O árbitro de vídeo será uma realidade na A-League, o Campeonato Australiano, a partir deste dia 7 de abril. Será a primeira liga de primeira divisão do mundo a usar o chamado VAR (Video Assistant Referee, “Árbitro Assistente de Vídeo”, em tradução livre). Uma das preocupações, segundo a Federação de Futebol da Austrália (FFA), é o tempo de para que as decisões sejam tomadas.

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A FFA tem treinado árbitros e feito testes em divisões inferiores há seis meses. Os árbitros estão sendo treinados no sistema e até agora 10 partidas da A-League foram usadas como testes offline, quando o VAR não tem contato algum com o árbitro principal, mas faz relatórios sobre quais lances teria alertado o árbitro principal.

Ben Wilson, diretor de arbitragem da FFA, está confiante que a maior parte dos problemas foi resolvida durante os testes. Para ele, a maior parte das decisões será tomada de forma eficiente e rapidamente, mas estão preparados para esperar pelo tempo necessário para tomar a decisão correta. Ainda que isso signifique parar um pouco mais o jogo.

“O principal objetivo é tomar a decisão certa, então esta é a primeira prioridade. Se isso levar um pouco mais de tempo, então tudo bem”, afirmou Wilson. “Não há limite de tempo, mas a expectativa é que todas as decisões sejam tomadas em 30 e 40 segundos”, explicou.

O VAR só se envolverá em corrigir erros claros, ajudar com cartões vermelhos, pênaltis, impedimentos e casos de erros de identidade do jogador (quando um jogador faz a falta e outro recebe o cartão por engano, por exemplo). Nos testes offline, o VAR só interveio duas vezes por jogo, em média. Eles funcionam como assistentes do árbitro principal e não têm poder de sobrepor a decisão do árbitro de campo, que é quem tem a última palavra. O papel do VAR será apenas informar ao árbitro nas situações citadas.

Quando a decisão do árbitro for interpretativa, o VAR não irá intervir quando o caso não for de um lance claro. “Nós queremos apenas corrigir os erros claros. Se há uma decisão que não é interpretativa porque está claramente errada, eles são quem podem corrigir”, declarou Wilson. “Os árbitros de vídeo estão ali para mínima interferência e e estão ali apenas para se envolver quando haverá máximo benefício para o futebol ao mudar uma decisão claramente errada”, explicou ainda o diretor de arbitragem da FFA.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, apoia o uso da tecnologia e depois de testar no Mundial de Clubes, no fim do ano, e também no amistoso entre França e Espanha, na última data-Fifa, semana passada. A Espanha venceu por 2 a 0, com um gol da França inicialmente validado anulado após revisão pelo árbitro de vídeo e também um gol da Espanha validado, depois de inicialmente ter sido anulado por impedimento que o vídeo mostrou não existir. A ideia é Infantino é usar o VAR na Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Certamente haverá um tempo de ajuste não só para acertar no tempo das decisões, a ponto de não perder o ritmo do jogo, mas também para tornar a experiência transparente para quem vai ao estádio. Será importante integrar o torcedor ao que está acontecendo, seja por telões, seja por auto-falantes. Mostrar o replay que fez o árbitro rever a decisão nos telões do estádio seria uma boa medida para que o torcedor no estádio também se sinta parte do processo.

Este, aliás, foi um dos pontos mais criticados no teste realizado no amistoso entre França e Espanha, no Stade de France, com os torcedores no estádio sem saberem o que acontecia enquanto o árbitro reverteu decisões pelo auxílio do árbitro de vídeo. A experiência do torcedor no estádio não pode ser afetada. Em casos em que não houver telão, seria importante ao menos que os auto-falantes informassem o que aconteceu.

Vale lembrar que a CBF foi uma das primeiras federações nacionais a pedir para usar a tecnologia no futebol. A aprovação da Fifa fez com que muitas federações, como a holandesa, já se interessassem em usar. Outras ligas estão estudando e é possível que vejamos, a partir da próxima temporada, mais ligas usando a tecnologia. E a CBF, que foi uma das que pediu para usar, desistiu para o Campeonato Brasileiro de 2017. O motivo? Grana. Alegou não ter grana. Logo ela, a entidade que tem mais de R$ 300 milhões em faturamento anual e que tem, ou deveria ter, a obrigação de cuidar dos seus campeonatos.

O jogo que irá inaugurar o sistema na A-League será entre Melbourne City e Adelaide United, neste dia 7 de abril. O jogo será válido pela 26ª rodada da A-League, que tem o Sidney FC como líder com 62 pontos, seguido pelo Melbourne Victory com 45. O Adelaide United é apenas o oitavo colocado, enquanto o Melbourne City é quarto.