Ninguém marcou mais gols que Christine Sinclair no futebol de seleções. Ela deixou para trás a antiga recordista, Abby Wambach, que fez 184 gols na carreira, uma marca impressionante. Com o seu segundo gol na vitória do Canadá por 11 a 0 sobre São Cristóvão e Nevis, pelo pré-olímpico de futebol feminino da Concacaf, ela chegou a 185 gols pela seleção do seu país. Foi a estreia das duas seleções no qualificatório para Tóquio 2020.

“É apenas inacreditável”, afirmou Sinclair ao ser perguntada sobre o recorde. “Quando eu comecei na seleção, eu não poderia imaginar chegar aqui com o número de gols que eu marquei”, disse a atacante, de 36 anos e que fez o seu 290º pelo Canadá.

“Eu lembro de começar a minha carreira e pensar: ‘Eu tenho muitos gols para alcançar’, meio que estava de olho no recorde aos 16 anos”, afirmou a atacante à BBC em 2019, quando jogou a sua quinta Copa do Mundo pelo Canadá.

Nascida em Burnaby em 12 de junho de 1983, Christine Sinclair começou a carreira atuando pela Universidade de Portland, que defendeu de 2001 a 2005. Mesmo ainda na faculdade, ela defendeu o Vancouver Breakers, passou por Vancouver Whitecaps, Gold Pride, Western New York Flash e Portland Torns, seu clube atual. Jogou pela seleção canadense sub-20, mas em 2000 ela já estreou pela seleção principal do time, ainda com 16 anos.

Já atuando pela seleção principal, Sinclair ajudou o Canadá a se classificar para a Copa do Mundo de 2003, quando as canadenses fizeram a sua melhor campanha na história. Foram até a semifinal, quando perderam da Suécia. Na disputa pelo terceiro lugar, perdeu dos Estados Unidos. Ficou com o quarto lugar.

Christine Sinclair, do Canadá (Reprodução)

Jogou também as Copas do Mundo de 2007, 2011, 2015 e 2019. Levou a medalha de bronze nas Olimpíadas de 2012 e 2016. Nesta última, jogando contra o Brasil na decisão do terceiro lugar, inclusive. Sinclair conseguiu também o recorde de marcar em cinco copas diferentes, algo que só a brasileira Marta tinha conseguido. A atacante quer competir na Olimpíada de Tóquio, quando já terá completado 37 anos.

“Para mim, não tem nada a ver com o recorde, é ter jovens meninas capaz de sonhar em jogar profissionalmente e representarem o seu país, ganharem medalhas… Inspirar jovens meninas a seguirem seus mais loucos e selvagens sonhos… É muito legal”, afirmou a atacante, depois do jogo.

No seu Twitter, a antiga dona do recorde, Abby Wambach, parabenizou a companheira de profissão. “Christine: história foi feita. Sua vitória é nossa vitória. Nós celebramos com você. E para toda garota que chegar à matilha com o sonho de atingir o que ainda nem existe: nós acreditamos em você. Sua matilha está com você. E a história espera por você”.

“Quando eu comecei, Mia [Hamm] tinha o recorde e eu pensava: ‘Meu Deus, são muitos gols’. Como alguém chega a isso? Eu apenas continuei jogando e eu tive sorte com lesões e a longevidade disso”, afirmou o jogador.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também parabenizou a artilheira pela marca histórica.

“Nós a assistimos crescer desde uma estrela adolescente nos campos locais para uma superestrela internacional que é adorada ao redor do mundo”, afirmou o presidente da Canada Soccer, a federação do país, Steven Reed.

O presidente da Concacaf, um dos vice-presidentes da Fifa, Victor Montagliani, que é canadense, também parabenizou a jogadora. “Ter o recorde de maior artilheira do futebol de seleções e ainda seguir forte é realmente extraordinário. As conquistas de Christine a tornaram um ícone no Canadá. Ela transcendeu o esporte e é um modelo maravilhoso para as pessoas pelo país”, disse o dirigente.

Veja a lista das maiores artilheiras de seleções. No top 10, só entra um jogador: Ali Daei, em 10º lugar.