Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

Antes de 1997, ano em que Fifa instituiu a Copa das Confederações, outros torneios já colocavam alguns campeões continentais frente a frente. O maior e mais prestigioso dentre estes era a Copa Intercontinental de Seleções, popularmente conhecida como Copa do Rei Fahd, em alusão ao troféu que homenageava o monarca da Arábia Saudita, cuja federação organizava a competição. Apesar de disputada apenas duas vezes, a taça rendeu grandes jogos e boas histórias, contadas aqui.

As origens

A primeira competição criada para confrontar seleções campeãs continentais foi a Copa das Nações Afro-Asiáticas, realizada desde o fim da década de 1970 de maneira intermitente (algumas edições previstas acabaram canceladas). Era disputada entre o campeão africano e o vencedor da Copa da Ásia ou dos Jogos Asiáticos.

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Houve ainda a Copa Artemio Franchi, batizada em homenagem ao ex-presidente da federação italiana e da Uefa, que colocava frente a frente os vencedores da Eurocopa e da Copa América, mas foi disputada oficialmente apenas duas vezes. A primeira em agosto de 1985, quando a França (campeã europeia no ano anterior) bateu o Uruguai (campeão sul-americano de 1983) por 2 a 0 em Paris e ficou com a taça. E a segunda quase oito anos depois, em fevereiro de 1993, quando a Argentina enfrentou a Dinamarca em Mar del Plata e empatou em 1 a 1, vencendo nos pênaltis.

Até que em 1992 a federação da Arábia Saudita organizou pela primeira vez uma competição que reuniria campeões de mais de dois torneios continentais, instituindo um troféu que levaria o nome do rei saudita Fahd II (que governou o país entre 1982 e 2005, quando morreu). A competição voltaria a ser realizada três anos depois, ampliada, e despertando maior atenção do público internacional e dos cartolas da Fifa.

A entidade então absorveria o certame, rebatizando-o como Copa das Confederações a partir de 1997 – com a primeira edição sob os novos nome e formato, mas novamente realizada no país do Oriente Médio. Em seu site oficial, entretanto, a Fifa equipara as duas edições da copa organizadas pelos árabes ao seu torneio, incluindo títulos e participações das seleções na Copa do Rei Fahd na contabilidade para efeitos estatísticos.

Primeira edição: 1992

Realizada entre os dias 15 e 20 de outubro daquele ano, a primeira edição da Copa do Rei Fahd reuniu apenas quatro seleções em partidas eliminatórias jogadas em Riad. A Arábia Saudita, dona da casa, vivia seus últimos dias como atual detentora da Copa da Ásia: campeã em 1988, seria derrotada pelo Japão na final da edição seguinte do torneio, disputada em novembro. Completavam os participantes a Argentina (vencedora da Copa América de 1991), os Estados Unidos (campeões da primeira edição da Copa Ouro da Concacaf, também em 1991) e a Costa do Marfim (vencedora da Copa Africana de Nações após decisão nos pênaltis quase interminável contra Gana em janeiro daquele ano de 1992).

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A seleção saudita, treinada pelo brasileiro Nelsinho Rosa Martins (ex-jogador do Flamengo e técnico de Fluminense e Vasco, além de auxiliar de Sebastião Lazaroni na Copa de 1990), já contava com alguns nomes que se tornariam conhecidos do grande público na estreia do país em Mundiais, dali a dois anos nos Estados Unidos: jogadores como o zagueiro Mohammed Al-Khilawi, os meias Khalid Al-Muwalid e Fahad Al-Bishi, além dos atacantes Saeed Al-Owairan e Sami Al-Jaber.

argentina 1992

O adversário dos sauditas nas semifinais foi a seleção dos Estados Unidos, já dirigida pelo iugoslavo Bora Milutinovic. Mantinha vários nomes que disputaram a Copa do Mundo da Itália, em 1990 (como Tony Meola, Paul Caligiuri, Marcelo Balboa, John Harkes, Tab Ramos, Eric Wynalda e Bruce Murray), além de trazer de volta o meia Hugo Pérez, cortado do Mundial italiano por lesão – e que, ironicamente, defendia um clube saudita, o Al Ittihad –, e apresentar novatos (ainda que alguns nem tão jovens assim), como o zagueiro Fernando Clavijo, o meia Cobi Jones e o atacante Roy Wegerle.

O jogo registrou uma tranquila vitória para os sauditas por 3 a 0, ainda que os norte-americanos tivessem conseguido resistir com o placar em branco por toda a primeira etapa. Na volta do intervalo, no entanto, não foi mais possível contar a ofensiva dos donos da casa, que abriram a contagem com Al-Bishi cobrando pênalti aos três minutos, ampliaram com Al-Thunyan aos 29 e, logo depois de o adversário perder o meia Brian Quinn expulso pelo árbitro brasileiro Ulisses Tavares da Silva Filho, fecharam o resultado com Al-Muwalid, a seis minutos do fim.

Na outra semifinal, a favorita Argentina encarava a Costa do Marfim. Apesar de renovada, a Albiceleste comandada por Alfio Basile tinha bastante talento à disposição. Trazia alguns nomes com experiência de Copa do Mundo no currículo (Goycoechea, Basualdo, Ruggeri, Caniggia), além de destaques da equipe campeã sul-americana em 1991 (Batistuta, Simeone, Leo Rodríguez, Vázquez) e ainda apresentava novidades, como os meias Fernando Redondo e Diego Cagna.

Os marfinenses, por outro lado, tiveram de contentar em disputar o torneio com um elenco de pouca experiência internacional. Dos 18 convocados, apenas três atuavam fora do país. Alguns dos principais jogadores na época – como o meia Didier Otokoré (Auxerre) e os atacantes Joël Tiéhi (Le Havre) e Youssouf Fofana (Monaco) – não foram liberados por seus clubes franceses. Mas aquela equipe contava com alguns dos nomes que se tornariam pilares dos Elefantes pelos próximos dez anos, como o goleiro Alain Gouaméné, o meia Serge-Alain Maguy e o atacante Donald-Olivier Sié

Diante da fragilidade dos africanos, a goleada argentina por 4 a 0 não foi surpresa. Com dez minutos de jogo, Batistuta já havia balançado as redes duas vezes: a primeira logo aos dois minutos em jogada preparada por Simeone e a segunda aos dez, após uma saída de bola marfinense interceptada pela pressão do ataque platino. Na etapa final, Caniggia foi lançado em contra-ataque, driblou um desesperado Gouaméné e cruzou da linha de fundo para a cabeçada do lateral Altamirano com o gol vazio. No fim, ainda houve tempo para Caniggia servir Acosta por trás da defesa africana, antes de o atacante tocar por baixo do arqueiro, completando o placar.

Na decisão do terceiro lugar, os norte-americanos se reabilitaram da derrota para os sauditas e impuseram mais uma goleada aos inexperientes marfinenses. O primeiro gol, marcado de cabeça por Marcelo Balboa após cobrança de falta na lateral da área, reflete bem a ingenuidade dos africanos, que tentaram uma linha de impedimento na risca da grande área, mas se esqueceram de que a própria barreira dava condições aos adversários. O gol de empate, anotado quatro minutos depois pelo veterano Abdoulaye Traoré, deu a impressão de que poderia equilibrar as ações, mas não por muito tempo. Os norte-americanos deslancharam no segundo tempo e venceram por 5 a 2.

Já na final, mesmo diante do estádio lotado, da fanática torcida local e do bom futebol mostrado pelos donos da casa diante dos norte-americanos na fase anterior, os argentinos não tiveram maiores problemas em controlar a partida do começo ao fim. Aos 18 minutos, o meia Leo Rodríguez tabelou com Simeone e acertou um forte chute cruzado de fora da área para abrir o placar. Seis minutos depois, Caniggia recebeu cruzamento de Basualdo da direita, dominou e chutou de virada para marcar o segundo.

argentina x arábia 1992

Na etapa final, aos 19 minutos, Batistuta foi lançado e cruzou rasteiro da ponta-direita. A defesa saudita rebateu e a bola retornou para o camisa 9, que mandou uma bomba na trave. A sobra caiu nos pés de Simeone, que limpou o zagueiro e fuzilou, ampliando o placar e deixando os argentinos com a mão na taça. No minuto seguinte viria o gol de honra da Arábia Saudita, iniciado numa roubada de bola após saída de jogo errada, com a bola chegando aos pés de Al-Owairan. O atacante disparou um petardo da intermediaria, que Goycoechea não conseguiu segurar.

A reação, porém, ficou nisso. O capitão argentino Oscar Ruggeri levantou a primeira Copa do Rei Fahd, confirmando até com certa facilidade o favoritismo dos sul-americanos no torneio, ainda que os sauditas tenham mostrado um futebol em ascensão. Os dois finalistas seriam as únicas equipes que retornariam para a edição seguinte do torneio, dali a três anos.

Segunda edição: 1995

A segunda edição ganhou um peso maior por finalmente contar com a presença do campeão europeu – no caso a Dinamarca, surpreendente vencedora da Eurocopa de 1992. O torneio foi ampliado para seis seleções, tendo a Arábia Saudita agora incluída como país-sede (o Japão ficou com a vaga asiática por ter vencido a copa do continente de 1992). Além deles, participaram a Argentina (campeã da Copa América de 1993), a Nigéria (detentora da Copa Africana de Nações de 1994) e o México (vencedor da Copa Ouro da Concacaf de 1993).

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Disputada em janeiro de 1995, a segunda e última edição do torneio sob essa denominação foi um bom rescaldo da Copa do Mundo de 1994. México, Nigéria e os anfitriões sauditas apresentaram elencos pouco modificados em relação aos que fizeram bom papel nos Estados Unidos (coincidentemente, os três chegaram às oitavas de final). Entre os principais novatos, os astecas trouxeram o zagueiro Manuel Vidrio e o atacante Cuauhtémoc Blanco.

A Argentina, ao contrário, levou uma seleção quase inteiramente renovada. Apenas quatro jogadores haviam disputado o Mundial norte-americano (o defensor José Antonio Chamot, os meias Ariel Ortega e Hugo Pérez e o atacante Gabriel Batistuta). Na equipe comandada por Daniel Passarella, a juventude era a tônica: dos 20 convocados, nada menos que 11 tinham até 21 anos. Entre eles, nomes que futuramente teriam longa carreira na Albiceleste, como Javier Zanetti, Roberto Ayala, Marcelo Gallardo, Gustavo López e Hernán Crespo. Além de promessas da época que não tiveram o mesmo destino, como Cristian Bassedas e Sebastián Rambert.

dinamarca 1995 IIII

Havia a novidade do Japão, na época uma seleção ainda inédita em Copas do Mundo, mas que se aproveitava do contexto da criação e popularização da J-League para voltar a disputar torneios intercontinentais de seleções pela primeira vez em quase 30 anos – a última participação havia sido nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968. Os destaques eram o brasileiro naturalizado Ruy Ramos, o defensor Masami Ihara e o experiente atacante Kazu Miura, velho conhecido do futebol brasileiro, que havia acabado de voltar ao Verdy Kawasaki após ter se tornado o primeiro nipônico a atuar na Serie A italiana, vestindo a camisa do Genoa.

Embora contasse com o talento e a experiência internacional dos irmãos Michael e Brian Laudrup, a Dinamarca apresentava uma seleção experimental, após o fracasso nas Eliminatórias para a Copa de 1994. Mantido no cargo, o técnico Richard Möller Nielsen preferiu usar o torneio como laboratório, deixando de fora alguns nomes frequentes da seleção na época (como o goleiro Peter Schmeichel, os zagueiros Lars Olsen e Torben Piechnik e os meias Kim Vilfort e Henrik Larsen) para promover estreias e observar novatos.

Desta forma, a lista de convocados mantinha uma tendência já apresentada na Euro 1992 e que invertia uma tradição da seleção dinamarquesa desde o retorno do país às grandes competições: era um elenco formado em sua maioria por jogadores da liga local. Dos 19 chamados pelo técnico Richard Möller Nielsen, nada menos que 13 atuavam na Superliga nacional, sendo cinco no Bröndby e quatro no Odense, as principais forças de então. Mas a grande promessa era o atacante Peter Rasmussen, que acabara de ajudar o Aalborg a levantar o título.

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Em relação à primeira disputa, quando os argentinos levaram o título com duas vitórias tranquilas e as redes balançaram 18 vezes nas quatro partidas, o torneio de 1995 ganhou muito do ponto de vista do nível técnico, do equilíbrio e da competitividade. Com as seis seleções divididas em dois triangulares, os jogos – novamente disputados no estádio que também levava o nome do monarca, em Riad – tiveram início no dia 6 de janeiro, com a primeira rodada dupla da competição.

Pelo grupo A, jogaram Arábia Saudita e México, em partida equilibrada até os 20 minutos da etapa final, quando Luís García abriu a contagem para os astecas, apanhando uma sobra de bola após escanteio. No fim, aos 37, o mesmo Luís García deu números finais ao jogo após receber de García Aspe, tabelar e invadir a área tocando na saída do goleiro Al-Sadig.

dinamarca 1995 III

Mais tarde, Nigéria e Japão abriram o Grupo B. Os africanos saíram na frente logo aos quatro minutos num erro individual grotesco do zagueiro Natsuka após escanteio, quando sua tentativa de corte espirrou, indo em direção à própria meta, permitindo a Amunike desviar para as redes na pequena área. Na etapa final, aos dez minutos, Mutiu Adepoju aproveitou bola alçada por Oliseh para a área e marcou de cabeça o segundo gol. E aos 20, num contragolpe fulminante, Amokachi partiu com bola dominada desde o próprio campo, tabelou com Okocha, invadiu a área, ganhou do zagueiro e tocou rasteiro entre a trave e o goleiro Matsunaga para fechar o placar em tranquilos 3 a 0.

Na segunda rodada, no dia 8 de janeiro, foi a vez das aguardadas estreias dos campeões europeu e sul-americano. Pelo Grupo A, a Dinamarca encarou a Arábia Saudita desfalcada de Michael Laudrup – que só se juntou à delegação no dia da estreia, quando chegou a Riad vindo de Madri, onde participara da goleada do Real Madrid sobre o Barcelona por 5 a 0 pelo Campeonato Espanhol. Mesmo assim, não houve maiores problemas, já que seu irmão mais novo, Brian, deu conta do recado marcando um belo gol para abrir a contagem, flutuando por entre os marcadores e indo até a linha de fundo para encobrir o goleiro Al-Sadig com um leve toque, dois minutos antes do intervalo.

Na etapa final, os dinamarqueses concluíram o serviço no último minuto, quando o atacante Bo Hansen (no que seria sua única partida na seleção) recebeu cobrança de lateral e serviu o meia Morten Wieghorst, que venceu a marcação e tocou cruzado na saída do arqueiro. O gol acabaria sendo fundamental para igualar o placar ao estabelecido pelos mexicanos diante dos mesmos árabes na abertura do grupo.

A Argentina estreou mais tarde, atropelando a seleção do Japão. Entrando como queriam na zaga nipônica, Rambert (aos 31) e Ortega (aos 45) deixaram os sul-americanos com a vantagem de dois gols antes do intervalo. Na etapa final, logo aos dois minutos, Rambert bate cruzado da entrada da área, Matsunaga defendeu com os pés, mas Batistuta, em posição duvidosa, conferiu de cabeça para o gol vazio. Aos nove é a vez de Chamot fazer jogada individual e bater da entrada da área para marcar o quarto.

Os asiáticos descontaram três minutos depois, em cobrança de falta de Kazu, por entre a barreira argentina. Mas a quatro minutos do fim, Batistuta desceu pela direita, entrou na área e foi agarrado pelo defensor. O próprio Batigol cobrou e converteu a penalidade, fechando a goleada em 5 a 1, resultado que dava à Albiceleste a vantagem de jogar pelo empate com a Nigéria na última rodada.

Na decisão do Grupo A, Dinamarca e México fizeram um confronto equilibrado de tal maneira que apenas a decisão nos pênaltis, em plena fase de grupos, pôde apontar o classificado para a final. Os mexicanos abriram o placar numa falha do goleiro Krogh, que acabara de substituir o lesionado Lars Högh. Num lançamento para a área dinamarquesa, o arqueiro saiu e interceptou a jogada com uma cabeçada, mas a bola foi parar nos pés de Luís Garcia. O atacante ajeitou no peito e acertou um belo chute alto, sem chances para o defensor Risager, que tentou tirar, postado quase sobre a linha.

A salvação dinamarquesa, ironicamente, também veio com a cabeça, ainda no primeiro tempo. Brian Steen Nielsen alçou a bola para a área, o zagueirão Rieper aparou de cabeça para Rasmussen, que saltou por entre dois defensores e testou encobrindo Jorge Campos. Com a igualdade no placar e também em todos os critérios de desempate previstos, o jogo foi para os pênaltis.

Schjönberg e Cláudio Suárez acertaram na primeira série, e Michael Laudrup botou os dinamarqueses em vantagem antes de Bernal carimbar o pé da trave. Na terceira série, Jorge Campos ficou a milímetros de defender a cobrança rasteira de Jes Högh, mas Del Olmo também converteu e adiou um pouco a decisão. No quarto chute dinamarquês, Rieper soltou a bomba e deixou os europeus bem perto da final. Foi então a vez de o goleiro Krogh se recuperar da falha no tempo normal e defender com os pés a péssima cobrança de Luís García, no meio do gol, classificando os nórdicos.

A decisão do Grupo B teve a Nigéria, que precisava vencer, dominando a primeira etapa. Chegou perto do gol numa cabeçada para fora de Efan Ekoku e num chute de Daniel Amokachi que parou em Carlos Bossio. O arqueiro argentino trabalhou mais no primeiro tempo, mas seu colega nigeriano Peter Rufai também precisou ser acionado numa cobrança fechada de escanteio de Ariel Ortega. Na etapa final, o domínio se inverteu, com os argentinos atacando mais e criando as melhores oportunidades. Chegaram a acertar o travessão em cobrança de falta de Hugo Pérez, mas no fim saíram satisfeitos com o 0 a 0 que os levava à final.

No dia 13 de janeiro, uma sexta-feira, seriam decididos o terceiro lugar, na preliminar entre México e Nigéria, e o título, no jogo de fundo entre Dinamarca e Argentina. Como nota curiosa, as duas partidas tiveram transmissão ao vivo para o Brasil pelo SBT.

No primeiro duelo, empate em 1 a 1 no tempo normal com os dois gols saindo em falhas defensivas na bola aérea. O México abriu o marcador aos 20 minutos de jogo depois que Rufai espalmou mal um cruzamento e Ramón Ramírez acertou um belo voleio no canto do arqueiro nigeriano. O gol dos africanos surgiu aos 31: Okocha cobrou falta para a área, a zaga afastou e Eguavoen devolveu com um balão para a frente. Amunike ganhou a disputa pelo alto com Jorge Campos (com a bola resvalando no braço do atacante na volta) e a jogada sobrou para Amokachi empurrar para as redes.

Na decisão por pênaltis, as três primeiras cobranças de cada lado tiveram índice total de acerto. Okocha, Adepoju e Eguavoen converteram para a Nigéria, enquanto García Aspe, Luís García e Galindo fizeram para o Mexico. Na quarta nigeriana, Amunike bateu mal e Jorge Campos defendeu, antes de Hermosillo colocar os astecas em vantagem. Na última série, Iroha acertou o seu e adiou um pouco a festa mexicana, mas Cláudio Suárez não desperdiçou, iniciando a comemoração em tom de alívio de sua seleção diante das recentes frustrações nos penais.

A final entre Dinamarca e Argentina começou em alta voltagem. Logo aos sete minutos, Bassedas calçou o defensor Jes Högh dentro da área, e o árbitro apontou a marca do pênalti. Com tranquilidade, Michael Laudrup deslocou Bossio e colocou os dinamarqueses em vantagem. Os argentinos responderam quase imediatamente com um chute forte de Batistuta em cobrança de falta, bem encaixado por Mogens Krogh.

Mas o momento de maior apreensão da torcida dinamarquesa viria aos 26 minutos quando Michael Laudrup sentiu lesão e teve de ser substituído, passando a braçadeira de capitão para seu irmão Brian. Por outro lado, nervosos com a desvantagem no placar, os argentinos resolveram abrir a caixa de ferramentas: Brian Laudrup levou uma rasteira de Chamot e uma cotovelada de Ayala no rosto. E o goleiro Krogh foi atingido por um carrinho de Rubén Jiménez.

dinamarca 1995 I

Logo após a volta do intervalo, Rasmussen perdeu grande chance de ampliar numa cabeçada para fora. Mas aos 30 minutos, ele se reabilitaria após uma jogada letal de contra-ataque. Brian Laudrup apanhou uma bola perdida no lado esquerdo da intermediária dinamarquesa e desceu em velocidade pela ponta, mesmo acossado por Fabbri. Ao perceber a chegada do centroavante pelo meio, rolou para Rasmussen, que driblou Bossio e tocou para as redes.

Nos minutos finais, após sofrer o segundo gol, a Argentina ainda tentou reagir, mas a pressão foi por água abaixo a dois minutos do fim, quando Chamot perdeu a bola no lado esquerdo do ataque e puxou a camisa de Jes Högh para impedir o contragolpe. Após a marcação da falta, o lateral atirou a bola contra o dinamarquês caído e foi imediatamente expulso de campo.

Após o apito final, Michael Laudrup recebeu o troféu das mãos do rei saudita e deu início às comemorações dos dinamarqueses, que levantavam seu segundo título importante após a conquista surpreendente da Eurocopa de 1992, na qual haviam derrotado outro gigante do futebol mundial, a Alemanha.