Neste mês de setembro, Francesco Totti lança uma autobiografia, repassando sua grandiosa história no futebol e os melhores momentos da carreira. Entretanto, o livro não falará apenas das glórias ou do futebol em alto nível. Há uma série de ‘causos’ a serem desbravados, especialmente em relação à idolatria dos romanistas pelo Capitano. Entre os momentos pitorescos, o dia em que um homem preferiu trocar uma semana de liberdade apenas para ter a chance de se encontrar com o craque. A anedota aparece logo na introdução do livro.

O episódio, antecipado em entrevista do veterano à RAI, aconteceu em dezembro de 2006. Totti faria uma visita à prisão romana de Rebibbia, no intuito de levantar fundos a uma campanha de solidariedade. No entanto, um dos presos mais fanáticos por Totti receberia sua liberdade justamente uma semana antes da recepção ao Capitano. Assim, fez uma solicitação especial ao diretor da cadeia: pediu para que ficasse o tempo suficiente para conhecer o ídolo, antes de ser solto. “Mesmo se eu vivesse por mais 100 anos, não teria uma chance como essa de tirar minha foto ao lado de Totti”, dizia a súplica. Desejo atendido, por incrível que pareça.

Totti relembra com bom humor: “Nós passamos pelas celas e haviam presos que torciam por todos os times. Jogadores da Roma e da Lazio participavam da visita e todos os encarcerados estavam muito felizes. Era como se vissem o Papa. Havia uma mesa para darmos autógrafos e, então, surgiu um rapaz gritando e gesticulando. A certa altura, ele começou a empurrar quem estava à sua frente até chegar a mim. Ele queria uma foto comigo, mas eu não conseguia entender por que estava tão determinado. Fiquei sabendo de sua história, que deveria ser solto uma semana antes e pediu para permanecer, porque sabia que eu estaria presente. Ele disse: ‘Se vocês me tirarem daqui, faço algo louco para ser mandado de volta'”. Representa bem a aura do craque.

Outro causo interessante relembrado por Totti aconteceu logo depois da conquista da Serie A, em 2001: “O fanatismo é ainda maior agora. Eu pensei que pararia depois que eu me aposentasse, mas é sempre o mesmo: fotos e autógrafos em todos os lugares. Eu me lembro que, uma semana depois que ganhamos o Scudetto, estávamos em um restaurante onde havia muitos torcedores da Roma. As pessoas me descobriram por lá e o único jeito de escapar foi pulando o muro, onde ficava um monastério. Então, eu escalei no escuro e vi uma pessoa com uma lanterna. Era um frade que me perguntou o que eu fazia e me acompanhou até a porta. Então, ele me pediu uma foto”.

A autobiografia de Totti foi escrita em parceria com o jornalista Paolo Condò e tem 512 páginas. O evento de lançamento acontece na próxima quinta-feira, no Coliseu. Os fundos arrecadados com a venda serão destinados a um hospital infantil da capital italiana.