Muitos costumam afirmar que o futebol é uma bênção. Normalmente, ao verem atletas medianos em equipes grandes ou mesmo jogadores pouco abençoados tecnicamente chegando à Seleção Brasileira. Pois há o outro lado da moeda. Há aqueles com futebol de sobra e reconhecimento de menos. Cito Nenê.

O meia brasileiro de 31 anos do Paris Saint-Germain foi o melhor jogador do time nas duas últimas temporadas. Nesse período, somou 48 gols e 30 assistências com a camisa da equipe. É uma marca impressionante, e a torcida reconhece isso: Nenê é ídolo no clube. O único problema é que ele não custou algumas dezenas de milhões de euros…

Contratado em 2010 do Monaco por cerca de 5,5 milhões, Nenê é um jogador pré-gastança do PSG. Não tem a grife necessária para jogar hoje em dia pelo Paris Saint-Germain.

Javier Pastore custou 40 milhões. Zlatan Ibrahimovic outros 21. Ezequiel Lavezzi mais 26 milhões. Jérémy Ménez foi baratinho, só oito. Lucas, que chega em janeiro, foi comprado por 43 milhões. E todos têm que jogar.

Com Antoine Kombouaré no comando do PSG, Nenê era titular absoluto no 4-2-3-1 do treinador francês. No entanto, com a chegada de Carlo Ancelotti em dezembro do ano passado e a mudança do esquema tático para o 4-3-2-1, o jogador brasileiro foi perdendo espaço até se tornar reserva nesta temporada.

Logicamente ele ainda será muito utilizado, já que o time francês disputa várias competições. Mas a verdade é que, por não ter grife, Nenê acaba no banco de Pastore, Lavezzi e Ménéz. Se existisse justiça no futebol, o jogador brasileiro seria indiscutivelmente o dono desse meio-campo. Porque joga demais, e seus números provam isso, provam sua eficiência.

Neste final de semana, começou jogando contra o Bastia e somou duas assistências na sua conta. Toques elegantes, futebol vistoso. Não deve permanecer no PSG por muito mais tempo, vide o interesse do Corinthians na última janela de transferências.

Com carreira em clubes pequenos da Europa, tanto é que estreou na Liga dos Campeões apenas na semana passada, falta a maldita grife para Nenê ser mais reconhecido no futebol. Ou então um empresário famoso. É, acima de tudo, um excelente jogador de futebol.