A LDU Quito experimentou o seu ápice naquela noite histórica de 2008 no Maracanã, em que conquistou a Copa Libertadores em cima do Fluminense. A glória duraria um pouco mais, também com o título da Copa Sul-Americana no ano seguinte. Porém, desde então, as campanhas dos Albos no principal torneio continental vinham sendo tímidas. Foram cinco aparições na Libertadores depois do feito, no máximo alcançando as oitavas de final em 2011. Por isso mesmo, a atual caminhada representa tanto aos equatorianos. Pela primeira vez em 11 anos, a LDU se coloca entre os oito melhores do continente. E a classificação veio com o suado empate por 1 a 1 contra o Olimpia, após enorme pressão no Defensores del Chaco.

A vitória por 3 a 1 no Estádio Casa Blanca facilitou bastante o caminho da LDU. E o time ficou em uma situação ainda mais cômoda aos 20 minutos em Assunção, quando Jhojan Julio abriu o placar, aproveitando um enorme cochilo da zaga adversária. Por mais que contasse com o apoio de sua torcida, responsável por um belíssimo mosaico durante a entrada em campo e que manteve uma grande atmosfera na sequência da noite, o Olimpia teria uma missão dificílima, precisando anotar quatro gols e não tomar mais nenhum. William Mendieta até descontou aos 35, em sobra de bola na pequena área, mas seu pênalti batido para fora no início do segundo tempo não ajudou.

A LDU, por sua vez, precisou se defender com um homem a menos durante mais de 40 minutos, após a expulsão do próprio Jhojan Julio. Teve mais garra do que organização para conter os ataques dos anfitriões, com muitos cruzamentos alçados na área. No fim das contas, a segunda etapa marcou um calvário ao Olimpia, com um abafa incessante, mas também um caminhão de chances desperdiçadas, que incluíram duas grandes defesas do goleiro Adrián Gabbarini e até mesmo uma bola salva em cima da linha. Não era para acontecer. A boa campanha na fase de grupos termina de forma tão melancólica.

Um histórico Olimpia, tricampeão paraguaio, ainda fica devendo uma trajetória mais digna na Copa Libertadores. A LDU, por sua vez, marca o seu ressurgimento após o título nacional de 2018 e, mesmo correndo por fora, pode incomodar na sequência do torneio. Além da altitude de Quito, há um time jovem e com muita força física, que ainda se complementou com a liderança de Antonio Valencia durante a pausa para a Copa América. Diante da campanha modesta no Campeonato Equatoriano, a Libertadores vira a prioridade total aos Albos. O problema será encarar Boca Juniors ou Athletico Paranaense nas quartas de final, na tentativa de dar mais um passo na empreitada continental.