A Gripe Espanhola de 1918, seu impacto sobre o futebol e quem foram os jogadores vitimados pela pandemia

A exemplo do coronavírus, a Gripe Espanhola de 1918 também impactou o mundo do futebol. No Brasil, a pandemia levou à morte de figuras populares do esporte, além de paralisar e até cancelar campeonatos. Na Europa, onde ainda se vivia o desfecho da Primeira Guerra Mundial, a doença também deixou vítimas, entre atletas e treinadores. Em uma realidade de informações menos abundantes e condições sanitárias piores, a doença provocou um número de vítimas sem precedentes, mas também permitiu conclusões que se tornaram parâmetro às autoridades sanitárias e contribuíram à evolução da medicina.

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Abaixo, relembramos o contexto da Gripe Espanhola e, principalmente, os seus desdobramentos no futebol brasileiro. Apresentamos as biografias dos jogadores falecidos por causa do vírus. As principais competições do país precisaram se reorganizar, mas, em tempos ainda amadores do esporte, as preocupações com a situação financeira dos clubes era bastante distinta da atual – sobretudo quando muitos deles estavam diretamente ligados à elite.

Um breve histórico da pandemia

Apesar de ter ficado conhecida mundialmente como “gripe espanhola”, a pandemia começou a ser detectada entre soldados de uma base militar no Kansas, Estados Unidos, no início de março de 1918. A base de Fort Riley preparava combatentes para lutarem na Primeira Guerra Mundial, vivendo então sua reta final na Europa. E estes soldados norte-americanos acabaram se tornando vetores do vírus para o Velho Continente, onde ele se alastraria.

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Embora impreciso, o nome também tem a ver com o conflito: declaradamente neutra e fora da guerra, a Espanha era um dos poucos países onde a imprensa não sofreu qualquer tipo de censura do governo ao registrar o surgimento dos primeiros casos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Woodrow Wilson deu ordens expressas para que não se noticiasse seu aparecimento, temendo a reação de pânico na população e entre as tropas.

A falta de informação facilitou a proliferação do vírus. Os números não são muito precisos, dada a abrangência global da pandemia, mas estima-se que no intervalo de cerca de um ano em que ela surgiu, se espalhou e se esvaiu, a gripe contagiou 500 milhões de pessoas ao redor do planeta, provocando a morte de entre 50 e 100 milhões, cerca de 3% da população mundial. Ainda hoje é a maior pandemia de que se tem notícia.

Após se proliferar pela Europa entre abril e agosto de 1918, a gripe chegou ao Brasil em setembro, trazida por um navio vindo do Velho Continente que fez escala nos portos do Recife, de Salvador e do Rio de Janeiro, seguindo mais tarde para a Amazônia. Em breve se espalharia por outras capitais e cidades portuárias. Ao todo, o número oficial de mortos no país seria estimado em 35 mil, mas certamente era maior, já que muitos óbitos não tiveram registro.

Capital federal e cidade mais populosa do país na época, com pouco menos de 1,2 milhão de habitantes, o Rio de Janeiro teve o maior número de casos e de óbitos registrados. Entre suas 12,7 mil vítimas, estava o recém-eleito presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves, que faleceu em janeiro de 1919 e sequer chegou a tomar posse no que seria seu segundo mandato. Num único dia, a cidade chegou a registrar mil mortes.

Vale lembrar que naquela época não só a medicina tinha muito menos recursos como também as condições de vida nas cidades eram consideravelmente mais insalubres, o que contribuía para uma dramática disparada no número de casos, sem restrições de faixas etárias ou classes sociais. Em vários bairros, temendo o contágio, muitas famílias deixavam seus mortos nas calçadas para serem recolhidos por carroças e enterrados em valas comuns.

No Rio, o campeão chora sua vítima

E, assim como hoje, escolas, comércio, locais de lazer e repartições oficiais foram fechados por medidas de segurança sanitária para evitar a aglomeração de pessoas. Também foram proibidas as festas populares e as atividades esportivas – incluindo o futebol. Além da interrupção dos certames estaduais pelo país afora, o Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) que seria realizado no Rio de Janeiro no fim de 1918 acabou adiado para o ano seguinte.

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Também no Rio, o campeonato da cidade – então organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) e iniciado em 14 de abril daquele ano – foi paralisado por 56 dias entre 13 de outubro e 8 de dezembro, durante o auge da gripe no país. Os clubes suspenderam suas atividades. O Bangu teve oito sócios vitimados pela pandemia. Entre eles um ex-atleta do clube que se transferira naquele ano para o Fluminense.

Nascido em Liverpool em 8 de janeiro de 1896, Archibald “Archie” French veio para o Brasil ainda garoto acompanhando o pai, William French, que em 1904 se tornaria o primeiro presidente do Bangu. Em 1915, aos 19 anos, Archie estrearia no ataque do time de cima dos alvirrubros. No ano seguinte, quando o time da Zona Oeste chegou pela primeira vez a brigar pelo título (que acabaria ficando com o America), ele marcou cinco gols nos 12 jogos da campanha.

O atacante permaneceria por mais uma temporada no Bangu, em 1917, antes de se transferir para o Fluminense no ano seguinte, justamente aquele marcado pela pandemia. Quando o certame foi paralisado, os tricolores lideravam a tabela com folga e estavam muito próximos da conquista. Mas depois que quase todo os jogadores – incluindo nomes lendários como o goleiro Marcos Carneiro de Mendonça – contraíram o vírus, os treinos foram suspensos.

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French havia estreado na sétima partida da campanha, uma vitória por 3 a 0 no Fla-Flu de 23 de junho, tendo inclusive marcado um gol na ocasião. Dali por diante, seria titular da meia-esquerda tricolor em todos os jogos até a interrupção da competição, anotando outros três tentos. Mas depois de cair doente não resistiu por muito tempo, vindo a falecer em 29 de outubro, pouco mais de 20 dias após entrar em campo pela última vez. Tinha 22 anos.

Quando o certame voltou, em dezembro, o Fluminense fez apenas o essencial para confirmar seu bicampeonato: derrotou o Mangueira por 2 a 0 em jogo disputado no campo do Flamengo na Rua Paissandu e, com a taça garantida, sequer entrou em campo no último jogo, contra o Carioca, anunciando antecipadamente a entrega dos pontos. O clube, que teve mais de duas dezenas de sócios vitimados pela gripe, dedicou a conquista a Archibald French.

O inesquecível Cantuária

O atacante recebeu muitas homenagens, mas a morte de outro atleta sensibilizou ainda mais o meio esportivo carioca: a de João Cantuária, jogador-símbolo do São Cristóvão. Mineiro de São João Del Rey, nascido em 28 de setembro de 1894 numa família de longa tradição militar pelo lado paterno, ele também veio ainda jovem para a capital federal, onde começou a jogar futebol pelos segundos times do Riachuelo e do Mangueira.

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Em julho de 1909, participou da fundação do São Christóvão Athletico Club (na grafia da época), que dois anos depois se filiaria à Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA), a entidade que na época organizava o Campeonato Carioca. Jogador de boa estatura, grande agilidade, técnica refinada e espírito de liderança, Cantuária marcou época vestindo camisa alva nos primeiros anos do clube no futebol do Rio, destacando-se como um notável “sportsman”.

Após estrear na primeira divisão do campeonato da LMSA em 1912, aos poucos o São Cristóvão foi melhorando suas campanhas até alcançar um bom quarto lugar em 1917, quando bateu duas vezes o Botafogo – uma delas por sonoros 6 a 1 em seu campo de Figueira de Melo, inaugurado no ano anterior – e venceu o futuro campeão Fluminense por 3 a 1, também em casa. O clube cadete terminou apenas cinco pontos atrás dos tricolores.

Alguns anos antes, em 16 de setembro de 1913, João Cantuária participara de uma das partidas embrionárias da Seleção Brasileira, quando um combinado carioca enfrentou e venceu o chileno por 2 a 1, em jogo disputado no campo do America, na rua Campos Sales. Tempos depois, ele voltaria a ser convocado para seleções cariocas, nas quais coincidentemente chegou a ter o então banguense Archibald French como um dos companheiros da linha ofensiva.

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A temporada de 1918 tivera início muito promissor para Cantuária. No dia 13 de janeiro, ele havia sido um dos destaques na vitória do São Cristóvão por 4 a 3 sobre o Palestra Itália paulistano, num “match interestadual” em Figueira de Melo, ao fazer duas assistências para gols do meia-esquerda Leão. Em março, novamente atuando pela seleção carioca, levantara a Taça Delfim Moreira ao vencer o “scratch” mineiro em Belo Horizonte.

No dia 21 daquele mesmo mês, Cantuária ajudaria o São Cristóvão a conquistar o Torneio Início do Campeonato Carioca, primeiro título da equipe principal em sua história. Após superar o Villa Isabel e o Andarahy nas primeiras fases, o time levantou o título ao bater o Fluminense por 2 a 0 na competição disputada no campo do Botafogo, na rua General Severiano. Em seguida, o clube voltou a aparecer forte na briga pelo título do campeonato propriamente dito.

Quando o mês de outubro começou, os cadetes somavam dez vitórias e um empate em suas 14 partidas, ainda tendo chances de tirar a conquista das mãos do Fluminense. No último jogo antes da pausa, porém, um empate com o Bangu em 1 a 1 na Rua Ferrer tornou as possibilidades mais remotas. Cantuária, que já havia marcado oito gols na competição, jogou nesta partida. Diz-se que já estava febril, mas mesmo assim entrou em campo.

O ídolo sãocristovense resistiria pouco mais de duas semanas, vindo a falecer em 25 de outubro, aos 24 anos de idade. Em seu leito de morte, Cantuária pediu aos companheiros apenas que não perdessem para o Botafogo, que, de acordo com a tabela original, seria o próximo adversário. A partida acabaria adiada para 5 de janeiro de 1919, já com o título definido. Mas mesmo assim, os jogadores cumpriram seu último desejo, vencendo por 3 a 1.

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Entre as muitas homenagens que recebeu estava um poema escrito sob pseudônimo por uma torcedora do Flamengo e publicado no jornal “O Imparcial”. Nos anos 30, o jornal oficial do clube seria batizado “O Cantuária”. Mais tarde, quando Lamartine Babo criou canções que serviriam de hinos para os clubes cariocas, o falecido atleta ficaria eternizado nos versos: “Estimulam sua fibra extraordinária / Os grandes feitos do saudoso Cantuária”.

Quase todos os clubes da cidade perderam associados e dirigentes infectados pelo vírus, como o primeiro-secretário do Flamengo, Thiers da Silva. Entre os atletas contaminados que conseguiram se curar estava outro rubro-negro, o famoso zagueiro Píndaro, o “Gigante de Pedra” da Seleção, que após se recuperar passou a exercer sua profissão de médico sanitarista durante a paralisação, ajudando a cuidar de pacientes da gripe em outras regiões da cidade.

Octavio Egydio, o caso paulistano

Segunda maior cidade do país na época, com mais de 500 mil habitantes, São Paulo também foi a segunda em número de vítimas da gripe. Os casos fatais contabilizados totalizaram 5.331, notificados entre meados de outubro e de dezembro de 1918. E o futebol também foi afetado: o campeonato parou no dia 20 de outubro, quando os times que jogariam naquele dia chegaram a entrar em campo com torcida na arquibancada, mas as partidas seriam canceladas.

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O torneio só seria retomado em 15 de dezembro, mas apenas com partidas envolvendo os times que brigavam pelo título. Um deles era a Associação Atlética das Palmeiras, que, quando da interrupção, liderava o certame por menos pontos perdidos, já que o número de jogos realizados variava entre cada equipe. E que no fim do mês de outubro havia perdido um de seus nomes mais emblemáticos, no caso mais notório de vítima da gripe no futebol paulista.

Octavio Egydio de Oliveira Carvalho era filho da elite paulistana. Seu pai, Paulo Egydio, havia sido senador (chegando a se envolver na campanha abolicionista) e diretor do antigo Diário de São Paulo, colaborando também com o Correio Paulistano – ambos extintos. Garoto ainda, antes mesmo de entrar para a faculdade de Direito, Octavio já integrava os quadros do clube alvinegro desde pelo menos 1907, atuando como médio-esquerdo.

Como dono daquela posição, participou das conquistas dos três títulos paulistas levantados pelo clube em 1909, 1910 e 1915. E em 1914, no dia 20 de setembro, ele entraria para a história do futebol brasileiro ao pisar o gramado do estádio do Gimnasia y Esgrima, em Buenos Aires, para disputar a primeira partida considerada oficial da Seleção, uma derrota por 3 a 0 para a Argentina num amistoso que antecedeu o confronto válido pela Copa Roca.

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Graduado em Direito em 1916, Octavio casou-se em março de 1918 com Alda Cavaliere. Por essa época, já era menos assíduo em campo defendendo o Palmeiras, reservando-se ao cargo de diretor esportivo. Por outro lado, participava com frequência de partidas de “lawn tennis” (o tênis sobre grama) contra os associados do clube alvinegro. Após seu falecimento, no fim de outubro, passaria a batizar o torneio interno da modalidade na agremiação.

A notícia de sua morte publicada pelo Correio Paulistano em 25 de outubro de 1918 cita a causa de seu óbito aos 26 anos de idade como uma “pneumonia gripal”. Ao seu enterro, realizado no mesmo dia, compareceram representantes do Corinthians e do Palestra Itália, além da própria Associação Atlética das Palmeiras. A Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), que cuidava da organização do Campeonato Paulista na época, mandou homenagens.

O certame retornou na metade de dezembro e avançou pelas primeiras semanas de janeiro de 1919. Mesmo de luto por Octavio Egídio, a Associação Atlética das Palmeiras ainda virou o ano na liderança, mas tropeçou e cedeu a ponta ao Paulistano, de Arthur Friedenreich, que buscava o tricampeonato. E este seria confirmado no dia 19, no confronto entre os líderes. Com quatro gols de Fried, o clube do Jardim América venceu por arrasadores 7 a 0 e reteve a taça.

Na maioria dos demais estados brasileiros, do Amazonas a Pernambuco, as competições também foram paralisadas e retomadas meses depois. No Rio Grande do Sul, no entanto, a decisão do título, que seria disputado entre os vencedores das três zonas regionais – o Brasil de Pelotas, o Cruzeiro de Porto Alegre e o 14 de Julho de Santana do Livramento – acabou cancelada, deixando o primeiro campeonato da recém-fundada federação estadual sem campeão.

Na Europa, entre a guerra e o vírus

Apesar de a Europa ter sido o epicentro da pandemia, com alta taxa de mortalidade também entre jovens, a gripe fez poucas vítimas entre atletas no continente – ao contrário da Primeira Guerra Mundial, na qual muitos jogadores foram recrutados ao front e morreram em batalhas. Um dos casos mais simbólicos de futebolistas vitimados pelo vírus foi o atacante escocês Angus Douglas, que defendia o Newcastle na época do surto mundial.

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Nascido em Lochmaben, na região de Dumfries, no primeiro dia de 1889, Douglas começara a carreira defendendo o clube local, chegando ao Chelsea em maio de 1908. Os Blues, que haviam estreado na elite inglesa na temporada 1907/08, venceram a concorrência do Everton e do Bolton pelo ponteiro de velocidade assombrosa, bons dribles e cruzamentos, além de uma inteligência de jogo que compensava a falta de potência no chute.

Com Douglas de titular da ponta-direita, o clube chegaria pela primeira vez a uma semifinal da FA Cup em 1911, sendo eliminado pelo Newcastle por 3 a 0 no campo neutro de St. Andrew’s, em Birmingham. Ainda naquele ano, chegou a ser convocado para a seleção da Escócia, participando de uma vitória sobre a Irlanda do Norte em Glasgow. O atacante também seria importante na campanha de retorno do Chelsea à primeira divisão em 1912. 

Quando seu futebol crescia a olhos vistos, ele seria vendido justamente aos Magpies em outubro do ano seguinte por cerca de £2 mil. E no norte, ele viveria seu curto auge, antes da paralisação dos jogos pela guerra. Durante o conflito, Douglas trabalhou em uma fábrica de munições em Tyneside. Por volta da mesma época, sua vida mudaria também em outros aspectos: ele perderia a mãe e logo depois o pai na Escócia e, em seguida, conheceria Nancy Thompson. 

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A jovem fugia de um relacionamento abusivo e tentava o divórcio quando os dois se envolveram em Newcastle e tiveram uma filha, nascida em abril de 1918, justo quando a pandemia chegava à Europa. No começo de dezembro, a gripe espanhola atingiria o casal. Nancy morreria no dia 11, aos 25 anos, e Angus Douglas – que completaria 30 anos dali a poucas semanas – teria o mesmo destino três dias depois, deixando a pequena Betty órfã aos oito meses de vida.

Outra vítima britânica da pandemia foi o irlandês Dan McMichael, lendário técnico do Hibernian que levou o clube ao primeiro de seus quatro títulos da liga escocesa, em 1903, conquistando ainda o caneco da Copa da Escócia do ano anterior. Ligado desde o início da década de 1890 ao clube que ajudou a salvar da falência, McMichael exerceu inúmeros cargos em Easter Road, de tesoureiro a fisioterapeuta, e teve duas passagens como treinador.

Os títulos vieram na primeira delas, entre 1900 e 1903, quando chefiou a comissão técnica que dirigia o time. Após uma única temporada sob o comando de Phil Kelso (que deixaria os Hibs para treinar o Woolwich Arsenal), o clube voltaria a apontar McMichael para o cargo, agora com plenos poderes, e o irlandês nele permaneceria até fevereiro de 1919, quando faleceria em decorrência do vírus. E assim como muitas das vítimas, foi enterrado num túmulo sem lápide.

Somente quase um século depois é que o local exato onde o treinador foi enterrado finalmente foi descoberto a partir da iniciativa de alguns torcedores dos Hibs, que arrecadaram fundos para que fosse feita uma placa de identificação. Em dezembro de 2013, cerca de 400 pessoas ligadas ao clube compareceram para a cerimônia de inauguração da placa. Uma pequena homenagem a uma das vítimas da pandemia mais mortal do século XX.

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.