Claudio Marchisio parou de jogar futebol cedo. Depois de rescindir contrato com o Zenit, chegou a explorar um pouco o mercado – descartando clubes italianos para não trair sua ligação com a Juventus -, mas sabia que estava próximo do fim. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, disse que parte da decisão, tomada aos 33 anos, foram os feitos da séria lesão no joelho que sofreu durante um jogo contra o Palermo, a ruptura do ligamento cruzado anterior. Depois daquilo, nunca mais foi o mesmo.

“Até você passar por isso, não consegue entender o que é ter uma lesão desse tamanho. Depois disso, tudo mudou para mim: correr, me mexer, reagir. O cérebro diz que você não é mais o mesmo jogador”, disse. “Não significa que você não pode voltar a jogar em alto nível porque outros fazem isso. No entanto, muda muitas coisas”.

“Para fortalecer meu joelho, eu tive que ganhar peso, especialmente nas minhas pernas, e não tinha mais a mesma agilidade de antes. Eu tive que mudar meu jeito de jogar. Quando você cai no chão, naqueles segundos, você pensa mais na dor do que no que vem depois”, completou.

A lesão tirou Marchisio da Eurocopa de 2016. Jogou pouco nas duas temporadas seguintes pela Juventus e fez apenas 15 partidas pelo Zenit. “Teria sido meu último torneio internacional e, nesses momentos, você percebe que tudo mudou. Foi difícil”, disse.

Disse que no último ano da sua carreira, na Rússia, estava claro que ele teria que se aposentar. “Chegou a um ponto em que eu não tinha mais cartilagem no meu joelho, e os ossos da tíbia e do fêmur ralavam entre si. Continuei jogando porque pensei que era uma dor aceitável, mas eu tinha que fazer outra operação, senão corria o risco de ter que substituir meu joelho quando tivesse 40 anos”, disse.

“Quando você vê certos fatos, não pode pensar apenas em futebol, mas você tem que pensar na sua vida. Eu não poderia me enganar. Minha cabeça continuava querendo jogar, mas meu corpo não conseguia mais”, encerrou.

Marchisio fez 389 jogos pela Juventus, em uma relação que durou 25 anos, com sete títulos italianos e quatro da Copa Itália. Também atuou 55 vezes pela seleção italiana, em duas Copas do Mundo, de 2010 e 2014.