Adolf Hitler esteve em um estádio de futebol apenas uma vez na vida, e não gostou nada do que viu: saiu antes do apito final de Noruega 2×0 Alemanha, pelas Olimpíadas de 1936. Porém, houve outro grande jogo pelo qual o ditador se interessou, mas não esteve presente. E não por questões meramente esportivas, mas por todo o contexto que representava. Em 14 de maio de 1938, há exatos 77 anos, a Inglaterra enfrentava a Alemanha diante de 110 mil torcedores no Estádio Olímpico de Berlim. Um amistoso que também significava bastante para a geopolítica da Europa, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

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A partida, às vésperas da Copa de 1938, contou com a presença de oficiais do alto escalão nazista nas arquibancadas. Já Hitler estava em viagem, mas pediu para ser informado sobre o placar da partida. Dois meses antes, a Alemanha havia anexado a Áustria e também seu time de futebol, conhecido como Wunderteam após a campanha até as semifinais da Copa de 1934. Havia a expectativa, portanto, que os germânicos pudessem surpreender os ingleses em seu esporte dominante e, assim, respingar também sobre os anseios políticos.

Naquele momento, contudo, imperava a política de tolerância entre os dois países. O primeiro ministro britânico Neville Chamberlain mantinha relações com Hitler – uma passividade que se encerrou nos meses seguintes. Tanto que o embaixador britânico em Berlim ordenou que os jogadores ingleses também fizessem a saudação nazista em direção às arquibancadas, durante a execução do hino alemão. “O vestiário se revoltou, houve tumulto entre os jogadores. Todos nós nos opusemos a isso, gritando ao mesmo tempo. Nosso capitão, Eddie Hapgood, apontou o dedo para o oficial e disse que não poderia fazer isso. Mas acabamos obrigados”, declarou o lendário Stanley Matthews, anos depois.

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Apesar do gesto, a Inglaterra não se submeteu à Alemanha dentro de campo. Durante o intervalo, os Three Lions já venciam o amistoso por 4 a 2. Encerraram a vitória com um inapelável 6 a 3, em que John Robinson saiu como destaque, autor de dois gols. Mas, apesar do desejo de Hitler, a derrota para os ingleses não era nada surpreendente. E o gesto daquela que era considerada por muitos “a melhor seleção do mundo” já servia o suficiente para a propaganda nazista.


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