O sábado de manhã tornou-se mais um horário explorado pela CBF, em sua estratégia de distribuir os jogos do Brasileirão e tentar atrair os bons públicos já vistos às 11 horas de domingo – por mais desgastante que o sol seja aos jogadores. E este 7 de setembro guardou um almoço marcante, com sabor especial aos clubes do Nordeste. Bahia e Ceará conquistaram resultados excelentes em suas visitas ao Sudeste. O Tricolor bateu o Vasco em São Januário por 2 a 0 e se reafirmou na briga pela Copa Libertadores. Enquanto isso, o Vozão conseguiu reagir após tomar dois gols do Corinthians em Itaquera e arrancou o excelente empate por 2 a 2 nos acréscimos. Em comum, além do peso dos resultados, estão os gols fabulosos que permitiram os desfechos.

A ótima fase do Bahia mantém o potencial da equipe independentemente do mando de campo. Em São Januário, o time de Roger Machado preservou o seu estilo e conseguiu se impor contra o Vasco. Unindo marcação forte e velocidade para atacar, os tricolores encontraram os espaços para assegurar o resultado positivo durante o segundo tempo. O primeiro gol veio aos 10 minutos, num lance brigado, no qual Nino Paraíba se deu melhor para balançar as redes. Nada comparado à pintura de Gilberto, cinco minutos depois.

Lançado em profundidade, Gilberto teve potência para ganhar da marcação na corrida, mas também muita qualidade na definição. Deixou a bola pingar e, num chutaço de primeira, pegou na veia. O arremate fez a parábola perfeita para encobrir Fernando Miguel e morrer dentro da meta, num misto de força e precisão. A fase do centroavante é excelente, com sete gols nas últimas quatro partidas pelo Brasileirão. Encabeça a sequência tricolor, com uma invencibilidade de oito partidas no campeonato.

O Bahia assume provisoriamente a sexta colocação do Brasileiro, com 30 pontos. Pode até ser superado na sequência da rodada, mas se coloca na zona de classificação à Libertadores e fica a apenas um ponto do G-4. O time apresenta um padrão bem definido e consistência, sobretudo nas últimas semanas. Já é uma campanha marcante e que pode valer o devido reconhecimento ao que Roger Machado realiza, recuperando seu moral após trabalhos mal avaliados.

Na outra ponta da Dutra, o Ceará não conquistou os três pontos contra o Corinthians, mas é como se fosse. Em uma partida complicada para o Vozão, na qual a defesa vacilou bastante, o time demonstrou o seu poder de reação. Afinal, a vitória estava nas mãos dos corintianos em Itaquera. Depois de um bom começo dos cearenses, o bizarro gol contra de João Lucas garantiu a vantagem aos paulistas aos 23. Além disso, a arbitragem também anulou corretamente o tento de Felippe Cardoso, antes que Vágner Love ampliasse aos 37.

O problema do Corinthians no segundo tempo não foi novo à sua torcida: Fábio Carille preferiu recuar o time e tentar administrar o resultado. Chamou o Ceará para cima e os visitantes acreditaram na reação. Cássio trabalhou antes que Thiago Galhardo descontasse, aos 13 minutos. E, botando pressão, o Vozão desfrutou seu golaço aos 46. Leandro Carvalho foi ousado na cobrança do escanteio. Confiou em seu talento. Mandou um chute direto para o gol, em sinuosa trivela. A bola cumpriu uma curva desenhada com compasso e triscou a trave, antes de entrar rente à linha. Cássio tentou voltar, mas não se recuperou. Não impediu a obra-prima, gol olímpico e apoteótico.

O resultado até coloca o Corinthians na terceira colocação, com 32 pontos, mas fica como a impressão de uma oportunidade desperdiçada. Muito melhor é a igualdade ao Ceará, que fica em 12°, agora com 21 pontos. Tentando aumentar a distância da zona de rebaixamento, o Vozão mostra futebol para continuar por mais um ano na primeira divisão. E o time também se candidata ao prêmio de tento mais bonito do campeonato. Leandro Carvalho entrará forte na disputa, que também merecerá contar com a pintura de Gilberto.