A Eurocopa não é o torneio de seleções mais tradicional do mundo. Outras competições talvez tenham uma história mais longa. Por exemplo, a Copa América, iniciada em 1916, para não falar da própria Copa do Mundo. Sem contar que, algumas vezes, técnica não foi o forte de determinadas edições da Euro.

Todavia, durante sua história de 52 anos, a Eurocopa construiu a merecida fama do maior torneio continental envolvendo seleções, após os Mundiais. Por fatores como as seleções que nela fizeram história (para ficar em apenas duas, a Holanda de 1988 e a França de 2000), o regulamento enxuto e compreensível (dezesseis times, formando quatro grupos, dois classificados de cada chave para as quartas-de-final, daí progredindo para semifinais e a final) e a periodicidade bem definida (início das eliminatórias logo após a Copas do Mundo, torneio final disputado em anos olímpicos, sempre assim, desde 1958).

A idéia de um campeonato europeu de seleções surgiu muito antes de ser concretizada: já em 1927, o francês Henri Delaunay, secretário-geral da federação de seu país, sugeriu à FIFA, em parceria com o técnico austríaco Hugo Meisl, a fundação de uma Taça da Europa, a ser disputada simultaneamente às Copas, com eliminatórias bienais. Entretanto, a idéia caiu no ostracismo, tanto pela ausência de uma confederação européia de futebol, quanto pelo temor da FIFA de que a competição esvaziasse o interesse pelos Mundiais.

Somente quando fundaram a UEFA , em 1954, a sugestão foi levada adiante. O próprio Henri Delaunay a encampou novamente, agora como secretário geral da recém-fundada entidade. Com algumas alterações no projeto inicial – como desistir da disputa concomitante com as Copas e um formato menor – e incentivos como o do jornal francês L’Équipe (por sinal, o mesmo em que trabalhava Gabriel Hanot, idealizador da Liga dos Campeões), foi questão de tempo para o torneio ser oficializado. Nem mesmo a morte de Delaunay, em 1955, retardou o desenvolvimento da idéia: seu filho, Pierre, o substituiu na secretaria geral da UEFA, sendo nomeado chefe do comitê de organização da Taça das Nações Européias (primeiro nome da Euro).

E, em 1958, o torneio foi lançado, com as primeiras eliminatórias, para que a fase final ocorresse em 1960. Como homenagem ao pai da Euro, o troféu da compertição ganhou o nome de Henri Delaunay. O formato atual, de um país-sede, com uma fase de grupos antes do mata-mata, foi implantado em 1980. Para isso, aumentou-se o número de equipes: oito. Em 1996, ele cresceu para dezesseis, e surgiram as quartas-de-final, definindo o formato atual. Que terá maior número de clubes, em 2016, na França: 24.

E a Trivela decidiu publicar a história de todas as edições da Eurocopa, reproduzindo série publicada no blog do jornalista Vitor Birner, em 2008, pouco antes da edição disputada em Áustria e Suíça. Mas agora, foi revista e ampliada, para descrever como o torneio de seleções do Velho Continente chegou até o ponto atual, em que atrai a atenção do mundo todo.

França 1960: A vitória é vermelha

Espanha 1964: Por muito tempo, a única

Itália 1968: Na moedinha e no repeteco

Bélgica 1972: Antecipando a (falta de) surpresa

Iugoslávia 1976: O pioneiro da cavadinha

Itália 1980: Mudanças no formato

França 1984: EurocoPlatini

Alemanha 1988: Enfim, a Holanda

Suécia 1992: A penetra que virou dona da festa

Inglaterra 1996: Várias mortes lentas, uma morte súbita

Bélgica/Holanda 2000: Sorte de campeã

Portugal 2004: Sete jogos, sete gols

Áustria/Suíça 2008: E era só o começo

 

E mais: Guia Trivela da Eurocopa 2012