Finalmente a Conmebol promoveu mudanças básicas que a Libertadores precisava há algum tempo. A edição de 2013 terá mudanças importantes que irão afetar positivamente no principal torneio da América do Sul.

Suspensão por cartões amarelos

A primeira delas é a inclusão da suspensão por acúmulo de cartões amarelos. Em vez das multas de US$ 100, agora os jogadores que somarem três cartões amarelos estarão suspensos da próxima partida. Os cartões serão zerados após o fim da fase de grupos,exceção ao caso do jogador ter recebido o terceiro cartão amarelo na última rodada, o que implicará em suspensão na primeira partida das oitavas de final.

Essa é uma mudança significativa e que pode influir de maneira positiva na competição. A falta de suspensão permitia que os jogadores tomassem cartões em todos os confrontos, o que é, de forma indireta, uma permissão para que o pau coma solto. Ainda é preciso ser mais rigoroso em relação à segurança nos estádios para impedir a lamentável cena de policiais com escudo protegendo quem cobra escanteio, mas a suspensão por cartões amarelos já é inegavelmente um avanço.

Maior número de jogadores inscritos

Outra mudança importante no regulamento é o aumento no número de inscritos de 25 para 30 jogadores. Com isso, os times podem ter um elenco maior e diminui a possibilidade de um determinado time não ter 18 jogadores para levar ao banco de reservas, como já aconteceu em alguns casos que o time tinha muitos jogadores machucados. Com a entrada da suspensão na competição, a medida é ainda mais importante.

Os times que entrarão na Libertadores na primeira fase, conhecida no Brasil como “pré-Libertadores”, poderão inscrever 25 jogadores. Caso avancem à fase de grupos, poderão inscrever mais cinco jogadores nos seus elencos. Os times que começam a disputa na fase de grupos já podem inscrever 30 jogadores desde o início.

Além disso, segue a regra que os times podem fazer três substituições na lista de inscritos a partir das oitavas de final até a semifinal. A cada mudança de fase, os times podem fazer três alterações. Antes da final, não são permitidas mudanças.

Aumento da premiação dos clubes

É sabido que a Libertadores não paga grandes valores como premiação aos seus participantes. Tanto que o Campeonato Paulista, por exemplo, dá uma premiação maior – razão de muitos clubes reclamarem do excesso de jogos, mas não deixarem de disputar o estadual.

A Conmebol anunciou que os valores irão aumentar, mas ainda não informou de quanto é esse aumento. O texto do comunicado da Conmebol fala que os clubes “receberão um aumento considerável pela sua participação”. Ainda segundo o comunicado, os presidentes de cada um dos clubes serão informados sobre o aumento pelo presidente da federação de cada país – ou seja, a informação virá de José Maria Marin, presidente da CBF.

Iluminação artificial obrigatória

A Conmebol passou a exigir que todos os estádios tenham iluminação artificial obrigatória. Isso significa que não veremos alguns times que tem que jogar à tarde porque o estádio não possui os famosos refletores. Na Libertadores isso é pouco comum, mas na Sul-Americana acontece com alguma frequência. Agora não será permitido.

Proximidade a aeroportos

Outra medida anunciada pela Conmebol é que os estádios dos jogos da Libertadores devem estar a uma distância máxima de 100 quilômetros de um aeroporto. Isso porque alguns times costumam jogar em estádios afastados, o que obriga os times visitantes a longas viagens, que por vezes passam das 20 horas, como se estivessem indo ao outro lado do mundo.

Ainda falta muito, mas já é um avanço

Todas essas mudanças são positivas para a Libertadores e os clubes que participam dela. É preciso ter cuidados para que o evento seja profissional. Não dá para jogar em estádios que sequer possuem iluminação artificial.

A dificuldade de chegar a cidades que ficam muito distantes dos aeroportos tornam a Libertadores menos interessante, não mais. Não é uma medida elitista, mas é preciso de estrutura mínima para poder participar de um torneio do nível da Libertadores. Ter um aeroporto a menos de 100 quilômetros não tem nada de elitista. É uma questão local de infraestrutura que os governos precisam resolver.

O investimento em aeroportos é o tipo de gasto governamental que deixa, de fato, um legado à população. Se falta essa estrutura à cidade, não devemos fazer uma Libertadores com mais problemas só para atender essa demanda. O problema não é da Libertadores, é dessas cidades.

A Conmebol ainda precisa melhorar muito a Libertadores. Os policiais protegendo jogadores de objetos atirados em campo nas cobranças de escanteios em diversos lugares do continente não tem nada de charmoso. É ridículo e deve ser punido, seja com multa, seja com perda de mando de campo ou ambos.

Não dá para tolerar também que clubes sejam recebidos com pedradas nos seus ônibus, como aconteceu com o Tigre em São Paulo e como diversos clubes brasileiros já sentiram também fora do país, seja onde for. É preciso punição, porque esse tipo de episódio não dá charme à Libertadores, faz é muito mal aos clubes, jogadores, à organização do torneio e à competição como um todo, que fica menos atraente até para quem assiste.

Que a Conmebol faça mais mudanças nesse sentido e o Comitê Disciplinar julgue os casos de confusão e violência que tanto marcam a história da Libertadores. Não dá mais para tratarmos como uma competição de várzea o maior torneio de clubes da América, um dos maiores do mundo. E isso depende também dos clubes e da pressão que podem fazer para uma competição melhor. Que assim seja.