A Premier League é a liga mais rica do mundo, com uma capacidade de atrair jogadores e a atenção de muitos torcedores de futebol no mundo. Os direitos de transmissão do contrato atual, 2013/16, renderam £ 5,5 bilhões entre cotas nacionais e internacionais. Para o próximo contrato, só as cotas nacionais renderam £ 5,5 bilhões. Com a soma das internacionais, os times devem ganhar pelo menos 50% mais desse valor. Tudo isso gera glamour, atenção, atratividade e alto nível técnico. Só que há um dado curioso. Desde que o Campeonato Inglês se tornou Premier League, com a reformulação pela qual passou, em 1993, nenhum técnico inglês levantou a taça. Isso mesmo: são 23 anos de liga e nenhum técnico inglês venceu.

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A lista de vencedores é longa, mas se for pegar os grandes vencedores do futebol inglês no período, o grande nome é Alex Ferguson (13 títulos), escocês. Arsène Wenger (três títulos) é francês. José Mourinho (três títulos) é português. Com um título, Kenny Dalglish é escocês, Carlo Ancelotti, italiano, assim como Roberto Mancini, e Manuel Pellegrinio é chileno. Nenhum inglês conseguiu o feito.

Isso se reflete na escolha dos técnicos na seleção. Não há um grande nome inglês para comandar o time. O atual técnico, Roy Hodgson, tem uma carreira longa, mas poucas glórias. Seu maior feito por um time inglês foi levar o pequeno Fulham à final da Liga Europa na temporada 2009/10. Tem muita experiência no exterior, com trabalhos Itália, Suécia e Dinamarca, por exemplo.

Há uma discussão intensa na Inglaterra sobre o quanto a internacionalização da Premier League foi prejudicial a jogadores ingleses, uma vez que os times terem dinheiro fez com que contratassem mais jogadores. Para alguns, esses estrangeiros tomam o espaço de jovens ingleses das categorias de base. É uma discussão com argumentos importantes dos dois lados, que pode ficar para outro momento. O que nos interessa aqui é o paralelo: será que a riqueza da Premier League e a sua internacionalização fez com que técnicos ingleses perdessem espaço?

Na atual temporada da Premier League, 2015/16, só cinco dos 20 técnicos são ingleses: Eddie Howe, do Bournemouth, Tim Sherwood, do Aston Villa, Alan Pardew, do Crystal Palace, Steve McClaren, do Newcastle, e Garry Monk, do Swansea. Ou seja, não há perspectiva em curto prazo para que um técnico inglês seja campeão. Dos citados, só Tim Sherwood, de 46 anos, Garry Monk, 36, e Eddie Howie, de 37, parecem ter perspectivas futuras de dirigir um grande time e se tornarem campeões um dia. E mesmo assim, mais por uma perspectiva de idade, já que os times mais fortes em geral buscam nomes de grife para seus comandarem seus elencos. Os demais parecem mesmo fadados a ficarem em um patamar intermediário, se tanto.

Parece ser uma questão que os ingleses precisam mesmo repensar. Não ter nenhum técnico inglês de alto nível, mesmo com uma liga tão forte e rica, é um sinal preocupante. Ao menos para quem pensa no futebol do país a longo prazo.