Os gols fora de casa podem não ser o critério de desempate perfeito, mas são válidos dentro de sua lógica. Premiam os times que se protegem bem na defesa em seu campo, bem como os que partem para o ataque em terreno hostil – revertendo a lógica dos visitantes retranqueiros. Quem sabe jogar em cima disso, pode se dar muito bem na busca da classificação. O problema é análise deturpada que muita gente acaba tendo por causa dos gols fora. É bom levá-los em conta, mas a vitória e o saldo de gols ainda são mais importantes para desempatar os confrontos.

Bons exemplos para a discussão foram dados pela rodada de quarta-feira. O São Paulo bateu o Atlético Nacional de maneira sofrida no Morumbi. Vitória por 3 a 2, na qual a defesa vacilou as duas vezes para deixar os colombianos empatarem e Antônio Carlos foi o herói. Resultado ruim? Não é. Se o São Paulo empatasse, sim, pois botava pressão para o time fazer gols em Medellín na volta. Mas, do jeito que acabou o jogo, o Tricolor tem até a vantagem do empate. Uma vitória é igual por 1 a 0 ou por 7 a 6 – e, dentro do regulamento da Copa Sul-Americana, mais importante que um caminhão de gols fora.

Na Copa do Brasil, a mesma discussão pode ser aplicada entre Flamengo e Goiás. Os rubro-negros conquistaram um baita resultado porque venceram os anfitriões no Serra Dourada, não porque marcaram dois gols como visitantes. E é bom os flamenguistas levarem isso em consideração, já que os gols fora já enganaram o clube muitas vezes e, no ritmo do ‘oba-oba’, a equipe amargou vexames no Maracanã – a final da Copa do Brasil de 2004, contra o Santo André, e as oitavas da Libertadores de 2008, ante o América do México, são os exemplos mais claros. Antes de pensar na classificação, o Fla precisa fazer o resultado favorável.

Já do outro lado da chave, o Atlético Paranaense conquistou aquele que muitos consideram o ‘resultado ideal’ em casa. Bateu o Grêmio por um magro 1 a 0 na Vila Capanema. Assegurou o direito a qualquer empate em Porto Alegre, assim como qualquer derrota por um gol de diferença, desde que balance as redes uma vez. Mas o que garantiu a tranquilidade para a viagem ao Rio Grande do Sul foi a vitória, não a diferença de gols ou o placar.

Pensar em manter a defesa invicta em casa ou partir pra cima fora pode ser uma estratégia para a classificação. De qualquer forma, a mais importante delas ainda é a vitória. A matemática é simples. Fazer mais gols que o adversário garante o triunfo de qualquer forma, partida cheia de gols como mandante ou placar magro como visitante. E é exatamente por isso que são-paulinos, flamenguistas e atleticanos estão em vantagem para a volta – mesmo que os paulistas tenham ficado de sobreaviso, enquanto cariocas e paranaenses tem uma tranquilidade que, se excessiva, irá ser mais prejudicial do que vantajosa.