O início de temporada era promissor ao Manchester City. Depois de sair perdendo para o Chelsea, a equipe de Roberto Mancini protagonizou uma virada contundente para conquistar a Community Shield. A atuação incisiva nos 15 primeiros minutos do segundo tempo trazia consigo o título, como também a expectativa de um time ainda mais forte na briga pelo bicampeonato inglês. Todavia, os dez jogos seguintes demonstraram mais os vícios que as virtudes daquele primeiro encontro e já deixam em dúvida o potencial dos Citizens.

Por mais que o time não convença, a situação na Premier League não preocupa. A terceira colocação, com direito a invencibilidade mantida, é até lucro pelo que o Man City tem feito. A tabela inicial ajuda a explicar esse desempenho, já que Arsenal e Fulham são os únicos adversários que atualmente aparecem na metade superior da tabela. Em contrapartida, a Copa da Liga foi o primeiro papelão, com a eliminação para o Aston Villa. E temor maior é de um novo vexame na Liga dos Campeões.

Apesar da derrota no Bernabéu, a recuperação do time no segundo tempo ajudou a apagar o péssimo início na estreia, contra o Real Madrid. Porém, o time deve remoer por um bom tempo a atuação apática ante o Borussia Dortmund. Em casa e contra o principal adversário pela vaga na próxima fase, os Citizens tinham a obrigação de vencer, mas ficaram aliviados ao arrancarem o empate nos minutos finais.

Ter que correr atrás do resultado, aliás, tem sido uma constante para o City em 2012/13. Em oito das 11 partidas o clube ficou atrás no placar em algum momento – em duas delas, terminou com a derrota. Sinal dessa letargia, dos 23 gols marcados pelos Citizens, 16 deles saíram apenas no segundo tempo.

A raiz das dificuldades é explicada pela inconstância nas opções táticas de Roberto Mancini. A busca de uma variabilidade no estilo de jogo é interessante. O problema foi o lançamento precipitado do 3-5-2, que não apresentou equilíbrio nas três vezes em que foi utilizado. Para piorar a situação, o 4-2-3-1 – alternado com o 4-4-1-1 – não vem sendo tão funcional quanto na temporada passada.

O jogo pelas pontas e a velocidade nas saídas ao ataque, duas das forças na conquista do título inglês, têm sido bem neutralizados pelos adversários. O City é o segundo time com maior posse na EPL e, ainda assim, o que menos mantém a bola em seu campo defensivo. Além disso, a equipe é a que mais troca passes curtos na competição, o que indica mais cadência de jogo e menos agressividade nas incursões ofensivas.

Com essa mudança de estilo, os gols acabam saindo mais pela pressão do que pela fluidez do ataque. A bola parada vem sendo vital, originando seis dos 15 gols na liga – isso porque os Citizens registram altíssima média de 19 finalizações por jogo. Tão decisivo quanto, apenas Carlos Tevez. A pré-temporada bem feita é refletida pelo atacante, autor de quatro tentos e de quatro assistências em dez partidas.

O empenho dos homens de frente tem compensado os problemas da defesa. Por conta da indecisão de Mancini, o setor teve nove formações titulares diferentes nas 11 partidas de 2012/13. O companheiro de Kompany alterna a cada rodada. Zabaleta e Maicon brigam por um lugar na lateral direita, enquanto Kolarov tem sido a solução para a péssima fase vivida por Clichy. A única certeza é Joe Hart, que vai fazendo a diferença para evitar o pior, sobretudo na Champions. O inglês é o goleiro que mais trabalhou nas duas primeiras rodadas da LC, somando 19 defesas, a maioria de extrema dificuldade.

Ao menos o susto sofrido contra o Dortmund parece ter servido para despertar o Manchester City. Antes do jogo contra o Sunderland, neste sábado, Mancini afirmou que sabia quais eram as falhas e como resolvê-las. Dito e feito. A equipe teve sua melhor atuação na Premier League. Os 3 a 0 no placar ficaram baratos, diante do bombardeio promovido pelo time no Etihad Stadium e da boa atuação do goleiro Mignolet. Tevez, Balotelli e David Silva deram bastante mobilidade ao ataque. Milner foi excelente como cabeça de área. E Kolarov acabou como o melhor em campo, participando dos três gols do time.

Mais importante, entretanto, foi ter passado os 90 minutos contra os Black Cats sem sofrer um gol sequer, o que não tinha acontecido nos dez jogos anteriores. A marca serve para aumentar a confiança na perseguição ao Chelsea, a quatro pontos de distância na liderança. Ainda assim, a equipe precisará de mais para clarear seu caminho na Liga dos Campeões. As vitórias sobre o Ajax serão fundamentais para que os Citizens suportem o Real Madrid no Etihad Stadium e tenham tranquilidade na rodada final, quando enfrentam o Dortmund na Alemanha. Só então será possível avaliar o quão caro custará este errante início de temporada.

Curtas

Premier League

– No principal jogo da rodada, o Manchester United foi imponente contra o Newcastle. Os dois gols marcados nos primeiros 15 minutos ajudaram, mas a postura do time foi o que mais impressionou. Os volantes dificultavam a saída de bola dos Magpies, enquanto o quarteto formado por Van Persie, Rooney, Kagawa e Welbeck sufocava no ataque. Também a melhor atuação dos Red Devils após sete rodadas.

– O Chelsea, por sua vez, impressionou pela facilidade em marcar gols contra o Norwich. Apesar do susto inicial, os Blues poderiam ter anotado bem mais que quatro tentos. Porém, a partida também serviu para Roberto Di Matteo ficar atento a algumas fragilidades defensivas, em especial a falta de proteção pelos flancos.

– O Queens Park Rangers terá 13 dias para colocar a ordem na casa. A derrota para o West Brom deixou a situação ainda mais instável e Mark Hughes precisará trabalhar duro para mostrar que seus novos contratados podem render. Caso contrário, mesmo com o apoio dos donos do clube, a demissão poderá vir até o fim do mês, quando os londrinos enfrentam Everton e Arsenal em sequência.

– O West Ham deu certo aperto, mas o Arsenal chegou a terceira vitória na EPL. Olivier Giroud e, mais uma vez, Santi Cazorla foram responsáveis diretos pela ótima produção ofensiva, enquanto Gervinho não rendeu tanto quanto nas últimas partidas. Nas próximas três rodadas, os Gunners enfrentam os três clubes que atualmente ocupam a zona de rebaixamento, o que deve impulsionar o time na tabela.

– Depois de uma excelente atuação na primeira vitória, o ataque do Liverpool deixou a desejar contra o Stoke City. Os Reds tiveram a bola e souberam se postar de forma ofensiva. As três bolas na trave atrapalharam, mas não tanto como os excessivos cruzamentos sem alguém que pudesse aproveitar.

– O Tottenham se encaminha na disputa por uma vaga na Liga dos Campeões, como de costume nas últimas temporadas. A evolução do time de André Villas-Boas nas últimas rodadas é gradativa, como demonstrado contra o United na rodada passada ou segundo tempo da vitória sobre o Aston Villa no domingo. O dérbi contra o Chelsea na próxima rodada poderá ser determinante para um salto de qualidade ainda maior.

Liga dos Campeões e Liga Europa

– Além do empate do Man City, os outros três ingleses venceram na rodada da Champions. Contudo, não demonstraram grande esforço para tanto. Chelsea, United e Arsenal passaram certos apuros, mas fizeram o básico para vencer. Destaque para os dez minutos finais arrasadores dos Blues – depois de Cech salvar contra o Nordsjaelland.

– Já na Liga Europa, mesmo empurrando com a barriga, o Newcastle tem grandes condições de conseguir a classificação. O Tottenham pode ter um pouco mais de dificuldades em um grupo ao lado da Lazio, mas garantir as vitórias em White Hart Lane, onde AVB deve escalar boa parte de seus titulares, deve ser suficiente para a classificação.

Championship, League One e League Two

– A disputa pela primeira colocação na Championship anda bastante apertada. A liderança é do Cardiff City, um ponto à frente do Leicester, que vem de cinco vitórias consecutivas. Logo na sequência da tabela, Wolverhampton e Crystal Palace vem de boas sequências nos últimos jogos.

– Três invictos ainda sobrevivem na League One: o primeiro colocado Tranmere Rovers, além de Stevenage e Sheffield United. Com sete pontos nos últimos nove disputados, o Portsmouth se distanciou da zona de rebaixamento. Já na League Two, a ponta da tabela é do Gillingham.