A Romênia já tinha apresentado seu potencial no Europeu Sub-21 durante as eliminatórias. No mesmo grupo da badalada equipe de Portugal, os romenos mantiveram a invencibilidade e conquistaram a classificação à fase final. A estreia também se tornou promissora, graças à sonora goleada por 4 a 1 sobre a Croácia. No entanto, os tricolores mereceriam ainda mais aplausos pelo épico que viveram nesta sexta-feira, em Cesena. O encontro decisivo com a Inglaterra teve seis gols depois dos 30 minutos do segundo tempo. E a balança pendeu justamente à seleção romena, que cedeu por duas vezes o empate, mas buscou o triunfo por 4 a 2 nos últimos instantes. Correndo por fora, o time se aproxima dos Jogos Olímpicos de 2020.

O elenco da Romênia não possui jogadores tão badalados em grandes ligas. Seus principais destaques se limitam a equipes secundárias da Premier League e da Serie A. George Puscas não emplacou na Internazionale e atualmente defende o Palermo, enquanto Ianis Hagi teve raríssimas chances na Fiorentina e voltou ao Viitorul. Ainda assim, é uma equipe na qual 11 atletas já defenderam a seleção principal do país. E a liderança das duas referências técnicas se tornou essencial desde a estreia. Puscas e Hagi brilharam contra a Croácia e também deram suas contribuições contra a Inglaterra. O protagonista da noite, ainda assim, foi o substituto Florinel Coman. Outra revelação do Viitorul, o clube criado por Gheorghe Hagi para lapidar talentos, o ponta atualmente defende o Steaua Bucareste.

Já era uma partida animada desde o primeiro tempo. A Romênia criava as melhores chances, mas parava no bom goleiro Dean Henderson. Seus contra-ataques representavam perigos constantes, contra uma Inglaterra desafinada após cinco mudanças em seu time titular – incluindo a inexplicável saída de Phil Foden. Os ingleses responderam só na etapa complementar, com as alterações surtindo efeito. Jonjoe Kenny viu sua cabeçada ser salva em cima da linha e Foden ainda carimbou o poste, além das chances barradas por Andrei Radu. De qualquer maneira, a loucura só teria forma a partir dos 30 minutos do segundo tempo. Começou com o primeiro gol da Romênia, graças a um pênalti assinalado em Coman, que Puscas converteu com segurança. Dois minutos depois, os Three Lions já responderam. Demarai Gray fez linda jogada pela esquerda e bateu cruzado para comemorar.

O jovem Hagi chamaria a responsabilidade para si aos 40 minutos, tal qual seu pai fazia. Anotou o segundo gol da Romênia após um erro da defesa da Inglaterra, em finalização precisa de fora da área. A Inglaterra, de qualquer forma, não se dava por vencida. Dois minutos depois, Tammy Abraham apresentou suas credenciais como centroavante. Dominou e arrematou, num tento de quem sabe jogar em sua função. Só que a tarde era mesmo dos romenos, para alegria da numerosa torcida que compareceu em Cesena. O substituto Coman fez o terceiro aos 44, em contragolpe dos tricolores, soltando o pé de fora da área e contando com a falha de Henderson. Por fim, nos acréscimos, o camisa 7 botou ponto final na peleja com outro chutaço do meio da rua, sem que o goleiro se mexesse.

O resultado elimina a Inglaterra, sem chances de se classificar às Olimpíadas. Já a Romênia fica muito próxima de Tóquio. Além de somar seis pontos, também possui um saldo favorável de cinco gols. Apenas uma combinação de resultados improvável na rodada final da fase de grupos, na qual encaram a França, barraria os tricolores. Os líderes de cada uma das três chaves do Europeu Sub-21 avançam às semifinais e aos Jogos de 2020, enquanto o melhor segundo colocado também se classifica à próxima etapa e ao torneio olímpico. Ao que parece, Hagi e nova geração de talentos podem ter outro significado aos romenos. Seria apenas a quarta participação do país no futebol olímpico, a primeira desde 1964.