A muitos atletas, os 30 anos significam o auge. A idade perfeita para combinar os atributos físicos que ainda não se esvaíram, a qualidade técnica e a experiência. Anderson, porém, chega à sua terceira década de vida escancarando como perdeu o bonde da história após surgir como um fenômeno. Após seguidas frustrações nos últimos anos, o meio-campista se mudou para a Turquia. Mas não vai defender um dos clubes grandes do país ou sequer disputar a primeira divisão. Ele foi contratado pelo Adana Demirspor, da segundona, assinando contrato pelas próximas três temporadas. O sinal maior de uma carreira que não vingou.

O Anderson que surgiu no Grêmio e nas seleções de base era daqueles talentos mais prazerosos de se assistir. Um jogador insinuante, de dribles e jogadas incisivas, que ampliou a sua aura após o papel decisivo na Batalha dos Aflitos. Ainda assim, continuou como um destaque. Fez uma boa temporada pelo Porto, referendando alguns predicados. O suficiente para o Manchester United buscar a sua contratação. A pouca idade não o impediu de se tornar uma peça útil ao time, importante na rotação de Sir Alex Ferguson em temporadas abastadas, com vários títulos conquistados. Ao mesmo tempo, faturava a Copa América com a Seleção e também fazia parte do time que levou o bronze olímpico nos Jogos de Pequim, em 2008.

O jovem em desenvolvimento se adaptou à realidade na Premier League e mudou um pouco suas características. No entanto, acabou se perdendo pelo meio do caminho. Entre os problemas físicos e outras questões que comprometiam o seu rendimento, não teve o futuro que se aguardava nos Red Devils. E ao longo dos últimos cinco anos, sua carreira foi feita de apostas que não se concretizaram. Não deu certo na Fiorentina. Depois, a confiança do Internacional não se pagou. Apesar de algumas sequências de jogos, ficou bem mais marcado pelas anedotas. Ainda teria uma segunda chance no Coritiba, mas nada muito digno de nota. No início do ano, estava treinando com o time B dos colorados, até rescindir o seu contrato e ficar livre para assinar com o novo clube.

O Adana Demirspor até possui a sua tradição. Fundado em 1940, tem suas aparições na elite do Campeonato Turco e revelou nomes importantes, como Hasan Sas e Fatih Terim. No entanto, seus maiores feitos são títulos das divisões de acesso e um vice na Copa da Turquia durante os anos 1970. O clube exibe suas pretensões ao trazer um jogador renomado para tentar voltar à elite, depois de ser o 14° colocado na segundona 2017/18. De qualquer forma, do ponto de vista pessoal, parece pouco a quem participava de uma campanha vitoriosa na Liga dos Campeões há dez anos.

O futebol é feito de descaminhos. A Anderson, os destinos foram tortuosos. Faz parte do esporte, e por vezes a derrocada não é apenas uma questão de falta de empenho. Ainda assim, fica aquele “e se” na mente. Talvez não virasse um craque internacional, mas o garoto que surgiu arrebentando com a camisa gremista tinha muito mais bola para ser o que não conseguiu.