Duas pessoas estão internadas em estado grave após serem espancadas no gramado em que se disputou a final do Campeonato Alagoano. Duas pessoas estão internadas em estado grave após serem espancadas no gramado em que se disputou a final do Campeonato Alagoano. Duas pessoas estão internadas em estado grave após serem espancadas no gramado em que se disputou a final do Campeonato Alagoano.

Repeti três vezes a frase para que ninguém tenha dúvidas da calamidade que aconteceu no Estádio Rei Pelé neste domingo. E o conteúdo dela poderia ser até mais pesado, considerando que as duas pessoas chegaram a ser dadas como mortas. As imagens de horror ganharam repercussão após a final. Torcedores do CRB invadiram o campo para comemorar o título com seus jogadores. Ao mesmo tempo, um marginal agrediu um atleta do CSA. O estopim para a briga generalizada, que teve dois homens linchados em campo. O vídeo é assustador e, por isso, não reproduzo aqui. Se você quiser ver, não terá dificuldades em encontra-lo, mas não recomendo.

Pode-se aproveitar a ocasião para levantar o debate sobre a violência no futebol. O papel das torcidas organizadas. A defasagem no policiamento para um jogo de alto risco. Tudo isso é válido. No entanto, é importante ter em mente que esta discussão não se limita ao esporte. Aliás, ela passa longe do que se espera dentro de um esporte. O problema se insere em toda a sociedade. E a impressão que ela deixa é a de que falhamos, todos, como humanidade. Afinal, não há traços de humanidade no agressor, assim como a humanidade do agredido não é respeitada.

Em tempos nos quais a intolerância se torna corriqueira, o episódio no Alagoano tem enorme significado. Escancara a necessidade de se repensar a relação que cada pessoa tem com o mundo a sua volta. E qual a real força da irracionalidade que impede o indivíduo de reconhecer outro ser humano a sua frente. Agir de maneira completamente covarde. Ameaçar a integridade por causa da cor de um clube, de um modo de vida, de uma posição política. Ignorar que, independente dos gostos, ele é igual a você. O futebol, como parte da sociedade, acaba afetado pelo caos. É apenas o recorte de um quadro bem mais amplo. Mais grave, mais difícil de se resolver.

Que as imagens chocantes, ao menos, sirvam para identificar os agressores e puni-los. É o mínimo. Porque, de tão costumeiras, parecem não sensibilizar mais para os questionamentos que se fazem tão urgentes. Os questionamentos sobre a relação humana de cada um.