As expectativas para a Copa Ouro de 2015 eram maiores que o comum nos Estados Unidos. Afinal, o país entrou em relacionamento sério com o futebol desde a Copa do Mundo de 2014. A boa campanha do US Team causou uma grande mobilização nacional. Já nos últimos meses, grandes estrelas começaram a desembarcar na Major League Soccer. Melhor, o time de Jürgen Klinsmann conquistou vitórias históricas sobre Holanda e Alemanha, com um futebol ofensivo. E o título da seleção feminina criou a atmosfera perfeita para empurrar também os homens. Até esta quarta, naquela que talvez seja a maior zebra já sofrida pelos americanos. Em Atlanta, a Jamaica fez os sonhos dos EUA irem por terra e venceram por 2 a 1, chegando a uma inédita final do torneio. E, pior, relegando o US Team à amarga decisão do terceiro lugar.

Os Estados Unidos faziam uma campanha consistente na Copa Ouro, mas longe da dominância que se sugeria. Passaram da primeira fase com duas vitórias sobre a vantagem mínima contra Honduras e Haiti, além de um empate diante do Panamá. Já nas quartas de final, a goleada por 6 a 0 sobre Cuba disse muito pouco, diante de uma seleção repleta de jogadores amadores. A Jamaica, ainda que estivesse abaixo do nível de alguns dos adversários da fase de grupos, seria um desafio real. No qual os americanos fracassaram, muito por conta de seus próprios erros.

O jogo estava sob controle do time de Jürgen Klinsmann desde os primeiros minutos, apesar das poucas chances criadas. No entanto, aos 31 minutos, Mattocks abriu o placar para a Jamaica a partir de uma longa cobrança de lateral. E logo depois o choque se deu por completo, a partir de uma cobrança de falta que Barnes mandou no ângulo. Mesmo antes do intervalo, o US Team passou a exercer pressão contra a defesa dos Reggae Boyz. Michael Bradley diminuiu a diferença aos três minutos do segundo tempo, mas o desespero dos americanos não ajudou na precisão dos arremates. Por mais que o time sufocasse e os visitantes demonstrassem claras limitações, a vitória permaneceu com os caribenhos. Para um dia histórico ao futebol da Jamaica.

Sem ter grandes destaques individuais, a Jamaica aproveitou bem a preparação rumo à Copa Ouro. Do elenco que disputou a Copa América (e, de fato, apresentou um futebol parco), 17 atletas seguiram para a disputa nos Estados Unidos. Ajudou os Reggae Boyz a fazerem uma primeira fase tranquila, passando com sobras na liderança em um grupo equilibrado – com Costa Rica, El Salvador e Canadá. Já nas quartas, bateram o Haiti até a noite de glória diante dos Estados Unidos. Em dez participações anteriores no torneio, os jamaicanos nunca haviam passado das semifinais, nas quais caíram duas vezes. E por mais que México ou Panamá apresentem força para decisão, os caribenhos já deixaram de ser azarões.

Os Estados Unidos, em contrapartida, sofreram apenas a oitava derrota em toda a sua história na Copa Ouro, em um total de 66 jogos. Por mais que as goleadas tomadas para o México nas finais de 2009 e 2011 sejam muito sentidas, o tamanho da queda desta vez é bem maior. Não interrompe o bom trabalho que Klinsmann faz à frente da seleção, mas serve para repensar algumas coisas. Afinal, os americanos não poderão ratificar a boa fase com uma taça.