Para muitos brasileiros, a Copa Libertadores pode ser resumida como aquela competição repleta de catimba, campos enlameados, cachorros passeando no gramado e muita, mais muita garra e determinação, ou o velho clichê do sangue, suor e lágrimas.

Essas máximas são repetidas à exaustão quando se fala sobre a mais cobiçada taça sul-americana. E não, elas não são necessariamente mentiras, especialmente quando os nossos principais times viajam até a casa do adversário para os jogos do mata mata. Nessa fase, qualquer erro ou ingenuidade pode custar caro. Nessa seara de adversidades ou perigos, estão também os erros de arbitragem, que marcam homens do apito para sempre em suas carreiras.

Quem provou desse veneno latino nesta semana foi o Fluminense, que encarou o encardidíssimo Emelec no estádio George Capwell em Guayaquil, voltando para o Brasil com uma derrota por 2 a 1 na bagagem. O brinde foi um pênalti tremendamente mal marcado em cima de Gaibor, supostamente cometido por Carlinhos.

Não que o Flu tivesse feito uma apresentação que lhe credenciasse a fazer 3 ou 4 nos equatorianos, mas certamente não merecia ter sido derrotado. Durante a maior parte do confronto de oitavas de final, os mandantes fizeram valer a pressão de sua torcida contra os visitantes. Concentrado e até mais ofensivo do que o normal, o tricolor carioca não se intimidou e fez seu jogo, mas demorou a engrenar e precisou lidar com o ritmo intenso do Emelec.

O gol contra marcado por Leandro Euzébio poderia ser o prelúdio de um desastre em terras equatorianas, mas o Fluminense colocou a cabeça no lugar e reagiu bem. Quando Wagner acertou um petardo no ângulo da meta de Dreer, que já havia feito uma defesa assombrosa numa falta cobrada durante o primeiro tempo. O argentino fechou o gol e deve ser o responsável pelo resultado favorável ao seu time.

Thiago Neves foi o maestro do Flu, surpreendido pela má arbitragem

Era questão de tempo para que o Tricolor fosse buscar a vitória na parte final do jogo. Enquanto o Emelec se encolhia e só jogava nos contragolpes, os comandados de Abel sofriam com a falta de criatividade, falha que foi consertada com o ingresso de Thiago Neves na vaga de Rhayner, que errou demais.

Thiago movimentou o meio campo e se responsabilizou pelas cobranças de falta, sempre um perigo para os donos da casa. Naquela altura, um empate com gols no George Capwell era um resultado a se comemorar por parte de Abelão e seus pupilos. Um pouco mais de pressão e até o segundo gol poderia ter saído, mas o desfecho foi uma punição severa para a falta de combatividade do Fluminense.

O Emelec cresceu no jogo e abriu espaço na defesa tricolor para tentar matar o adversário nos minutos finais. A tendência ofensiva certamente deixou Diego Cavalieri à beira de um ataque de nervos, toda vez que os equatorianos dominavam a bola dentro da área.

Foi numa dessas que o árbitro Wilmar Roldán complicou os brasileiros num lance ridículo de tão óbvio. Óbvio que não houve nenhuma infração, claro. Carlinhos marcava Gaibor perto da pequena área de forma incontestavelmente legal. O meia do Emelec se atirou sem mais nem menos e o juizão assinalou a penalidade aos 41 do segundo tempo.

Não que isso represente algum perigo real ao Fluminense no duelo de volta no Rio de Janeiro. Afinal, em casa os tricolores devem mesmo passar por cima do Emelec e seguir adiante na Libertadores. Mas sobretudo nesta ida à Guayaquil, fica uma lição: que a América é cruel e ingrata. E situações como essa em que o árbitro decide um confronto assinalando um pênalti inexistente sempre vão acontecer. Basta não correr riscos desnecessários e jogar sempre no seu poder máximo.

Pois a Libertadores não dá tempo e nem premia quem entra em campo com arrogância. Não que essa tenha sido a postura do Flu, mas o recado está dado.