Em um futebol no qual cobra-se mais, e depressa, e sem erro, o tempo de ascensão de um fenômeno pode ser tão instantâneo quanto o de seu ostracismo. Renato Sanches é um caso evidente. Poucos meses bastaram para surgir estrondosamente no Benfica e conquistar a Euro como se jogasse no quintal de sua casa. Alguns meses a mais se desenrolaram para que ele permanecesse esquentando o banco do Bayern de Munique. Mais outros, para que não desse certo nem mesmo no Swansea. O prodígio parecia um investimento alto jogado fora, sem justificar sua permanência na Baviera. No entanto, em um mercado modesto dos alemães, não só ficou, como foi reintegrado pelo técnico Niko Kovac. E a “Lei do Ex” não poderia ser mais efetiva do que no Estádio da Luz: reencontrando o Benfica, Renato reestreou pelo Bayern. Achou por lá também o futebol perdido e foi o personagem na vitória por 2 a 0 sobre os encarnados, participando de um belíssimo tento coletivo para fechar o placar na rodada inaugural da Liga dos Campeões.

Renato Sanches era a grande novidade na escalação do Bayern, que mantinha a maioria de seus medalhões entre os titulares. A efetividade dos visitantes no início da partida, porém, fez toda a diferença. Os bávaros não tinham necessariamente a posse de bola, com o Benfica tentando se postar no ataque e pressionar a saída, mas eram bem mais agressivos na hora de atacar. Conseguiam administrar as dificuldades, bem como não passavam grandes apuros na defesa. Logo aos dez minutos aconteceu o primeiro gol. Méritos totais de Robert Lewandowski para encontrar o espaço na marcação e finalizar com maestria. Além disso, o goleiro Odysseas Vlachodimos evitou que os visitantes ampliassem. Já do outro lado, os encarnados deram um calor principalmente nos 15 minutos finais, quando souberam controlar melhor seu jogo. Na principal chance, Manuel Neuer buscou no canto.

O jogo não mudou muito de figura na volta do intervalo. O que fez a diferença foi a incisividade do Bayern para garantir o resultado logo. E o segundo gol, aos nove minutos, saiu a partir de um contragolpe excepcional. Jogadaça que começou com um passe de letra de Arjen Robben, mas teve Renato Sanches como protagonista. O jovem arrancou por todo o campo e, depois da sequência de passes, apareceu dentro da área para concluir o cruzamento de James Rodríguez. Em respeito à antiga torcida, preferiu não comemorar e arrancou aplausos dos encarnados. O lusitano não anotava um tento justamente desde os seus tempos com os benfiquistas. Já na reta final da partida, o que se viu foi uma pressão dos anfitriões, insistindo bastante para diminuir a diferença. Melhor para os bávaros, que se concentraram na defesa e seguraram o resultado com ótima atuação de seus homens atrás.

A vitória reforça o favoritismo do Bayern no Grupo E, que possui seus clubes tradicionais, mas nenhum à altura do poderio dos bávaros. Nunca o clube havia batido o Benfica no Estádio da Luz e já conquista três pontos naquele que poderia ser o duelo mais complicado da chave. Mais importante que o resultado, no entanto, é a maneira como Renato aproveita a ocasião. Aos 21 anos, ele tem tempo para se recuperar, mas as duas temporadas frustrantes que viveu desde a Eurocopa deixaram muitas desconfianças. O gol no Estádio da Luz não pode ser um mero brilhareco se o jovem quiser mesmo aproveitar todo o seu potencial. Ao menos, a atuação decisiva e intensa deve render mais espaço na sequência da temporada. A maneira como preencheu o campo e participou das jogadas valeu elogios, inclusive de Niko Kovac. A chance está posta na Allianz Arena.


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