cabeça de área ou a capacidade de James Milner na lateral esquerda.

Dono do melhor ataque da Premier League, o Liverpool só passou em branco em duas partidas e marcou quatro ou mais gols em cinco oportunidades. A defesa tem fragilidades bem claras, mas o setor ofensivo sabe como compensar. E essa voracidade toda é que vale a liderança aos Reds, retornando ao topo da tabela pela primeira vez desde maio de 2014. A equipe soma um ponto a mais que o Chelsea, além de ter ultrapassado Manchester City e Arsenal, graças aos seus tropeços na rodada. Pela maneira como o time de Jürgen Klopp tem se mantido constante em jogos grandes ou pequenos, talvez não seja tão fácil alcançá-lo. O próximo compromisso será fora de casa, contra o Southampton.