Simone Inzaghi prometeu na coletiva prévia ao jogo no San Siro. A Lazio faria uma performance melhor do que a que havia feito na derrota diante do Chievo, no sábado. E assim aconteceu, com o time da capital tendo uma atuação segura contra o Milan e conquistando a vitória e a classificação no segundo tempo com um gol solitário de Joaquín Correa. Mas o destaque da partida voltou a estar bem longe dos gramados. A torcida da Lazio apresentou antes e durante o jogo o que de pior tem para mostrar.

Primeiramente, no início do dia, os Irriducibili estenderam uma faixa com a frase “Honra a Benito Mussolini” em meio a Piazzale Loreto, local onde o ditador foi exposto após ser executado ao fim da Segunda Guerra. A ação acontece justamente um dia antes do feriado de 25 de abril, que comemora a libertação do país do fascismo. A ação do ultras da Lazio já era esperada, inclusive. A federação italiana enviou representantes ao San Siro para observar potenciais comportamentos inadequados. Ao menos, ainda antes do jogo começar, 22 homens que participaram da cena foram identificados e presos.

Em volta do estádio, mais manifestações, dessa vez tendo o volante Tiemoué Bakayoko como principal alvo. No último confronto entre as duas equipes há dez dias com vitória do Milan, pela Serie A, o francês foi acusado de desrespeitar a Lazio ao comemorar a vitória com a camisa do zagueiro rival Francesco Acerbi. Injustificavelmente, os torcedores cantavam “essa banana é para Bakayoko”. A absurda provocação prosseguiu nas arquibancadas ainda durante o aquecimento dos jogadores. Quando a partida começou, Bakayoko e o meia Franck Kessié eram vaiados pela torcida visitante.

Voltando ao que realmente deveria ser o foco, a partida teve grande domínio ofensivo da Lazio, que criou mais oportunidades de gol com 4 finalizações no gol durante a primeira etap. A Lazio ainda perdeu um de seus principais jogadores com menos de dez minutos, com Milinkovic-Savic saindo lesionado após sofrer um drible de Suso. No fim da primeira etapa, o Milan também foi forçado a mexer no time por lesão, com Davide Calabria dando lugar a Andrea Conti.

Na etapa final, a Lazio foi ainda melhor, sendo incisiva e permitindo ao Milan apenas um domínio estéril e com 12 minutos encontrou o gol que tanto esperava marcar, já que após o empate sem gol da ida, marcar no San Siro obrigaria o Milan a fazer pelo menos dois gols para não ser eliminado. Ciro Immobile puxou o contra-ataque e avançou por mais de 40 metros antes de soltar a bola para Correa, que com uma frieza impressionante tocou a bola por debaixo das pernas de Pepe Reina, que vinha sendo o principal destaque dos donos da casa. Fora de campo, o coro racista dos torcedores visitante seguia sem problemas. O locutor do estádio deu o aviso padrão de que o jogo poderia ser interrompido, mas os ouvidos de quem comanda o espetáculo seguiram tampados.

Sem forças para uma reação, o Milan sem criatividade de Gennaro Gattuso teve de engolir a classificação da Lazio para a final da Coppa Italia pela terceira vez nos últimos cinco anos e aguarda o vencedor de Atalanta e Fiorentina. Resta esperar também, uma atitude enérgica da federação italiana para mais este caso de racismo no calcio.