Muito se questionava a Juventus por suas últimas campanhas europeias. Os tricampeões italianos decepcionaram na Champions seguidas vezes. Algo que pareceu se repetir neste ano, com a campanha cambaleante na fase de grupos. Entretanto, diz-se que os grandes times realmente dão as caras nos mata-matas. O que os bianconeri fizeram. Bateram o Borussia Dortmund em Turim e não se intimidaram com o barulho da torcida no Signal Iduna Park. Em uma noite gigantesca de Carlitos Tevez e do sistema defensivo da Velha Senhora, a vitória por 3 a 0 dentro da Alemanha renova as expectativas sobre o time.

O espetáculo do Dortmund só aconteceu antes de a bola rolar. Na entrada dos times, a Muralha Amarela fez um lindo mosaico para homenagear o título da Champions de 1997, sobre a própria Juve. Mas, como o próprio Jürgen Klopp disse na véspera, passado não ganha jogo. E tão perfeita quanto a arte dos torcedores foi a entrega dos italianos. Funcionaram como uma máquina, explorando os contra-ataques e subindo a verdadeira muralha na entrada da área. Se Klopp já sabia que não teria muitos espaços, os visitantes não deram um sequer.

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Se quisesse avançar sem maiores percalços, o Borussia Dortmund sabia que não poderia sofrer gols. Mas o objetivo dos aurinegros foi por terra com apenas três minutos, graças ao talento de Tevez e a pequenos erros da defesa, que voltou a repetir falhas da campanha ruim na Bundesliga. Uma bola mal afastada por Subotic na lateral do campo acabou nos pés dos italianos. E o camisa 10 não pensou duas vezes na hora de arriscar a gol, da entrada da área. Lindo chute na direção certa do ângulo, mas que também contou com a colaboração de Weidenfeller, que chegou atrasado na bola após ser surpreendido.

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Por outro lado, o gol era tudo aquilo que a Juventus queria para fazer o seu jogo. No próprio Campeonato Italiano é assim que costuma acontecer: o time espera uma mísera chance para garantir o resultado, enquanto se defende à perfeição. Tão cedo, contra um adversário tão perigoso no ataque, era o que os bianconeri mais precisavam. Assim, as duas linhas de quatro jogadores montadas por Massimiliano Allegri não davam brechas aos alemães. Destaque principalmente para Evra e Lichtsteiner, trabalhando bastante nas laterais. E o suíço ainda quase anotou o segundo, exigindo excelente defesa de Weidenfeller.

A Juventus teve uma péssima notícia aos 27 minutos, quando perdeu o seu maior talento: Pogba sentiu uma lesão muscular e precisou ser substituído. A deixa para que Allegri fechasse ainda mais o time, com a entrada de Barzagli. O Dortmund tinha o domínio da bola e a iniciativa, mas só conseguia ter um pouco mais de espaço pelas laterais, com Kampl e Reus. Acabava se limitando aos muitos cruzamentos, todos rechaçados pela defesa juventina. Buffon pouco precisou trabalhar, mantendo a tranquilidade quando exigido.

Na excelente partida tática da Juventus, Vidal se sobressaía demais. O chileno relembrou os seus melhores momentos no clube, antes das seguidas lesões, dominando o meio-campo com grande soberania e matando as melhores jogadas dos adversários com firmeza nas divididas. Sem Pirlo ou Pogba, assumia a liderança do time com enorme propriedade, em um primeiro tempo impecável dos italianos.

Arturo Vidal, Marcel Schmelzer

O início do segundo tempo esteve ainda mais favorável à Juventus. Se nos primeiros 45 minutos Hummels anulou qualquer tentativa de contra-ataque, jogando praticamente sozinho na zaga, os visitantes começaram a encaixar as jogadas rápidas na volta do intervalo. Foram duas boas chances de Morata, que parou em boas intervenções de Weidenfeller. Na primeira, inclusive, Tevez atraiu e conseguiu passar por quarto marcadores aurinegros, que se esqueceram de marcar o espanhol. Enquanto isso, o Dortmund rodava a bola sem saber o que fazer com ela, diante da maneira como a Velha Senhora os sufocava nas proximidades da área.

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Cada vez mais, o Dortmund parecia sem forças. Aos 20 minutos, Klopp tentou dar novo gás ao time, colocando Kuba e Adrián Ramos nos lugares de Sven Bender e Mkhitaryan – em outra péssima noite do armênio, desperdiçando até mesmo um excelente contra-ataque. Não adiantou muito. Por mais que os aurinegros ganhassem presença de ataque, se expunham aos contragolpes ainda mais. Coube, então, a Morata matar a partida cinco minutos depois. A partir de um lindo lançamento de Marchisio, Tevez arrancou e, na saída de Weidenfeller, rolou para o espanhol apenas estufar as redes.

E, com o Dortmund vendido, a Juventus ainda teria tempo para marcar mais um. Muito bem na substituição de Pirlo, Roberto Pereyra fez as vezes de garçom e enfiou a bola para Tevez por entre a defesa. Na frente de Weidenfeller, o argentino deixou o goleiro vendido e anotou o seu segundo gol. Instantes antes de ser substituído, merecendo uma enorme salva de aplausos. A partir de então, os dois lados pareciam mais interessados em fazer o tempo correr. Cessar logo a dor dos alemães e iniciar de vez a festa dos italianos, que comemoraram junto ao pequeno setor de sua torcida no estádio.

A Juventus pode até ser inferior que outros favoritos à Champions. Mas, depois da partida desta quarta, mostra que sonhar com a final é bastante possível. Com o tetra italiano praticamente decidido, o time deve concentrar todas as suas forças no torneio continental. E possui virtudes para derrubar gigantes. Em uma atuação tão concentrada como esta, a defesa demonstrou capacidade para brecar grandes ataques – tanto que o Dortmund sequer ameaçou Buffon. Já no ataque, possui talento para desequilibrar. Tevez, o principal deles, ainda que o retorno de Pogba e Pirlo possa ser valioso. O Chelsea de 2012, por exemplo, provou que é possível levantar a taça assim. E a Juve não deve nada àquele time dos Blues.