“Libertadores é um torneio que se joga com garra, com força, com tradição”. Ok, não vamos desconsiderar totalmente o clichê. Mas, durante os últimos anos, ficou bem claro que é preciso muito mais para ter sucesso na competição. Não basta achar que a camisa pesada ou o investimento alto irá levar o clube às fases finais por inércia. Também se faz necessária organização, inteligência, estrutura de jogo. E, cada vez mais, clubes que dificilmente entrariam no grupo de favoritos ao título vêm chegando mais próximos do topo das Américas. Basta ver o número de finalistas ou semifinalistas “virgens” das edições mais recentes da copa.

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Por mais que San Lorenzo e River Plate sejam tradicionalíssimos na Argentina, ergueram a taça em campanhas um tanto quanto atípicas. Ambos suaram sangue para avançar na fase de grupos e colocaram os pés no chão nos mata-matas. A solidez tática foi bem mais preponderante que qualquer outro tipo de virtude. Já na última temporada, o Atlético Nacional deslocou o eixo dos campeões da Libertadores além de Brasil e Argentina, o que não acontecia desde a LDU Quito de 2008. Justamente um campeão com jogo ofensivo como pouco se viu nas últimas décadas de competição. Mostra de força contundente de um trabalho bem feito que pode ser realizado além dos “principais centros” – e que, convenhamos, já merecia reconhecimento por campanhas anteriores dos verdolagas, nas quais acabaram não chegando mais longe.

Observar com atenção os adversários de toda parte não é apenas questão de sobrevivência aos clubes brasileiros na Libertadores. Também é uma maneira de planejar o seu futuro. Cada vez mais, os destaques de outros clubes sul-americanos começam a ganhar espaço no país. A Libertadores não deixa de ser uma ótima triagem de talento. Abaixo, uma seleção de equipes além das “camisas pesadas” que merecem um pouco mais de destaque. Desconsideramos brasileiros e argentinos na escolha, assim como uruguaios, representados apenas por seus dois gigantes, Nacional e Peñarol:

Bolívia

Falar do Strongest não é exatamente uma novidade, diante das participações sucessivas do Tigre na Libertadores. A equipe de La Paz vai para a sua sexta edição consecutiva na edição continental. Mas, desta vez, dá para crer em uma campanha digna, não apenas pelos “perigos da altitude”. Que o time não tenha vencido o Campeonato Boliviano, o desempenho nas preliminares da copa foi marcante. Com um futebol bem trabalhado e envolvente, os aurinegros engoliram seus adversários. Fruto do trabalho do técnico César Farías, de excelente passagem pela seleção venezuelana e que desde o ano passado presta serviços no Hernando Siles. A chave é parelha. Ainda assim, tudo leva a crer que os paceños brigarão pelos mata-matas. Com Pablo Escobar e Alejandro Chumacero em bom momento, além de outros jogadores tarimbados de seleção, todo cuidado é pouco. Também na Bolívia, vale ressaltar o trabalho de outro técnico famoso: Xabier Azkargorta, presente na Copa de 1994 com a seleção local e semifinalista da Libertadores em 2014 com o Bolívar, agora comanda o novato Sport Boys Warnes.

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Chile

catolica

A Universidad Católica não é exatamente aquele tipo de time renegado na Libertadores. Entretanto, dá para dizer que os chilenos merecem um pouco mais de atenção no torneio continental. Pela primeira vez em sua história, os Cruzados foram bicampeões nacionais, faturando Apertura e Clausura em 2016. Aproveitam um momento de baixa dos principais rivais, é verdade, mas não dá para negar também a competência do grupo treinado por Mario Salas, à frente da UC desde 2015. Dona de um futebol ofensivo, a Católica possui diversas figurinhas carimbadas em seu elenco: Toselli, Fuenzalida, Buonanotte, Santiago Silva. O que preocupa mais é a saída do artilheiro Nicolás Castillo. Não à toa, o time caiu de rendimento nos últimos meses e retornou ao Campeonato Chileno muito mal, com quatro derrotas nas últimas quatro rodadas. Precisará de uma guinada em grupo no qual não terá muito tempo para conseguir respirar.

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Colômbia

molina

Destacar a competência de Atlético Nacional e Independiente Santa Fe nas competições continentais é obrigação. Durante os últimos anos, a Colômbia se afirmou como uma das três forças do futebol sul-americano. Mas ainda espera que outro clube consiga ir além. O Independiente Medellín é um candidato. Longe da Libertadores desde 2010, o DIM não deixou boa impressão na última Copa Sul-Americana, quando penou para eliminar o Santa Cruz e caiu para o Cerro Porteño. De qualquer maneira, aquilo não deveria servir para descartar o time. Campeões do Apertura, os paisas mudaram de técnico nos últimos meses, com a contratação do argentino Luis Zubeldía – de apenas 36 anos, mas que possui currículo referendado por Lanús, LDU Quito e Racing. Na defesa, a referência é o goleiro David González, convocado recentemente à seleção. Mauricio Molina é o medalhão mais à frente. E vale ficar de olho no talentosíssimo Juan Fernando Quintero, reserva da seleção na Copa de 2014. O meia estava encostado no Porto e chegou justamente para disputar a Libertadores, junto com outros cinco reforços. Prova do impacto das novidades, o DIM lidera o Apertura do Colombiano já com cinco pontos de vantagem, vencendo seis de seus primeiros oito jogos.

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Equador

alvez

Ao longo dos últimos anos, o Emelec se colocou como o perigo mais evidente do Equador na Libertadores. Participa de todas as edições desde 2010, possui um estádio dificílimo de encarar, forma a base da defesa da seleção, tem boas categorias de base. Neste ano, o time estrelado por Fernando Gaibor (e agora acompanhado por Marlon de Jesús), outra vez, não deve ser sumariamente ignorado, apesar do desmanche recente. Mas também é bom notar o Barcelona. O sucesso do vizinho de Guayaquil impulsionou os rivais, de campanha firme no último Campeonato Equatoriano. O uruguaio Guillermo Almada está à frente do clube desde 2015. Teve méritos para interromper o tricampeonato dos Electricos. O Estadio Monumental Banco Pichincha não chega a ser um alçapão, mas impõe respeito. Já em campo, o sistema defensivo foi reforçado com o colombiano Jefferson Mena, enquanto a linha de frente conta com a efetividade de Damián Díaz e Jonathan Álvez. Só o início do ano não tem sido tão bom, com problemas de desfalques e um início morno no Campeonato Equatoriano.

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Paraguai

guarani

Não custa ressaltar os predicados do Guaraní, semifinalista da Libertadores há dois anos. Os aurinegros vão para a sua quarta participação continental consecutiva, desta vez com um gosto diferente, após encerrarem jejum de seis anos no Campeonato Paraguaio. Daniel Garnero é o comandante do Cacique. E, mais uma vez, dá para esperar a consistência tática como principal trunfo dos guaranis, como foi em campanhas recentes de sucesso do país. Mesmo com o Olimpia trazendo jogadores badalados, o Guaraní terminou o último Clausura um ponto à frente, sem tanta voracidade ofensiva, mas bem mais seguro na defesa. Julio César Cáceres é a cátedra, com vários companheiros experientes, com destaque para o atacante Rodrigo López. Além disso, o clube de Assunção também investiu no mercado – a exemplo de Rodolfo Gamarra, atacante que disputou a Copa de 2010.

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Peru

penny

Em teoria, o Sporting Cristal é o principal representante peruano na Libertadores, após faturar o título nacional. Contudo, os Cerveceros caíram em uma chave complicada. Assim, o Melgar alimenta certas esperanças de poder fazer o que o Nacional do Paraguai conseguiu em 2014 – totalmente fora do radar, mas capaz de ser franco-atirador nos mata-matas. O clube de Arequipa foi um saco de pancadas na última edição do torneio continental, ao qual voltara após 32 anos. Todavia, isso não abalou sua sequência no ano, vice-campeão nacional. E a preparação do Dominó à copa vem sendo mais bem feita, com investimento no elenco. Entre os contratados, destaque para o goleiro Diego Penny, da seleção peruana e tarimbadíssimo na Libertadores. Além disso, o técnico Juan Máximo Reynoso aposta num jogo defensivo, buscando os contra-ataques. Fórmula que já causou algumas surpresas na América do Sul durante os últimos anos.

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Venezuela

arango

O Zulia é um mero estreante na Libertadores. O clube sem muita tradição terminou com o vice-campeonato no último Venezuelano. Entretanto, uma observação um pouco mais atenciosa ao elenco indica bem o perigo que pode representar. Lá está aquele que pode ser considerado o melhor jogador da história de seu país: Juan Arango. Lenda da Vinotinto e ídolo em seus tempos de Bundesliga, o meio-campista passou os últimos anos na América do Norte, defendendo Tijuana e New York Cosmos. Já o retorno para casa aconteceu ao time presidido por César Farías, seu ex-comandante na seleção e atual técnico do Strongest – e, sim, há um potencial conflito de interesses aí. Arangol é uma arma e tanto nas bolas paradas. Além dele, o goleiro Renny Vega e o meia Yohandry Orozco são outros dois tarimbados na equipe nacional. Jefferson Savarino é a promessa para se ficar de olho.

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