A história de Carmen Martínez se tornou célebre há um ano. A idosa de 85 anos foi despejada de sua casa, em Madri, por conta de uma dívida não paga por seu filho. Entretanto, a notícia sobre suas dificuldades se espalhou pela vizinhança e chegou ao representante mais famoso do bairro de Vallecas, o Rayo Vallecano. Os membros do clube se prontificaram a ajudar a senhora, pagando o aluguel de um apartamento até o fim da vida de Carmen. Corrente que ainda ganhou sequência, quando a mulher doou parte do dinheiro que lhe sobrou a Wilfred Agbonavbare, ex-goleiro da equipe que lutava contra um câncer. Infelizmente, o nigeriano não sobreviveu.

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Os episódios são emblemáticos para representar a identidade do Rayo Vallecano. Sufocado na própria cidade por gigantes como Real Madrid e Atlético de Madrid, o clube se agarrou às suas raízes e leva os valores locais adiante, encravado em um bairro operário na periferia da capital espanhola. Enfrentou graves dificuldades financeiras, ajudado por seus vizinhos e por sua torcida. Reergueu-se da terceira divisão há sete anos, tornando-se hoje uma equipe estável na primeira divisão. Agora, os franjirrojos aproveitam  que suas contas também estão em dia para ajudar Vallecas e seus moradores, em meio ao desemprego que assola a Espanha nos últimos anos.

“Futebol é mais que apenas um esporte. Serve para educar, serve para conscientizar, serve para orientar as lutas por causas que cremos que precisam ser abraçadas e muitas vezes acabam esquecidas”. A frase resume muito bem o espírito do Rayo, tratado no documentário abaixo, produzido pelo jornal inglês The Guardian. Os áudios e legendas estão em inglês e espanhol. O vídeo é de setembro, o que não invalida a grande história que conta: