A Argentina sofre com seu jejum de títulos na seleção principal e, mesmo nas categorias de base, os resultados não são bons. Os Jogos Pan-Americanos de Lima, no entanto, ofereceram uma nova chance para a Albiceleste colocar o ouro no peito. E os maiores campeões da história do torneio cumpriram sua missão, voltando para o lugar mais alto do pódio neste sábado. Com uma equipe sem os melhores nomes da geração e majoritariamente abaixo do limite sub-23 da competição, os argentinos conquistaram o título com sobras, ao baterem Honduras na decisão. Golearam os centro-americanos por 4 a 1 e, pela sétima vez, faturaram o Pan.

No geral, o torneio de futebol masculino nos Jogos Pan-Americano não conta com seleções muito fortes. A Argentina convocou basicamente jogadores de clubes médios do país, a maioria deles parte do último ciclo de trabalho no sub-20. O nome mais badalado era do camisa 10 Nicolás González, que disputou a última Bundesliga com o Stuttgart. De qualquer maneira, a concorrência dos demais países não era muito qualificada. E, depois de terminar a fase de grupos na segunda colocação, atrás do México, a Albiceleste deslanchou nos mata-matas.

O Uruguai parecia o principal concorrente, mas foi atropelado nas semifinais. Os argentinos golearam por 3 a 0, com dois gols do artilheiro Adolfo Gaich, do San Lorenzo. Já neste sábado, Honduras até esboçou dar certo trabalho, o que não se concretizou na sequência da partida. Agustín Urzi abriu o placar para a Argentina e Douglas Martínez até empatou antes do intervalo. Entretanto, a Albiceleste anotou três gols nos primeiros 20 minutos do segundo tempo. Carlos Valenzuela, Lucas Necul e Fausto Vera alargaram o passeio por 4 a 1, que valeu o ouro. Na decisão do terceiro lugar, o México venceu o Uruguai por 1 a 0 e faturou o bronze.

A Argentina não conquistava o ouro desde 2003. E o Pan de Santo Domingo ofereceu um breve brilho ao futebol, o que não é muito costumeiro nas últimas edições. Aquela também foi a última edição em que o Brasil chegou à decisão. Maxi López anotou o gol do título na vitória da Albiceleste por 1 a 0. Como aquele torneio valia de preparação ao Pré-Olímpico de 2004, os brasileiros contaram com uma equipe razoavelmente forte. Vágner Love, Diego, Dagoberto e Dudu Cearense estavam entre os destaques da Canarinho.

Com seus sete ouros, a Argentina é a maior campeã do futebol no Pan. Dominou a competição com três títulos em 1951, 1955 e 1959, antes de repetir a dose também em 1971, 1995 e 2003. O Brasil é o segundo maior vencedor, com quatro ouros, igualado ao México. Os dois países, inclusive, dividiram o título em 1975. O Uruguai tem dois ouros, enquanto Estados Unidos e Equador também já foram campeões, uma vez cada.

Por conta da campanha ruim no Sul-Americano Sub-20, que dava as vagas ao Pan de 2019, o Brasil ficou de fora do futebol masculino nesta edição. A Seleção conquistou os seus ouros em 1963, 1975, 1979 e 1987. E as equipes campeãs consagraram alguns jogadores jovens que construíram carreiras de destaque. No Pan de São Paulo, Carlos Alberto Torres e Jairzinho compunham o primeiro elenco dourado. Treinado por Zizinho, Cláudio Adão empilhou gols em 1975, acompanhado por Carlos, Batista, Marcelo e Edinho. Já em 1979, Mario Travaglini comandou um time que possuía Édson Boaro e Cléo Hickman entre os nomes mais relevantes.

Por fim, o último título aconteceu em 1987. E aquela provavelmente foi a seleção brasileira mais forte que já disputou o Pan. Carlos Alberto Silva se firmava no cargo e aproveitou o torneio para moldar o elenco rumo às Olimpíadas de Seul. O timaço contava com Taffarel, Ricardo Rocha, André Cruz, Valdo, Pita, Evair e João Paulo, além de alternativas como Raí e Ricardo Gomes no banco. Desde Indianápolis, os brasileiros conquistaram somente outras duas medalhas: a referida prata em 2003 e o bronze em 2015, quando foram representado por um time sub-23 que servia para observação. Luan, Gustavo Henrique, Erik e Luciano estavam naquela campanha. Vale lembrar ainda que os brasileiros sequer passaram da primeira fase no Pan do Rio, em 2007. A CBF usou a seleção sub-17, estrelada por Lulinha.